Marcos Beccari

Marcos Beccari

Professor do PPG-Design da UFPR. Doutor em Educação pela USP, designer gráfico e Mestre em Design pela UFPR. Autor do livro Articulações Simbólicas (2ab, 2016), co-autor do livro Existe design? (2ab, 2013), co-coordenador deste site e colunista da revista abcDesign. Ancorado à filosofia trágica (Nietzsche, Rosset), dedica-se a estudar estética e visualidades.

Elogio ao simulacro: a imagem que coincide com o real

* texto originalmente publicado na edição #51 da Revista abcDesignFotografias de Matthew Tischler ilustram este post.

Simulacro é a simulação que simula a si mesma. Enquanto “simulação” significa imitação de algum modelo, “simulacro” representa algo que não possui nenhum equivalente. Tal diferença concerne a duas concepções básicas de “representação”: que as imagens estão ligadas a referentes (a coisas reais do mundo) ou que as imagens são autorreferenciais (pois só representam outras imagens). A imagem de “felicidade” prometida por uma marca de refrigerante, por exemplo, é autorreferencial, portanto um simulacro.

Em seu livro Simulacros e Simulação, Jean Baudrillard assinala sua insatisfação com o simulacro dos “estilos de vida” contemporâneos, com a estetização cotidiana que, para ele, só expressa um desejo desesperado de camuflar certo vazio existencial. Ocorre que esta avaliação depreciativa do simulacro, ainda recorrente na crítica cultural, depende inteiramente da exigência romântica por uma realidade mais pura ou autêntica. Leia mais…»

Sem título ou da urgência por nada

* desenhos em nanquim de Samantha Wall ilustram o post.

Pessoas criam pensamentos absurdos em nome dos quais, um dia ou outro, passam a rezar e a prestar contas. Outras se opõem ao pensamento em si, como um espelho que só sabe refletir o contrário. O mais comum, no entanto, é querer apenas chegar até o fim do dia. Nada pensar e existir somente. Não se trata de irracionalidade; é que o mais urgente é alheio à razão, não se afeta pelo pensamento, sendo também indiferente ao que sentimos.

De fato gostamos do “teatro”, como se a chuva tivesse que cair porque não poderia ser diferente. Sentimos orgulho ou culpa porque viver é urgente: crianças fingindo ser adultos e vice-versa, sabendo que cada instante é um a menos e que todas as escolhas levam a um mesmo fim. Não há quem não se importe com nada. E mesmo no caso dos papéis “desinteressados”, do tipo kantiano, estoico ou zen-budista, o pensamento permanece ali, como que nos espionando, num entediante jogo de quem é que ri primeiro. Leia mais…»

Resumo expandido de minha tese de doutorado

* As aquarelas que ilustram o post são de minha autoria e constam na abertura dos capítulos da tese.

Iniciei minha trajetória acadêmica em 2010, ano em que inaugurei este site. Na época, eu já formulava uma primeira versão daquilo que viria a compor minha tese de doutorado, concluída este ano. Seu título: Articulações Simbólicas: uma filosofia do design sob o prisma de uma hermenêutica trágica.

Apresento neste post o “resumo expandido” deste trabalho que é, ele próprio, um resumo de minhas reflexões nos últimos cinco anos. Tais reflexões são devedoras principalmente de Rogério de Almeida (orientador da tese) e de Daniel Portugal, que acompanharam este meu percurso desde o início.

Um resumo não é uma síntese (até porque não existe síntese), mas uma seleção arbitrária de ideias que aparecem despojadas da continuidade argumentativa que as contextualiza. Portanto, peço que não se faça citação/referência a este post, e sim ao texto de minha tese (que em breve estará disponível no banco virtual da USP). Todo resumo, afinal, corre o risco de esvaziar em larga medida a amplitude conjuntural à qual se refere. Se eu corro este risco, é no intuito de instigar a leitura da tese, pois minha motivação intelectual nunca foi outra senão a de ter minhas ideias lidas, discutidas e partilhadas. Leia mais…»

A ciência é ascética, não cética.

Não me venham com a ciência, quando busco o antagonista natural do ideal ascético, quando pergunto: “onde está a vontade oposta, na qual se expressa o seu ideal oposto?” Para isso a ciência está longe de assentar firmemente sobre si mesma, ela antes requer, em todo sentido, um ideal de valor, um poder criador de valores, a cujo serviço ela possa acreditar em si mesma – ela mesma jamais cria valores. Sua relação com o ideal ascético não é absolutamente antagonística em si, ela antes representa, no essencial, a força propulsora na configuração interna deste. – Nietzsche, Genealogia da moral (São Paulo: Cia. das Letras, 1998, III, § 25, p. 140-141).

