Colaboradores pontuais

Colaboradores pontuais

Os colaboradores pontuais são leitores ou convidados que nos mandam algumas interessantes reflexões relacionadas à filosofia do design, aumentando assim o número de vozes que se encontram neste site.

Notas sobre branding e consumo

* Este texto é uma contribuição de Douglas Cavendish – pesquisador no Grupo de Ensino, Pesquisas e Extensão em Tecnologias e Ciência (GEPETEC) da Universidade Federal de Itajubá.

Este texto reflete, brevemente, sobre o papel do branding (enquanto uma área prática do design) dentro das estratégias que norteiam o consumo na sociedade contemporânea.

É uma tentativa ainda inicial de desviar seus contornos para além dos ditames do mercado capitalista, em que se possa buscar outros caminhos possíveis de pensamento e articulação. Leia mais…»

Hoje é dia de quem mesmo?

* Este texto é uma contribuição de Douglas Cavendish – pesquisador no Grupo de Ensino, Pesquisas e Extensão em Tecnologias e Ciência (GEPETEC) da Universidade Federal de Itajubá.

Há 17 anos atrás, no dia 19/10/1998, Fernando Henrique Cardoso (então presidente do Brasil) por decreto presidencial [1], instituía o dia 05 de novembro de cada ano como “dia nacional do design”. Um dia que passaria a ser motivo de celebração para uma casta de profissionais que estava em pleno desenvolvimento e que buscava um local seguro ante um mercado já disputado por profissionais de áreas correlatas, como engenharia, arquitetura, artes plásticas e marketing. Leia mais…»

Nestas águas em que me afogo

* Este texto é uma contribuição de Douglas Cavendish – pesquisador e mestrando no PPG DTecS da Universidade Federal de Itajubá –, relatando um breve testemunho da 1ª Sessão Não Obstante, realizada dia 02/05/2015.

Em 2010, eu era um jovem cheio de expectativas, curiosidades e muitas certezas sobre aquilo que eu queria me tornar: um designer, eu diria sem medo de errar. Leia mais…»

Sobre o Charlie Hebdo

* Este texto é uma contribuição de Marcos Sidnei Pagotto-Euzebio – professor doutor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Departamento de Filosofia da Educação e Ciência da Educação.

O atentado contra o Charlie Hebdo foi simbólico não por ter sido contra um país europeu (outros já aconteceram, na França mesmo); tampouco pelo número de vítimas (bem reduzido, na verdade desprezível em comparação, por exemplo, ao atentado contra o World Trade Center); também não foi uma vingança feita por patriotas oprimidos do Terceiro Mundo contra colonialistas bancos opressores, como certa crítica, à esquerda, parece querer ver (para ser assim,  os terroristas deveriam ter implodido o Eliseu, ou matado o presidente francês). Também não foi um crime causado por diferenças religiosas, ainda que a religião esteja na base das explicações do atentado. Rigorosamente, atentados por diferenças religiosas são, por exemplo, os que ocorrem na África, pelas mãos do Boko Haram, que gosta de matar cristãos, e nos territórios ocupados pelo Estado Islâmico no Oriente próximo, que faz o mesmo e é especialmente devotado a exterminar todos os que não sejam muçulmanos sunitas. O atentado em Paris não foi uma cena de guerra entre duas religiões,  mas entre dois aspectos de duas concepções de mundo, uma delas não sendo, definitivamente, uma fé no sentido da convicção em uma base transcendente para seus juízos de valor.

De um lado, temos  fanáticos islâmicos ofendidos até a raiz dos cabelos.  Do outro, cartunistas para quem ficar assim ofendido é um erro, além de ser ridículo. Para os cartunistas do Charlie, não há nenhuma idéia absolutamente sagrada, nada que não possa ser objeto de sátira, sendo justamente a pretensão de certos discursos de estarem acima da crítica ou do enxovalho o critério preferido para se decidir o que deve ser satirizado. Leia mais…»

Em caso de dúvida, não assine

* Este texto foi escrito a várias mãos e é uma contribuição do blog Aplataforma (onde foi originalmente publicado) – espaço mantido por Felipe KaizerGuilherme Falcão e Tereza Bettinardi, cuja proposta é a de informar e refletir sobre experiências de projeto, tornando-as suscetíveis à crítica.

A importância de um assunto é medida pela mobilização que ele gera. Depois do post publicado na última quarta-feira, tivemos a grata surpresa de ler muitas respostas daqueles que são favoráveis ao Projeto de Lei n. 1391/2011. De fato, a questão da regulamentação é importante e multifacetada. Estamos diante de uma excelente oportunidade para aprofundar os argumentos. Nossa intenção é continuar o debate, sem ceder a sentimentalismos.

Em primeiro lugar, no post supracitado analisamos a petição virtual pela regulamentação. Chegamos à conclusão de que o texto representava no geral o interesse de alguns profissionais que desejam concorrer a licitações públicas com alguma exclusividade. Infelizmente, a página da petição perdeu a chance de tratar dos demais efeitos da lei e falhou em nos convencer. Assim, diante do texto fizemos a pergunta: a quem interessa a diferenciação dos profissionais de design? Leia mais…»

Quem está pedindo para ser regulamentado?

* Este texto foi escrito a várias mãos e é uma contribuição do blog Aplataforma (onde foi originalmente publicado) – espaço mantido por Felipe Kaizer, Guilherme Falcão e Tereza Bettinardi, cuja proposta é a de informar e refletir sobre experiências de projeto, tornando-as suscetíveis à crítica.

Há uma forte campanha para a regulamentação da profissão de designer ocorrendo na internet. Nesse momento, muitos amigos compartilham imagens de apoio nos seus perfis de Facebook e divulgam o link da petição virtual que visa conseguir do Senado a aprovação do Projeto de Lei n. 1391/2011. No entanto, é comum que no ambiente virtual os cliques corram mais rápido que o entendimento.

