Eduardo Souza

Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra. // Graduado e mestrando em Design na UFPE, onde pesquisa o conceito de estranhamento e livros ilustrados. Tenta criar conteúdo relevante em Além do Espetáculo e Animus Mundus.

Padrões de Intenção e a ordem pictórica: um resumo

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“Nós não explicamos um quadro: explicamos observações sobre um quadro”. Esse é o ponto de partida epistemológico com que Michael Baxandall inicia o seu Padrões de Intenção – A explicação histórica dos quadros. O que se segue são análises feitas através de um diálogo vivo, formando a fundamentação da crítica inferencial—não seria tão distante chama-lo de manifesto, se quisermos. Entre seus objetivos está conciliar a polarização entre crítica e história de arte—o que fica mais evidente, por exemplo, no seu artigo Language of Art History (1979). O nosso, no entanto, pode ser algo que Baxandall sequer previu: entender como o conceito de ordem pictórica é tratado, ainda que indiretamente, em suas análises. (mais…)

Iconologia de Erwin Panofsky

Erwin Panofksy tinha como pano de fundo a tentativa de unir as ciências humanas quando propôs a iconologia, um ramo da história da arte fruto de um esquema de análise de obras renascentistas. Em última instância, ele visava entender obras de arte como janelas para contextos históricos, junto a todas as demais disciplinas humanísticas.

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O fim das ilusões

Texto originalmente postado sem edição no Animus Mundus

Vocês devem ter notado que o mundo está enlouquecido. Não digo isso partindo de uma nostalgia de que já foi melhor, nem de uma conspiração apocalíptica de que está para acabar. Este é o melhor dos mundos possíveis e o fim do universo ocorre a cada novo instante de vida. Mas, veja, o mundo está louco.

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Os vínculos do Estelita

No início, achei que faria uma crítica de design, com certo distanciamento, do que tem sido o Movimento Ocupe Estelita. Rapidamente, chego à conclusão de que não é possível distanciamento quase nenhum. Nem o cronológico. Que seja, então, um depoimento pessoal com qualquer viés que fique entre design, comunicação, tecnologia e filosofia.

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Lettering de Gabriela Araujo e ilustração minha, para divulgação do Som na Rural – evento musical – no dia 05.07

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O Mito de Noé

Texto originalmente publicado no Animus Mundus

Por mais estranho que possa parecer para nós do mundo ocidental, a religião cristã tem, também, sua mitologia: símbolos, heróis e mitos. Apesar disso, desde a morte de Deus, esse repertório simbólico permaneceu quase intocado pelos storytellers enquanto mito. Noé, entretanto, decidiu vasculhar esse baú e ressignificar uma mitologia cujo sentido tem sido desgastado.

Aronofsky se propõe a testar o que pode fazer como épico, sem abandonar o thriller psicológico que executou com primor em Cisne Negro; em muitos sentidos, esse filme são dois em um. Parece não ser por acaso que o filme passe da água para o vinho; a dualidade está presente em todos os seus aspectos. Portanto, Noé é um bom mito e um filme ruim.

Se você ainda não assistiu ao filme, não recomendo a leitura do texto. Spoiler alert.

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Porque esses movimentos são habituais e inconscientes, eu não conseguia lembrar e achava que fosse impossível fazê-lo

ou Design e Estranhamento: Parte I

Imagine essa cena: você está andando na rua, ouvindo sua música preferida pelo seu dispositivo portátil, quando chega ao seu ouvido o refrão sendo tocado cronologicamente invertido. Isso, com certeza, não é algo que você esperava e, mais que automaticamente, você vai achar que o seu dispositivo está quebrado e tira-o do bolso para verificar. Não, normal. A música continua tocando invertida, mas as teclas não funcionam e você analisa cuidadosamente seu dispositivo para achar um diminuto botão de reset.

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Identidades e interfaces

“Experimentar é buscar respostas.”
Paul Rand

A característica que mais admiro quando vejo o trabalho de algum designer, ilustrador e afins é a liberdade de passear por diversas técnicas, materiais, linguagens e mídias, e ainda assim transparecer sua identidade. O que interpreto é que em todas as situações pelas quais ele passa, sua identidade ainda se faz mostrar, como forma de representação de sua atitude frente ao mundo, de sua realidade.
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Design, o verbo

Linguagem é um problema chato; ela define em larga medida o que podemos comunicar. Define porque, ao passo que torna possível a comunicação verbal, limita o que é expressado àquelas peças que temos para jogar – letras, palavras, etc. As línguas que conhecemos (principalmente as que aprendemos desde cedo) ajudam a moldar o modo como pensamos. Assim, acredito que quando importamos essa palavrinha Design, importamo-la da pior maneira possível: um substantivo.

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O processo enquanto subjetividade

Ao contrário do que muitos dizem por aí, proponho que nós julguemos as pessoas com mais frequência. Julgue cada um que vir pelo jeito que se veste, pelas tatuagens que tem, pelos acessórios, estilo de cabelo, pelas palavras que profere. Mas antes que você me julgue, preciso explicar um pouco melhor o que quero dizer com isso.

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