Em ocasiões recentes no âmbito da “podosfera”, tenho insistido em apontar o aspecto religioso da ciência, cuja crença numa ordem natural e inteligível equivale a uma crença em Deus. Em outros termos, a ciência não é e nunca foi cética; ela apenas se vale do ceticismo como instrumento para discernir aquela ordem pressuposta. Pois bem, não pretendo desenvolver o tema à exaustão neste post, quero apenas apresentar um ponto de partida. Leia mais…»

Elogio ao barroco: o trágico alegre

O mundo barroco, cujo nome surgiu de maneira depreciativa (pérola irregular, imperfeita), foi revalorizado em meados do século passado, bem menos por seu pensamento e mais por sua arte. As contradições interpretativas indicam as contradições que o caracterizam – não é de se espantar que Eugenio d’Ors, em sua conhecida obra Du baroque, propõe vinte e duas acepções para o termo “barroco”. De um lado, a historiografia clássica caracteriza o século XVII como sendo o “Grande Século” (expressão que Michelet atribui, porém, ao século XVIII), donde a pergunta é inevitável: “grande” por que, em relação a que e de acordo com quem?

De outro lado, o historiador alemão Heinrich Wölfflin, em sua obra Renaissance und Barock (século XIX), transforma o barroco em conceito anistórico que serve para designar o momento decadente em cada período da história da arte. Por sua vez, Benjamim (em Origem do drama barroco alemão) encontrou no período barroco a primeira manifestação de “esvaziamento” das imagens, uma vez que elas não mais irradiavam um sentido unívoco. Pretendo sintetizar aqui dois aspectos que, respectivamente às questões levantadas, considero interessantes no período seiscentista: a emergência de um “teatro filosófico” e, no que tange à visualidade, o fim do valor metafísico das imagens. Leia mais…»

Ideologia: não queira uma para viver

* Pinturas de Alex Kanevsky ilustrando o post.

A questão que levanto aqui é de inspiração humeniana: “ideologia” será sempre um termo acrescentado que, no limite, pode qualificar um fenômeno social tão bem (isto é, tão pouco) quanto um ser alienígena. Hume pensava em termos empíricos: entendendo por “causa” o princípio de uma sucessão de acontecimentos, não haveria uma ideia forçosamente acrescentada quanto a uma sucessão necessária? Pensemos em termos éticos: em que medida uma conduta crítico-engajada opõe-se ao conformismo e à resignação que esta mesma conduta acrescenta a tudo que se lhe opõe?

Tenho ponderado nesse sentido em relação ao niilismo, às crenças religiosas, ao ascetismo: são condutas igualmente válidas, tanto quanto inválidas. Do mesmo modo, cada vez mais não vejo grandes problemas no conformismo/resignação – o que não implica, todavia, defender tais condutas como “certas”. A objeção mais comum é a de que este tipo de raciocínio vai em direção a um tudo-vale, não importa o quê, anulando-se por contradição. Entretanto, percebe-se facilmente em tal objeção uma exigência por certa “coerência” que é acrescentada de antemão, isto é, ideologicamente. Leia mais…»

O sorriso de Pandora: ficções de cadáveres adiados

* texto originalmente publicado na edição #49 da Revista abcDesignPinturas de Benjamin Björklund (Suécia) neste post.

Segundo Hesíodo, Zeus teria amaldiçoado os homens, em retaliação pelo furto do fogo, com uma coisa má que lhes alegra, algo que lhes foi dado para que amem a dor que sentem. Trata-se de Pandora, figura mitológica que reaparece no sétimo capítulo de “Memórias póstumas de Brás Cubas” para levar o protagonista a vislumbrar todos os séculos, do início ao fim da existência, como uma história monótona e sem sentido. Machado de Assis se apropria do “delírio”, título do capítulo em questão, como filtro através do qual seu personagem é capaz de enxergar a insignificância vertiginosa por onde a vida se intensifica:

“A dor cedia alguma vez, mas cedia à indiferença, que era um sono sem sonhos, ou ao prazer, que era uma dor bastarda. Então o homem, flagelado e rebelde, corria diante da fatalidade das coisas, atrás de uma figura nebulosa e esquiva, feita de retalhos, um retalho de impalpável, outro de improvável, outro de invisível, cosidos todos a ponto precário, com a agulha da imaginação; e essa figura – nada menos que a quimera da felicidade – ou lhe fugia perpetuamente, ou deixava-se apanhar pela fralda, e o homem a cingia ao peito, e então ela ria, como um escárnio, e sumia-se, como uma ilusão” (cap. VII, § 28). Leia mais…»

