Manifesto AntiDesign 2.0 / AntiCast

Formei-me em Design Gráfico na PUC-PR em 2007. Por causa  de professores inspiradores, fui contaminado com o desejo do estudo. Nunca fui aluno dedicado em nada até encontrá-los. Eles me ensinaram que a Universidade tem uma arma que é deixada de lado: a provocação.

Me interessei mais pela área acadêmica do design, da pesquisa, da teoria, e sempre encontrei resistência a essa atitude, tanto por parte de colegas quanto de professores. Muitos não entendem ou não querem entender a importância do estudo teórico, da discussão, da multidisciplinaridade – esse chavão que, apesar de muita gente falar para se achar “legal”, é pouquíssimo posto em prática.

Ao ingressar no mestrado, logo após a graduação, eu senti o impacto de estar rodeado de pesquisadores apaixonados. Me sentia uma criança. Mesmo os melhores professores, aqueles inspiradores que falei há pouco, não conseguiam criar uma atmosfera de discussão tão inflamada quanto aquelas que tinha em São Paulo. Fiquei com pena do Design. Senti na pele o atraso da nossa área em relação a produção científica em outras áreas de conhecimento. Decidi que iria fazer algo, nem que fosse pouco. Leia mais…»

O Designer Idiota – Pt.2 (ou “o babaca”)

Dado o rebuliço que minha última crônica causou, aproveitarei o espaço para desenvolver alguns pontos que foram levantados pelos comentários.

Para os que decidem continuar, brindo com uma citação.

“Eu sou um filho do século, filho da descrença e da dúvida; assim tenho sido acusado até hoje e o serei até o fim dos meus dias. Que tormentos terríveis tem me custado essa sede de crer, que é tão mais forte em minha alma quanto maiores são os argumentos contrários”.

Dostoiévski

Por mais atual que essa frase possa parecer, especialmente levando em conta as posições que declarei na postagem anterior, ela tem mais de 150 anos. Foi escrita por Dostoiévski, em uma carta enviada à sua amiga N. D. Fonvízina, em fevereiro de 1854. Este post é dedicado às suas ideias.

(O que Dostoiévski tem a ver com design? Nada. Se isso te incomoda, se você é preguiçoso ou acredita que literatura/filosofia são coisas inúteis para o designer, pode fechar a janela. Seu lugar não é aqui) Leia mais…»

O designer Idiota

Acompanhando o twitter do Ericson Straub, editor-chefe da revista ABC Design, li uma mensagem que me fez pensar. Acerca da logo das olimpíadas do Rio, era dito que a opinião do designer é geralmente sem fundamento, muito baseada em “gosto” ou “não gosto”. Há tempos esse problema não me incomodava. Mas já incomodou. Muito. E voltou. Decidi aproveitar a cutucada oportuna e coerente para pensar nisso tudo. E escrever.

Já de antemão, confesso: eu adorei a logo. Não sei se a o tweet do Ericson era de elogio ou crítica a ela. Mas este também não é o meu objetivo aqui.

Isto declarado, vou direto ao ponto de incômodo: a questão da falta de fundamento. Os designers realmente são assim, cheios de achismos? Se são, isso é problema? Leia mais…»

O Designer Alquimista: como a psicologia junguiana pode explicar processos de conceituação no design

Publicado na revista abcDesign n. 20. Curitiba: Infolio Editorial/Maxigráfica, Junho de 2007.

A criatividade sempre foi (e provavelmente sempre será) uma função que detém um dos maiores mistérios para o homem. Há diversas explicações sobre como ela pode ser melhorada e sobre como trabalhá-la, mas a sua essência é um completo mistério.

Como explicar a inspiração? Será que é possível inspirar-se a qualquer momento?

Quem é designer e já passou noites sem dormir esperando a “inspiração bater” sabe o quanto tal processo pode ser cansativo, e muitas vezes frustrante. É por essas e outras experiências que temos tanta vontade de querer entender melhor o que é a criatividade, e por consequência, sua melhor amiga, a inspiração.

Contudo, o psicólogo James Hillman, em seu livro “O Mito da Análise”, aponta para os perigos de uma teorização da criatividade. Em um primeiro momento, ele lembra que a partir do momento em que falamos que algo é “isso”, automaticamente ele deve deixar de ser “aquilo”. Assim, ao propor uma definição à criatividade, poderemos estar limitando-a, indo contra aquela que é sua função prima: inovar.

Aqueles que já conhecem, ou pelo menos ouviram falar da Psicologia de Carl G. Jung, devem lembrar do seu estudo sobre Alquimia Medieval, e sobre os processos criativos que envolviam tal área. Jung realizou extensas obras sobre o assunto, que foi ainda mais trabalhado pelos seus discípulos. Leia mais…»