Arquivo para categoria ‘Design e linguagem’ Category

Como entender o Hiper-Realismo Contemporâneo

RAN ORTNER, 2013 "Element No. 1" | óleo sobre tela (160X118cm)

RAN ORTNER, 2013 “Element No. 1″ | óleo sobre tela (160X118cm)

Diante de uma tela na qual um artista aplicou pigmentos coloridos com auxílio de um pincel, que tipo de experiência me condiciona a dizer – “Que bela paisagem!”? Ou, em uma situação cada vez mais comum, como podemos confundir a imagem pintada na tela com uma fotografia – e esta suposta fotografia com uma falsa situação real, verdadeiramente imaginada?  Leia mais…

A Arte do desenho em Porto Alegre

GUSTAVO SOUZA "Transfixação", 2014 | ferro e gesso sob tela (130x90cm)

GUSTAVO SOUZA “Transfixação”, 2014 | ferro e gesso sob tela (130x90cm)

A incessante aparição de novos (e bons) desenhistas e pintores no cenário artístico de Porto Alegre faz do Estado um precursor brasileiro do que já se manifesta no mundo há cerca de duas décadas. Enquanto nos demais países o número de artistas figurativos cresce vertiginosamente, no Brasil – onde chafurdamos sob a falsa crença acadêmica de que a figuração realista e a própria “representação” morreram – o aparecimento de bons desenhos e pinturas deve ser festejado. Neste artigo, apresentamos uma série de artistas da capital gaúcha que têm tido a audácia de desenhar em tempos de arte conceitual. Em posts antigos (aqui) já refletimos sobre trabalhos que nos chamaram atenção e agora apresentamos outros que em Porto Alegre interessam à análise – são eles  Gustavo Assarian, Gustavo Freitas, Claudia Hamerski, Andressa P. Lawisch, Marcelo Bordignon, Alexandre Pinto Garcia e Gustavo Souza.

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A ética das imagens: o desenho como interação social

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Publicidade e Infância : A Precoce Ruptura Ético-Moral

1_manifesta____o___foto_walax_louren__o-1471218O modo de vida contemporâneo , pautado em forte viés neoliberal, contém relevantes aspectos do discurso pragmático, originado em Maquiavel. Para o senso comum vigente, se existe alguma razão para se refletir sobre a condição do individuo nos dias atuais, esta passa necessariamente pela melhor maneira de viver, que possa resultar no alcance de um estado de felicidade e plenitude. Nesse sentido, o caminho preferencial busca estabelecer uma relação direta, na qual o acúmulo de um dado número de satisfações produza a efetivação de uma condição ideal de bem estar. Coerente com esse raciocínio, a conduta coletiva passa a ser sintetizada dentro de um modelo lógico fabricado dentro do capitalismo, no qual a noção de desejo despertado levará, impositivamente, à busca pela satisfação do mesmo e, em cumprida esta etapa, à felicidade. Fazer brotar o desejo, majoritariamente através da publicidade, viabilizando a sua consecução através da oferta abundante de crédito, coloca em marcha a equação que a todos envolve na contemporaneidade. Inovação, design e obsolescência programada, em adendo,  turbinam o motor do consumo.

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Mais do que uma forma de ver, desenhar é “tornar visível”

MITCH GRIFFITHS, “Absolution II” | óleo sobre tela (2013)

Uma questão foi levantada em nosso último post: “nem todo bom desenhista é ou deve ser necessariamente realista”. A frase, constante em um comentário, levanta uma bola que espero há tempos. Não entraremos em etimologias e desenvolvimentos do termo “desenho” a fim de tentar, através de uma disputa histórica, chegar à análise verdadeira de sua função. O objetivo deste paragone é desfazer preconceitos, que grassam de ambos os lados: há quem ache o desenho abstrato melhor, há quem ache o oposto; e ainda há quem ache que a arte figurativa só exerce “fascínio” sobre leigos, que cool mesmo é quem entende e admira arte abstrata… Leia mais…

O desenho como Objeto e os Objetos do Desenho

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Desenhar é desver (A visão: objeto difícil do desenho)

GUSTAVOT DIAZ, “Dizmetáfora” | Carvão sobre papel, 2015

E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…

ALBERTO CAEIRO
O Guardador de Rebanhos. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993).

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O que o atentado em Paris tem a ver com o desenho, o Design (e Lacan)?

Kamalky Laureano

KAMALKY LAUREANO pintando

A Baltasar convencia-o o desenho, não precisava de explicações, pela razão simples de que não vendo nós a ave por dentro, não sabemos o que a faz voar,  e no entanto ela voa, porquê, por ter a ave forma de ave (…)

JOSÉ SARAMAGO, Memorial do Convento, 1992, p. 68

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Esboço para uma interpretação lacaniana da arte

IGOR MORSKI

IGOR MORSKI

 

No livro genial de Gustave Flaubert A Educação Sentimental (1869), o protagonista Frédéric, após meses retido no campo, subitamente toma posse de uma herança e pode enfim voltar à Paris, à boemia, aos amigos e à bela mulher que ama, a virtuosa sra. Arnoux. Lá chegando, porém, só encontra decepções: não localiza nenhum de seus antigos amigos e a sra. Arnoux mudou de endereço. Demora alguns dias na busca até que a vê em sua nova casa. Sente então que esmoreceu um pouco seu encanto: “as paixões estiolam quando as tiram do seu meio natal (…) parecia-lhe que ela perdera alguma coisa, que houvera nela como que uma vaga degradação, em suma, que não era a mesma”[1]. A mulher amada continuava bela, continuava ela, era a mesma pessoa; no entanto, estava fora das coordenadas fantasmáticas do desejo de Frédéric. Deslocadas de seu ambiente familiar, as coisas se transformam sob nossos olhos, perdem a completude de seu referencial e involuntariamente as redimensionamos. Leia mais…

O desenho da arte em Porto Alegre: Inicia-se o Hiper-realismo Contemporâneo no Brasil (III)

Carine Krummenauer | 2015 (grafite)

Carine Krummenauer | 2015 (grafite)

 

Untitled-1

Seria impossível aqui um resumo da trajetória da figura e do nu – isso que Kenneth Clark denominou como uma “forma de arte”, mais do que temática artística. Mas a fim de situar minimamente o contexto do “anacrônico” realismo que vem emergindo em todo o mundo, arriscamos uma possível e brevíssima leitura, com grave chance de esquematização: o apogeu clássico greco-romano perdido em meio à diáspora medieval e reconquistado no Renascimento pela síntese do desenho toscano operada por Michelangelo sofrera, desde então, graves revezes, desfigurando-se a partir de 1855 – data do Pavillon du Réalisme (o primeiro não oficial “Salão dos recusados”), quando a iniciativa pioneira e radical de Gustave Coubert instaurou a escola realista na pintura rearticulando a figura humana dentro da arte, e a própria forma de exibição. Leia mais…