O “realismo-abstrato” da arte contemporânea

Parece ganhar repercussão, notadamente em discursos como os de Robert Florczak e Roger Scruton, certo revanchismo muito similar às mostras infames que os nazistas organizaram por volta de 1940, condenando uma arte “degenerada” que abrange todos os modernismos. Essa visão fatalista de uma arte em declínio, que procura sua autenticidade num passado nostálgico, é obviamente problemática, especialmente porque tal remorso em relação a uma pureza perdida também serviu de combustível aos modernismos. Meu objetivo aqui, portanto, não é provar que uma posição é correta e a outra, errada, nem afirmar que um momento é moderno e o seguinte, pós-moderno – mesmo porque não vejo aí ruptura alguma.

Tratei em outro ensaio dos pressupostos metafísicos da arte conceitual. Quero agora delinear o problema discursivo que me parece haver na insidiosa oposição entre real e abstrato, a partir da qual vejo ressurgir um ideologema romântico que perpassa parte da arte do século XX até hoje. Em outros termos, a noção de “abstração” postergada pelos modernos (a partir do constructo simbólico do primitivismo contra a cultura hegemônica) tornou-se o fetiche contemporâneo da “simulação”, e com isso um realismo renovado preservou certa nostalgia (traumática) de um sujeito estável. Embora um momento conduza ao seguinte, este seguinte prescreve o anterior, assim como um enquadramento determina o olhar que o enquadra. Leia mais…»

Um breve imaginário do design

“Imaginário” implica, no presente ensaio, uma empreitada genealógica: identificar recorrências discursivas que nos permitam elaborar hipóteses filosóficas, neste caso, sobre a noção de design. Mais importante do que a História – enquanto pressuposta “verdade dos fatos” –, portanto, é a maneira como a contamos, portanto o design das histórias. Ou ainda, nos termos do historiador Philip B. Meggs:

O caráter efêmero e imediato do design gráfico, combinado com sua ligação com a vida social, política e econômica de uma determinada cultura, permite que ele expresse mais intimamente o Zeitgeist [paradigma] de uma época do que muitas outras formas de expressão humana. Ivan Chermayeff, renomado designer, disse: o design da história é a história do design. – Philip B. Meggs, História do design gráfico (Cosac Naify, 2009, p. 10). Leia mais…»

Crítica ao livro “A cidade & a cidade” de China Miéville

[A cidade & a cidade foi publicado pela Boitempo, 2014. Imagens de Jeremy Mann utilizadas neste post]

Em sua crítica à obra de Tolkien, o escritor Michael Moorcock reduz o universo tolkieniano a uma “confirmação perniciosa dos valores de uma classe média moralmente falida”, e se justifica dizendo que prefere ser um escritor ruim com grandes ideias do que o contrário. Trata-se de um discurso muito similar ao de Saramago em seu “O ano da morte de Ricardo Reis”, onde a postura filosófica do heterônimo de Fernando Pessoa é reduzida a uma covardia política. Com isso quero esclarecer logo de início que minha crítica ao livro de China Miéville passa longe deste tipo de argumento, notadamente moralista.

Mas é justamente este aspecto moralista que pretendo apontar em A cidade & a cidade: não sua moral em si, mas a interdição pela qual esta moral é apresentada. Logo, não se trata de uma discussão sobre o posicionamento do autor (sobre isso, conferir meu ensaio sobre autoria), tampouco sobre o meu posicionamento, que obviamente não deixa de influenciar minha leitura – a saber, penso que antes de dividir o mundo em luta de classes, numa lógica antagônica de exploradores e explorados, diante da qual o engajamento se torna obrigatório para escapar à alienação, convém refletir se nossa realização existencial depende mais de uma postura crítica ou de um jogo puramente estético (conforme defendo aqui, aqui e aqui). Leia mais…»

Há algo de inautêntico em cada original: um brevíssimo estudo sobre a ilusão a partir do filme O Melhor Lance, de Giuseppe Tornatore
Autor(es): ALMEIDA, R. de; BECCARI, M.
Publicado em: Visualidades (UFG), v.14, n.1, pp. 316-333, jan-jun 2016

Com base no filme O Melhor Lance (LA MIGLIORE OFFERTA, 2013), de Giuseppe Tornatore, este artigo propõe uma reflexão acerca da ilusão do duplo expressa pela dicotomia original-cópia. Após uma breve introdução de como essa dicotomia tornou-se paradigmática no pensamento ocidental, recorremos à filosofia de Clément Rosset para problematizar o mote central do filme: “há sempre algo de autêntico em cada cópia”. Defendemos, por fim, que a ilusão consiste não apenas em transformar uma coisa em duas, mas também na indisposição do iludido em aprovar uma realidade impossível de ser duplicada.

