Arquivo para categoria ‘Design e cultura’ Category

Notas sobre branding e consumo

* Este texto é uma contribuição de Douglas Cavendish – pesquisador no Grupo de Ensino, Pesquisas e Extensão em Tecnologias e Ciência (GEPETEC) da Universidade Federal de Itajubá.

Este texto reflete, brevemente, sobre o papel do branding (enquanto uma área prática do design) dentro das estratégias que norteiam o consumo na sociedade contemporânea.

É uma tentativa ainda inicial de desviar seus contornos para além dos ditames do mercado capitalista, em que se possa buscar outros caminhos possíveis de pensamento e articulação. Leia mais…»

O que o atentado em Paris tem a ver com o desenho, o Design (e Lacan)?

Kamalky Laureano

KAMALKY LAUREANO pintando

A Baltasar convencia-o o desenho, não precisava de explicações, pela razão simples de que não vendo nós a ave por dentro, não sabemos o que a faz voar,  e no entanto ela voa, porquê, por ter a ave forma de ave (…)

JOSÉ SARAMAGO, Memorial do Convento, 1992, p. 68

Leia mais…

Demócrito, a Filosofia Marginal e o Mercado da Transcendência

belgium-coypel-antoine-democritus

E se o Homem não for a dualidade corpo e alma ? E se o binômio mundo sensível e mundo inteligível for apenas a construção socrático-platônica da existência ? Res Cogitans e Res Extensa sendo tão somente a elaboração de um método de interpretação, do encaixe do indivíduo no mundo ? Imagine se tudo é como só poderia ser, sem alternativas deliberativas ou livre arbítrio. Se o imaterial só for possível na construção de uma crença. Seria o pensamento, algo originado em meio a átomos e vazio, em uma perspectiva restrita à matéria ? Questão levantada por Demócrito. Contemporâneo de Platão, relegado a um papel secundário, na história da filosofia. O que justificaria tal desprezo por uma teoria ? Em que medida, a simplificação das justificativas pelas quais o Homem busca explicar a sua estada transitória no mundo, é algo desinteressante, sobretudo do ponto de vista econômico ?  Leia mais…

Depressão: uma categoria moral

rbs1_22

Em seu livro A fadiga do eu, o sociólogo francês Alain Ehrenberg reflete sobre a depressão e a encara como uma das principais categorias atualmente utilizadas para pensarmos sobre nosso sofrimento. Estou pensando em termos de categorias, mas Ehrenberg está mais preocupado com a depressão enquanto tipo de sofrimento – um tipo específico de sofrimento impulsionado pelo ambiente social no qual o sujeito se insere. Para ele, tudo se passa como se o ambiente social impulsionasse diretamente certos modos de sentir que são posteriormente categorizados. Já em uma abordagem mais discursiva, como a que costumo seguir, a ênfase se coloca no modo como certas produções discursivas estruturam o ambiente social e direcionam certos modos de sentir.

A diferença, como se pode perceber, é sutil, e as duas abordagens se harmonizam em muitos pontos, especialmente na recusa à abordagem cientificista e a-histórica que pretende enxergar a depressão como um tipo universal de sofrimento, sempre igual a si mesmo e, assim, totalmente independente de construções discursivas ou organizações sociais. Nessa abordagem, a depressão aparece como uma espécie de entidade-causa do sofrimento: uma doença. Entretanto, é preciso ter clareza sobre o que a categoria “doença” significa nesse caso. Leia mais…»

Estilhaços

 

Aconteceu de novo.13nov2015---corpo-de-vitima-permanece-coberto-diante-da-sala-de-concertos-bataclan-apos-serie-de-ataques-terroristas-em-paris-homens-armados-com-armas-de-fogo-bombas-e-granadas-atacaram-restaurantes-144746983527
É tanto #pray,
que já não sei,
para onde aponto a minha fé.
Spray de pimenta,
na cara do sensato argumento,
repressão e contingência.
Cruzados em nome de qualquer Deus legitimado,
tornam-se homens-bomba virtuais,
jogando na rede a impossibilidade,
do convívio em Estado de Sociedade.
Coadjuvantes, na guerra de todos contra todos, dando palpites corrosivos, no que não foram convocados. Leia mais…

Elogio ao simulacro: a imagem que coincide com o real

* texto originalmente publicado na edição #51 da Revista abcDesignFotografias de Matthew Tischler ilustram este post.

