Leonardo Amando

Leonardo

Gestor Público, graduado em Administração de Empresas e pós-graduado em Administração Publica pela FGV-RJ, e em Gerenciamento de Projetos pela UNESA-RJ. Interessa-se pelo estudo da ética nas relações de consumo e acredita em um modelo econômico keynesiano, onde capital e trabalho possam estar harmonizados. Heráclito, Demócrito, Platão, Aristóteles, Kant, Durkheim, Nietzsche, Sartre e Bauman fazem parte de uma rotina de leituras, na busca pela melhor maneira de pensar o mundo, em toda a sua complexidade. Nos intervalos, Leminski e Bukowski, haicais, contrabaixo e fotografia.

Os Tempos da Alma e o Tempo do Mundo : A opção pela reconciliação com o real

capa-2Tempo. Noção do encadeamento dos acontecimentos na materialidade do mundo. Intuição que não se permite traduzir em discurso. Presente. O que deixa de ser a cada instante. Passado. O que não é mais. Futuro. O que ainda não é. Vistos em conjunto, passado, presente e futuro não são. Entre o tempo do mundo, cronológico, irrefreável, e a nossa temporalidade própria, decorrência de um atributo psiquico, ora um ou outro nos governa, conforme a possibilidade de haver ou não, discernimento sobre o que pertence ao  mundo ou à idealidade.

Uma coisa é agora clara e transparente: não existem coisas futuras nem passadas; nem se pode dizer com propriedade: há três tempos, o passado, o presente e o futuro; mas talvez se pudesse dizer com propriedade: há três tempos, o presente respeitante às coisas passadas, o presente respeitante às coisas presentes, o presente respeitante às coisas futuras. Existem na minha alma estas três espécies de tempo e não as vejo em outro lugar: memória presente respeitante às coisas passadas, visão presente respeitante às coisas presentes, expectação presente respeitante às coisas futuras. Se me permitem dizê-lo, vejo e afirmo três tempos, são três. Diga-se também: os tempos são três, passado, presente e futuro, tal como abusivamente se costuma dizer; diga-se. Pela minha parte, eu não me importo, nem me oponho, nem critico, contanto que se entenda o que se diz: que não existe agora aquilo que está para vir nem aquilo que passou. Poucas são as coisas que exprimimos com propriedade, muitas as que referimos sem propriedade, mas entende-se o que queremos dizer (Agostinho. As Confissões. Lisboa: Imprensa Nacional / Casa da Moeda, 2001, p. 117 [XX, 26]).

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Da Tecnotopia à Tecnopatia: O futuro hipotecado na obra de Aldous Huxley

Em termos literários, não existe nada melhor do que revisitar obras que, em tempos atrás, foram impostas e transformadas em questionários, devido às necessidades de um calendário letivo e diretrizes pedagógicas, sendo valoradas na base do certo ou errado, conforme a exigência de um gabarito, muitas vezes inflexível e dramaticamente objetivo. Havia um peso de prazos e performance a serem atingidos que, em todas as ocasiões , retirava da leitura, a compreensão integral da mesma, derivada de um lento e desejável processo de degustação e reflexão.  Essa constatação é o motor que nos faz neste momento, iniciar uma retomada muito pessoal, e verdadeiramente ampliadora de visões de mundo e sociedade, um “re-conhecer” repleto de espanto e problematizações, algo necessário e relevante a fazer, sempre que possível. Leia mais…»

O Tripalium na Pós-Modernidade: A vida adiada para além da vida

Em um dia qualquer, Gregor Samsa acorda em estado de barata. Refeito do impacto inicial, busca adequar-se às recentes limitações cinéticas, para prosseguir com a sua rotina. Em paralelo, ocupa-se de pensar sobre sua agenda naquele dia, sabedor de seus compromissos e das possíveis consequências, caso sua presença seja impossibilitada pela condição recém estabelecida. A vida de caixeiro-viajante não permite licença médica. Não lhe ocorre questionar o metamorfismo, apenas a consequência do mesmo e seu enquadramento necessário em uma nova dinâmica. É imprescindível seguir, ainda que, literalmente, fora de si. Ao partirmos de Kafka e sua obra, a pretensão é estabelecer o que foi feito do individuo, ao contingenciar seus desejos a uma vontade que jamais foi sua, naquele enredo. Em seguida, traçar um paralelo com os tempos atuais é caminho natural. Vida vivida fora da vida, à mercê da satisfação das necessidades de terceiros. Leia mais…»

Sobre Tolerância e Semiótica na Cristandade

Tendo como perspectiva inicial a última Parada do Orgulho Gay, ocorrida recentemente em São Paulo, um alerta do tipo Parental Advisory se faz necessário: este texto contém obviedades crônicas. Dito isso, nos resta questionar à exaustão o modelo reativo de conduta, por parte dos mesmos protagonistas de sempre, em face da exposição de símbolos religiosos no referido evento. E esse modelo reativo possui uma padronização tão evidente, que tende a nos remeter à seguinte inferência: o limite do que é dado conhecer, no conjunto de teorias e práticas religiosas, é insuficiente para dar conta de toda a dinâmica evolutiva do Homem, enquanto ser social, que busca por um descolamento do Estado de Natureza preconizado por Rousseau. E nem poderia ser diferente. Afinal, o conjunto de condutas morais estabelecido é praticamente o mesmo, pouco mais de dois mil anos após a centelha primordial, que deu início à era cristã. Leia mais…»

Alô Alô Boticário, aquele abraço

boticario-2Sim, sim, habemus pauta até o dia 12 de Junho, o nosso Valentine’s Day.  Ao que parece, dessa vez é nosso mesmo. Nosso, latu sensu. De fato, se você tem ou não compromisso de orientação hetero, homo, bi, panssexual, não faz diferença. Se você está sozinho, também não importa. A campanha, a nosso ver, é tão bem amarrada, que mesmo aqueles que estão, digamos, “fora do mercado”, já entraram de cabeça em alguma polarização referente ao reclame de O Boticário para o Dia dos Namorados.

Para quem ainda não viu , trata-se de um spot de aproximadamente 30 segundos, no qual o fundo musical é “Toda forma de amor”, de Lulu Santos, solada ao piano, até desaguar em uma torrente de harmonias, que se coadunam positivamente com as opções feitas pelos protagonistas, tanto do ponto de vista mercadológico, quanto no aspecto sentimental. Leia mais…»