Hermenêutica trágica em Machado de Assis: a redescrição como dimensão de desaprendizagem
Autor(es): BECCARI, M.
Publicado em: Machado Assis Linha vol.9 no.18 Rio de Janeiro mai./ago. 2016

É objetivo deste estudo refletir sobre algumas implicações da filosofia machadiana para a educação, especificamente no que condiz ao aspecto hermenêutico-trágico da primeira em relação à dimensão de desaprendizagem da segunda. Para tanto, foram elencados três contos de Machado de Assis – “Cantiga de esponsais”, “Um homem célebre” e “Teoria do Medalhão” – a serem analisados sob o prisma de uma “hermenêutica trágica”. Em seguida, discuto sobre tal aspecto da filosofia machadiana no âmbito da educação, em especial no que condiz à dimensão de desaprendizagem.

A função contemporânea da “autoria” enquanto mediação simbólica
Autor(es): MARCOS BECCARI; ROGÉRIO DE ALMEIDA
Publicado em: Interdisciplinar: Revista de Estudos em Língua e Literatura, ano IX, vol. 21, jul.-dez. 2014, p. 145-162.

A questão da autoria é abordada neste artigo como recurso, próprio dos itinerários de formação contemporâneos, de des-representação e desidentificação, recurso este que valoriza a dimensão simbólica das interpretações e propicia a busca de sentido. A autoria é compreendida, portanto, a partir de uma perspectiva ampliada de cultura e educação. Para tanto, a reflexão foi construída por meio da analogia entre design e literatura, compreendendo ambos como processos de mediação e (re)criação de narrativas que se abrem a novas interpretações numa existência socialmente partilhada – e, no contexto atual, cada vez mais espetacularizada. O referencial teórico abrange Paul Ricoeur, Deleuze, Foucault, entre outros.

Seja estúpido: o imperativo trágico da diesel e o ethos contemporâneo
Autor(es): MARCOS BECCARI; DANIEL B. PORTUGAL; JULIA SALGADO
Publicado em: Revista Esferas, v. 1, n. 2, jan.-jun 2013.

Discutimos a campanha Be Stupid, da Diesel, sob o prisma da ética, levantando a hipótese de que seu discurso, aparentemente imbuído da postura trágica nietzschiana, pode, devido à forma como se insere no ethos contemporâneo, dar suporte a uma postura ética diversa daquela aparentemente sustentada. Após contextualizar a marca, construímos uma contraposição entre o pensamento de alguns autores e concluímos que o declínio dos deveres morais tradicionais institui uma nova forma de moralidade que não pode ser considerada trágica.

Da imagem do real para o real da imagem: por um elogio das aparências
Autor(es): MARCOS BECCARI; DANIEL B. PORTUGAL
Publicado em: Anais do III Congresso Internacional em Comunicação e Consumo, ESPM-SP, 10 e 11 out. 2013.

Este artigo se debruça sobre teorias que criticam a – já abalada, mas ainda comum – concepção das aparências como algo traiçoeiro e que deveria ser sempre julgado em função de qualquer coisa para além dele. Recorremos a pensadores como Nietzsche, Bergson, Rosset, Lacan e Žižek, dentre outros, para mostrar que a relação entre o real e as imagens pode ser concebida não apenas como mútua, mas também como integrada à afirmação da vida, mais do que as concepções “essenciais” que tentam buscar um real inexistente para além dessa relação. Para ilustrar nossos argumentos, recorremos a filmes como Um corpo que cai e Sinédoque, Nova Iorque, dentre outros.

A ficção do real: uma reflexão preliminar, a partir da Educação, sobre o Design no processo de inter-subjetivação
Autor(es): MARCOS BECCARI
Publicado em: Revista Tríades, v. 2, n. 1, 2012.