Simulacro é a simulação que simula a si mesma. Enquanto “simulação” significa imitação de algum modelo, “simulacro” representa algo que não possui nenhum equivalente. Tal diferença concerne a duas concepções básicas de “representação”: que as imagens estão ligadas a referentes (a coisas reais do mundo) ou que as imagens são autorreferenciais (pois só representam outras imagens). A imagem de “felicidade” prometida por uma marca de refrigerante, por exemplo, é autorreferencial, portanto um simulacro.

Em seu livro Simulacros e Simulação, Jean Baudrillard assinala sua insatisfação com o simulacro dos “estilos de vida” contemporâneos, com a estetização cotidiana que, para ele, só expressa um desejo desesperado de camuflar certo vazio existencial. Ocorre que esta avaliação depreciativa do simulacro, ainda recorrente na crítica cultural, depende inteiramente da exigência romântica por uma realidade mais pura ou autêntica. Leia mais…»

Refrações #003 – A modernidade líquida de Zygmunt Bauman

coverfdd_003_bauman Escute o podcast…»

O Tripalium na Pós-Modernidade: A vida adiada para além da vida

Em um dia qualquer, Gregor Samsa acorda em estado de barata. Refeito do impacto inicial, busca adequar-se às recentes limitações cinéticas, para prosseguir com a sua rotina. Em paralelo, ocupa-se de pensar sobre sua agenda naquele dia, sabedor de seus compromissos e das possíveis consequências, caso sua presença seja impossibilitada pela condição recém estabelecida. A vida de caixeiro-viajante não permite licença médica. Não lhe ocorre questionar o metamorfismo, apenas a consequência do mesmo e seu enquadramento necessário em uma nova dinâmica. É imprescindível seguir, ainda que, literalmente, fora de si. Ao partirmos de Kafka e sua obra, a pretensão é estabelecer o que foi feito do individuo, ao contingenciar seus desejos a uma vontade que jamais foi sua, naquele enredo. Em seguida, traçar um paralelo com os tempos atuais é caminho natural. Vida vivida fora da vida, à mercê da satisfação das necessidades de terceiros. Leia mais…»

Eterno verão: considerações éticas sobre a nova era do amor em Frozen

frozen-7Em meu post anterior, Elsa vai para as montanhas, analisei o filme Frozen, da Disney, procurando entender de que formas ele ecoa algumas propostas éticas de Nietzsche e de Freud. A jornada de Elsa no filme, afinal, diz respeito principalmente a uma luta interior na qual seus “poderes de gelo” — que podemos interpretar como representando seus impulsos — se opõem a seu ideal do eu (o da boa menina: comportada, controlada e mansa). No que considerei o ápice da jornada, Elsa vai para as montanhas e lá libera seus “poderes” e os utiliza criativamente, construindo um sublime castelo de gelo e transformando-se. Os ecos da superação de si proposta pelo Zaratustra de Nietzsche são, aí, bastante evidentes. Sua jornada não se encerra nesse ponto, porém: a percepção de que a liberação de seus poderes agride os outros — agressão representada pelo eterno inverno ao qual Arendelle ficou submetida após a liberação dos poderes gelados de Elsa — faz a protagonista dilacerar-se novamente em conflito interior. A resolução desse segundo conflito, com base no amor, associa uma nova “liberação” de Elsa ao bem comum. Estabelece-se, assim, o eterno verão. Leia mais…»

Sobre Tolerância e Semiótica na Cristandade

Tendo como perspectiva inicial a última Parada do Orgulho Gay, ocorrida recentemente em São Paulo, um alerta do tipo Parental Advisory se faz necessário: este texto contém obviedades crônicas. Dito isso, nos resta questionar à exaustão o modelo reativo de conduta, por parte dos mesmos protagonistas de sempre, em face da exposição de símbolos religiosos no referido evento. E esse modelo reativo possui uma padronização tão evidente, que tende a nos remeter à seguinte inferência: o limite do que é dado conhecer, no conjunto de teorias e práticas religiosas, é insuficiente para dar conta de toda a dinâmica evolutiva do Homem, enquanto ser social, que busca por um descolamento do Estado de Natureza preconizado por Rousseau. E nem poderia ser diferente. Afinal, o conjunto de condutas morais estabelecido é praticamente o mesmo, pouco mais de dois mil anos após a centelha primordial, que deu início à era cristã. Leia mais…»