Desde 1980, seis projetos de regulamentação foram submetidos ao Congresso Nacional, todos arquivados por motivos e circunstâncias pouco esclarecidos. Logo, não admira que ainda hoje o termo “regulamentação da profissão” pareça obscuro. Em teoria, um lugar em que poderíamos encontrar algum esclarecimento sobre a atual mobilização é a página da petição. Mas, em vez de sanar as nossas dúvidas, a leitura do texto acaba por suscitar mais incertezas. Leia mais…»

Estética: “ilha reflexiva” ou viés filosófico? E o design com isso?

* Este texto é uma contribuição de Tiago de Lima Castro – músico e graduando em Filosofia. Professor de violão, viola caipiria, harmonia e análise musical no Conservatório de São Caetano do Sul. Pesquisa temas como música, estética, ética, cinema, técnica e tecnologia. É membro do podcast RandomCast e é colunista do mesmo site.

Introdução

Todos são expostos a objetos que não tem uma origem meramente útil. Um carro não é somente um objeto de locomoção e transporte, mas também um objeto que reflete desejos e anseios de quem o almeja, de modo que, parafraseando Slavoj Žižek, talvez até ensine quem o deseja a propriamente desejá-lo. Esta possibilidade do design como aparência do pensamento e do desejo, torna o design um alvo de reflexão interessante tanto a quem trabalha com design como a quem somente o consome.

Uma das chaves para se refletir o design é a estética. Porém, a reflexão estética pode realizar-se como uma “ilha reflexiva”, ou seja, uma reflexão centrada nos próprios domínios da estética; ou como um campo filosófico em debate com ética, política, ontologia, entre outros. Leia mais…»

Narrativa, imagem e memória em La Jetée

La_Jetee_Poster* Este texto é uma contribuição de Amanda Rosetti — graduanda em Comunicação Visual e Design na UFRJ, Coordenadora de Conteúdo da CORDe Rio 2014.

Esta é a historia de um homem, marcado por uma imagem da infância. A intensa cena que o perturba, e cujo significado só compreenderia anos mais tarde aconteceu no terminal principal de Orly, o aeroporto de Paris, pouco antes do inicio da III Guerra Mundial.
– Chris Marker. La Jetée.

Christian François Bouche‑Villeneuve, mais conhecido como Chris Marker, foi um cineasta, fotógrafo, escritor e artista multimídia francês. Dentre seus trabalhos, podemos encontrar uma variada gama de formatos e suportes: livros, instalações, mídias digitais e mais de 50 filmes. Fascinado por imagens, pelo tempo, pelas formas diferenciadas de compor uma narrativa e principalmente pela memória, Marker foi um pioneiro do cinema experimental. Partindo de La Jetée, uma de suas obras mais famosas, abordarei neste post algumas dessas questões que norteavam a obra de Chris Marker. Leia mais…»

Carta ao designer enforcado

* Este texto é de Marco Naccarato — artista gráfico há 20 anos, empresário na Questa, e jogador e escritor de pôquer. Encontrou no design e nos jogos, espaço para suas reflexões. E-mail: nacca@questa.com.br.

Image by Shutterstock.

Certa vez, numa reunião para definir os andamentos de um job, me deparei com a situação contraditória e recorrente de perceber a falta de ligação entre o que se deseja e a realidade do que se está tentando alcançar. Não, não falo sobre a insistente mania que a comunicação tem em nos não comunicar, em ficar na tentativa, mas falo sobre a falta de propósito que parece ganhar cada vez mais espaço em nosso quotidiano. Nesse job, um material de apoio a um programa de incentivo, a energia empregada na discussão só servia para classificar a paleta de cores utilizada no lay out em boa ou ruim, enquanto eu gastava o latim e a saliva para tentar identificar se o programa em si se bastava e não colocava os indivíduos apenas como mercadoria.

Aliás, a mercadorização das pessoas nunca foi tão evidente, e não é à toa que chamamos o nosso departamento de criação, de departamento de produção (embora as denominações nesse caso sejam reflexo direto da era industrial e consequentemente reflitam absolutamente nada, pois a departamentalização em si já possui ressalvas), visto que valor se torna preço, e consequentemente sua equivalência em mercadoria. Afinal, cem quilos de soja, terão sua medida em madeira, ouro, lay outs ou designers. Leia mais…»

Mariko Mori e a Consciência Una

* Este texto é uma contribuição de Renata Chaveiro — designer de profissão e artista de alma. Passou, antes disso, pela formação em Publicidade, onde teve a certeza de que não é o backstage das agências que lhe comove, mas as origens e motivações mais profundas da atividade da Comunicação. Foi só na graduação de Design que encontrou o porquê de querer saber tantos porquês: ama a História das coisas e o mistério intrínseco à sua onipotência.

“A arte é necessária e indispensável enquanto existir o mundo da mente, que durará tanto quanto a raça humana continuar a existir. Arte é um tesouro para toda a humanidade.” – Mariko Mori [1]

Final de ano e mais ciclos terminam, trazendo reflexões e pontos de vistas distanciados que não poderiam nos ocorrer em nenhum outro momento, quanto estávamos imersos demais no frenesi cotidiano para torná-los o foco de nossos pensamentos. Devido a este momento de descanso, nossa mente relaxa e temos tempo para dedicar ao pensamento interiorizado, fazendo emergir reflexões sobre nós e sobre para onde estamos sendo levados por nossas escolhas. Finais - e recomeços – de ciclo, afinal, são alguns dos conceitos-chave dos trabalhos mais recentes de Mariko Mori. (mais…)