Este artigo propõe uma reflexão sobre o potencial subjetivante do Design no meio social. Partindo de uma perspectiva fenomenológica segundo a qual estruturas simbólicas configuram mediações significadoras entre o homem e o mundo, inicio uma discussão introdutória acerca do modo pelo qual o Design é capaz de manejar uma rede de significações no ambiente social que o circunscreve e, inversamente, sobre a forma que se dá o processo de reinscrição do sujeito no mundo através do Design. Para tanto, recorro a concepções distintas sobre “real” e “ficção”, elegendo esse aparente dualismo como possível aporte reflexivo capaz de oferecer ferramentas conceituais pertinentes a uma abordagem filosófica do design. Sob o pressuposto de que o Design afirma-se como potencial agenciador das relações entre-sujeitos no cenário contemporâneo, meu esforço é o de compreender de que forma esse agenciamento acontece e assim esboçar uma dimensão “educadora” do Design, sobretudo no sentido de articular “modos de olhar” que nos ofereçam a possibilidade de reinterpretar o mundo e de remanejar, concreta e simbolicamente, nossa localização nele.

Filosofia do design instrucional: uma análise meta-teórica sobre método de comparação entre modalidade de mídias
Autor(es): MARCOS BECCARI; ANTÔNIO M. FONTOURA; TIAGO L. OLIVEIRA
Publicado em: Revista Infodesign, v. 8, p. 12/3-19, 2012

O propósito deste artigo é discutir um dos métodos comparativos mais utilizados em pesquisa de Design Instrucional (Mayer, 2005) sob os pressupostos da intitulada Filosofia do Design (Love, 2000). Iniciando com um breve panorama histórico da pesquisa em design, realizamos uma revisão bibliográfica básica acerca da Filosofia do Design e do Design Instrucional e, por fim, levantamos alguns questionamentos pontuais sobre o método vigente. Partimos da hipótese de que os testes de comparação entre modalidades de mídias (estática e dinâmica) no Design Instrucional podem se tornar meros instrumentos de comprovação inferencial, sendo frequentemente replicados em pesquisas diversas. Este trabalho, contudo, não apresenta uma conclusão definitiva, mas apenas procura sinalizar algumas lacunas e possíveis desdobramentos do método em questão.

Articulação Simbólica: uma abordagem junguiana aplicada à Filosofia do Design [dissertação de mestrado]
Autor(es): MARCOS BECCARI
Publicado em: UFPR, SCHLA, PPG-Design, 2012.

Inserido no tema “Filosofia do Design”, a proposta desta pesquisa, de cunho puramente teórico, consiste na construção de uma estrutura meta-teórica que, entre outras coisas, apresente ao campo do Design uma abordagem proveniente dos denominados Estudos do Imaginário, especialmente da psicologia de Carl Gustav Jung. Na tentativa de explorar um caminho diferente da visão modernista-pragmatista, busca-se investigar os preceitos existentes em dois eixos centrais: Filosofia do Design e a Experiência Simbólica. A partir do modelo meta-teórico de Terence Love (2000), o projeto desenvolve uma ponte com a perspectiva simbólica de Jung e outros autores, apresentando assim diferentes níveis para uma possível aplicação da abordagem proposta. O fio condutor está na relação do Design com as experiências intersubjetivas, especificamente no que se refere à “articulação simbólica”. A postura adotada, não habitual no campo do Design, enfatiza a dimensão do Imaginário na medida em que encara as experiências simbólicas como sendo mediações entre o homem e o mundo, isto é, aquilo que atribui significado e sentido às coisas. Partindo do pressuposto de que a perspectiva epistemológica das mediações simbólicas possibilita múltiplas abordagens, podendo ser inserida em diversas problemáticas e sob diferentes ângulos disciplinares, sua inserção no campo do Design configura o principal interesse deste trabalho. O intuito fundamental, portanto, é delinear um caminho provisório a um novo ponto de vista teórico e filosófico no Design: a Articulação Simbólica. Sobretudo, este trabalho se propõe a encarar os problemas conceituais do Design sob um viés mais subjetivo e menos pragmatista.

O Design a partir do Sistema dos Objetos de Baudrillard
Autor(es): MARCOS BECCARI
Publicado em: Anais do IV Simpósio Nacional de Tecnologia e Sociedade, 2011

A proposta deste trabalho é apresentar, aos designers e pesquisadores da área, um (meta)acesso inicial à obra “O Sistema dos Objetos”, tese de doutorado de Jean Baudrillard (1968) sob a orientação de Roland Barthes (1915-1980). Por meio de uma revisão bibliográfica básica, procuramos encontrar o Design naquela irremediável região, trilhada por Baudrillard, onde as trocas simbólicas confundem-se com o andamento de todas as relações humanas. Para tanto, o autor e a obra selecionada são brevemente apresentados,  aprofundando-nos em seguida nos conceitos de objeto funcional, objeto antigo, automatismo e consumo. Neste sentido, o Sistema dos Objetos é encarado mais como uma análise sobre o valor dos signos nas trocas humanas do que como uma análise dos objetos em si. Por fim, recorremos a algumas das pesquisas sobre Baudrillard já desenvolvidas no campo do Design, encerrando pontualmente com nossa contribuição à temática vigente. Não se trata, pois, de uma simples resenha ou tampouco de uma análise crítica aprofundada  – nosso  intuito é apenas contemplar o Design sob a perspectiva de Baudrillard, especificamente em seu Sistema dos Objetos.

Contribuições de Vilém Flusser para o lado de fora da Filosofia do Design
Autor(es): MARCOS BECCARI
Publicado em: Anais do IV Simpósio Nacional de Tecnologia e Sociedade, 2011

Por meio de uma revisão bibliográfica básica, o objetivo deste artigo é apenas demarcar aquilo que, no pensamento de Flusser, pode contribuir com o lado de fora da Filosofia do Design (de fora em relação à disciplina homônima desenvolvida por Love, 2000). Apresentamos, pois, uma sucinta descrição de alguns conceitos-chave na tentativa de esboçar os temas e problemas levantados por Flusser e, assim, sintetizar a mensagem de obras selecionadas. Necessário esclarecermos, desde já, que não se trata de uma análise filosófica rigorosa, mas, antes, de trazermos Flusser para responder a questões cuja iniciativa não é dele. Pois o lado de fora que aqui contemplamos ainda é visto de dentro, como se tivéssemos à nossa disposição espelhos posicionados nas margens de uma fronteira filosófica, podendo facilitar ou mesmo iluminar nosso acesso a ela.

Articulações entre comunicação e consumo a partir da imagem e do imaginário
Autor(es): MARCOS BECCARI; DANIEL B. PORTUGAL
Publicado em: Anais do 1º Comunicon, 2011

Este artigo esboça uma proposta teórico-metodológica de abordagem do consumo a partir das imagens e do imaginário. Para tanto, adentra dois campos de estudos – o da iconologia e o dos estudos do imaginário –, selecionando alguns autores que serão especialmente importantes para nossos objetivos. Em seguida, enfoca o campo de estudos do consumo, apresentando uma abordagem teórico-metodológica profícua para o estudo de certos aspectos das dinâmicas contemporâneas do consumo.

Seja estúpido: o imperativo trágico da (não) afirmação à vida
Autor(es): MARCOS BECCARI; DANIEL B. PORTUGAL; JULIA SALGADO
Publicado em: Anais do III Jornada Red Cobinco, Curitiba/PR, 2011

Recorrendo principalmente a dois teóricos com propostas bastante distintas – Michel Maffesoli e Gilles Lipovetsky –, este artigo propõe uma discussão sobre a campanha “Be Stupid” (Diesel, 2010/11) sob o prisma da ética contemporânea. Partimos da hipótese de que a ideia do “prazer estúpido”, aparentemente imbuída da postura trágica nietzschiana, pode, devido à inclinação imperativa com que se insere no ethos contemporâneo, contradizer-se e negar a si mesma. Após breve contextualização da marca Diesel, construímos uma contraposição entre o pensamento de Maffesoli e Lipovetsky para, por fim, concluirmos que o atual declínio dos deveres morais tradicionais institui uma nova forma de moralidade não estritamente trágica. O foco desta discussão, portanto, pauta-se na atualidade da noção de estupidez a partir do modo como ela tem sido estampada nos anúncios Diesel.

A escola do imaginário e seus representantes: uma tradição do tertium datum
Autor(es): MARCOS BECCARI
Publicado em: Anais do IV Coloquio Internacional Imaginário, Cultura e Educação, 2011

Este trabalho apresenta alguns dos autores através dos quais se exprime o pensamento teórico e filosófico da intitulada escola do imaginário. Sob aforma de revisão bibliográfica básica, iniciamos com os primeiros representantes a transitarem, partindo de um pressuposto em comum, entre a fenomenologia, a hermenêutica e o estruturalismo: Bachelard, Jung e Durand. Na sequência, incluímos o pensamento de autores relacionados aos primeiros três, tais como Eliade, Cassirer, Corbin, Hillman, Maffesoli, etc. Por fim, destacamos o princípio do tertium datum (terceiro incluído) como sendo um dos possíveis pontos de convergência entre os autores do imaginário – a necessidade de contradições e, ao mesmo tempo, de coincidência dos contrários. Neste sentido, a perspectiva do Imaginário localiza-se, nas palavras de Hillman (1995, p. 25), “entre outros e de onde outros podem ser vistos”, podendo também ser entendida por Jung como esse in anima ou por Corbin como mundus imaginalis. Trata-se, pois, mais de um corpus de ideias do que de um panorama histórico-conceitual, isto é, um movimento não sistemático de retomada e reviravolta movido pela pretensão de tornar compreensível a reflexão filosófica do imaginário.

Por uma função mítica no Design de Entretenimento
Autor(es): MARCOS BECCARI; ANDRÉ L. BATTAIOLA
Publicado em: Anais do IV Coloquio Internacional Imaginário, Cultura e Educação, 2011

Proveniente de um estudo realizado na disciplina de Design de Entretenimento Digital (Mestrado em Design, UFPR), este trabalho objetiva demonstrar, através de exemplos de histórias em quadrinhos e jogos digitais, como o Design de Entretenimento pode estar relacionado à noção de “mito” adotada por Campbell, Jung e autores relacionados. Com ênfase no tema de mito e narrativa cinematográfica – considerando neste caso outras mídias além do cinema –, nossa reflexão parte das noções de monomito e axis mundi cunhadas por Campbell (1997), especialmente nos quadrinhos Sandman, Hellblazer e Spawn e nos jogos Resident Evil e Mortal Kombat. Em seguida, apresentamos o conceito de Linguagens Míticas de modo introdutório e direcionado ao campo do Design. Por fim, retomamos algumas pesquisas correlatas ao artigo vigente e encerramos com a possibilidade de se encarar o designer de entretenimento como sendo um articulador no campo do simbólico. A proposta é, portando, discutir sobre um tema específico dentro do eixo proposto, encarando o Design de Entretenimento como parte de um sistema politeísta que deva articular, deforma eclética e transdisciplinar, as representações simbólicas em seu meio de atuação e propagação sociocultural.

Introdução aos estudos do Imaginário: uma revisão histórica e epistemológica
Autor(es): MARCOS BECCARI
Publicado em: Anais do IV Coloquio Internacional Imaginário, Cultura e Educação, 2011

Por meio de uma revisão bibliográfica básica, o objetivo deste artigo é apenas demarcar o modo pelo qual a noção de “imaginário” suplantou progressivamente a questão clássica da imaginação em meados do século XX. Inicialmente, pautando-nos em Wunemburger (2007), distinguimos o termo imaginário do termo imagética, explicitando uma dimensão distinta da tradição linguística-semiótica. Em seguida, comparando algumas das concepções sobre “símbolo”, demonstramos a predominância da denominada hermenêutica simbólica ou amplificante entre os autores da Escola do Imaginário. Por fim, reconstruímos um breve panorama histórico, desde a tradição neoplatônica até o dualismo entre iconoclasmo e idolatria descrito por Durand (2010). O presente trabalho, portanto, pretende oferecer uma via de acesso introdutória à leitura e à compreensão dos estudos do Imaginário. Acreditamos que compreender a história e as posturas epistemológicas de uma tradição filosófica é particularmente importante para uma reflexão – esboçada no final do artigo – sobre a atualidade de seus respectivos pressupostos teóricos.

Design e Imaginário: aproximações filosóficas no campo do simbólico
Autor(es): MARCOS BECCARI
Publicado em: Anais do IV Coloquio Internacional Imaginário, Cultura e Educação, 2011

Este trabalho provém de nossa pesquisa iniciada no contexto de Mestrado (PPG-Design UFPR, 2010) e pretende apresentar um recorte específico de um panorama acerca das possíveis aproximações entre Design e Imaginário – não necessariamente enquanto disciplinas ou campos de estudo, mas especialmente enquanto temáticas abertas a diferentes posturas e perspectivas. Como forma de contraposição e contribuição à intitulada Filosofia do Design, consideramos necessário não apenas identificar algumas das poucas “pontes” já construídas, mas também sinalizar a singularidade de nossa abordagem – a saber, do Design enquanto articulação simbólica. De início, revisamos o modo pelo qual Flusser, Baudrillard e Argan relacionam Design ao estudo filosófico da imagem, imaginação e imaginário. Em seguida, relatamos algumas das pesquisas que já exploram o Design a partir do viés do Imaginário. Por fim, demarcamos a influência junguiana-arquetípica em nossa abordagem ao considerarmos o designer enquanto um articulador simbólico, isto é, aquele que promove experiências simbólicas. Portanto, adotando uma postura transdisciplinar que tangencie o eixo temático no qual estamos inseridos, pretendemos esboçar uma possível perspectiva do Design sobre a relação mediada por símbolos entre o homem e seu entorno.

O videogame enquanto mídia de convergência sociocultural
Autor(es): ANDRÉ BATTAIOLA, DEISE ALBERTAZZI, MARCOS BECCARI, TIAGO OLIVEIRA
Publicado em: Anais do 5º CIDI, Florianópolis/SC, 2011.

Este artigo apresenta um recorte proveniente do projeto “Rock Composer”, um game concept desenvolvido na disciplina de Design de Entretenimento (Mestrado em Design UFPR) destinado à criação e ao compartilhamento de músicas de rock’n roll. A ênfase deste trabalho concentra-se nas dimensõeshistórica e sociocultural do videogame enquanto mídia de convergência, conforme descrito por Jenkins (2008), em um determinado contexto histórico e cultural denominado “Geração X” (Strauss; Howe, 1991). Por meio de uma pesquisa bibliográfica básica, destacamos a mudança de comportamento que tangenciaa história dos videogames e da própria indústria cultural. Por fim, apresentamos a proposta do “RockComposer” como uma forma de explorarmos a noção de convergência no design de jogos. O propósitodeste breve estudo, portanto, se resume à apresentação de um modelo de convergência direcionado aodesign de jogos no cenário midiático contemporâneo.

Contribuições da função mítica no design de entretenimento
Autor(es): MARCOS BECCARI
Publicado em: Revista Visualidades (UFG), v. 9, p. 178-197, 2011

Pretendendo uma abordagem transdisciplinar, este trabalho objetiva demonstrar, através de exemplos de histórias em quadrinhos, filmes e jogos digitais, como o Design de Entretenimento pode estar relacionado à noção de “mito” tal como postulada por Carl G. Jung, Campbell e autores relacionados. A proposta é, portando, encarar o Design de Entretenimento como parte de um sistema politeísta que deva articular, de forma eclética e pluridimensional, as representações simbólicas em seu meio de atuação e propagação sociocultural.

A Philosophical Approach about User Experience Methodology
Autor(es): MARCOS BECCARI; TIAGO L. OLIVEIRA
Publicado em: Revista Lecture Notes in Computer Science, v. 6769, p. 13-22, 2011.

The purpose of this paper is to identify some of the possible contributions of the entitled Philosophy of Design to the processes involved in the User Experience methods. After a brief introduction on User Experience principles and methods, we will make a brief overview of the history of research in Design. Moving on we shall review some of the main precepts of Philosophy of Design and, finally, make evident the scientistic and pragmatic predominance of the User Experience methods.

Métodos em User Experience: uma abordagem filosófica
Autor(es): MARCOS BECCARI; TIAGO L. OLIVEIRA
Publicado em: Anais do 11º ErgoDesign & USIHC

O propósito deste artigo é identificar algumas contribuições da Filosofia do Design aos métodos em User  Experience. Após introduzirmos brevemente os princípios e métodos da User Experience, revisamos alguns dos principais preceitos da Filosofia do Design para, por fim, evidenciarmos a predominância cientificista e pragmatista nos métodos de User Experience.

As Dimensões Sintáticas, Semânticas e a Poética da Metáfora Cartográfica
Autor(es): MARCOS BECCARI; KELLI C. A. S. SMYTHE
Publicado em: Anais do 9º P&D Design, 2010

O propósito deste artigo reside em uma análise preliminar acerca dos elementos sintáticos e semânticos contidos nos mapas da publicação impressa “The Atlas of Experience”, dos cartógrafos holandeses Jean Klare e Louise van Swaaij (2001). O objetivo é explorar, por meio do estudo de caso vigente, o uso da linguagem convencional da cartografia como representação de conceitos abstratos e subjetivos, especificamente os sentimentos e as experiências humanas trazendo à tona a poética metafórica.

Introdução a Bakhtin para uma possível Criação Coletiva-Individual em Design
Autor(es): MARCOS BECCARI; KELLI C. A. S. SMYTHE
Publicado em: Anais do 9º P&D Design, 2010

O propósito deste artigo é identificar uma das possíveis contribuições do pensamento de Mikhail Bakhtin ao processo criativo de Design. Por meio de analogias, sempre que possível, com a área de Design, os princípios bakhtinianos de exotopia, arquitetônica, polifonia e autor-autoria (com ênfase nesses dois últimos) são explorados como possíveis recurso teóricos para o acervo do Design enquanto área do conhecimento.

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