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O lugar da experiência na Arte

ROY NACHUM, "Tears of Laughter" | óleo sobre tela, 2010-11

ROY NACHUM, “Tears of Laughter” | óleo sobre tela, 2010-11

É no simbólico que o desejo se engatilha. No mundo da linguagem é que o desejo toma forma e, sem ela, ele não pode existir. Assim a experiência não se processa senão por meio da narrativa, do compartilhamento, do registro no simbólico. Qualquer operação que demande produção de imagem está lidando com o imaginário, e, portanto com o desejo. O que nos conta uma imagem? E como pode ela realizar esse processamento da experiência? A fim de respondermos, é necessário reconstituir o momento em que a experiência passou a integrar o território artístico. Leia mais…

Como entender o Hiper-Realismo Contemporâneo

RAN ORTNER, 2013 "Element No. 1" | óleo sobre tela (160X118cm)

RAN ORTNER, 2013 “Element No. 1″ | óleo sobre tela (160X118cm)

Diante de uma tela na qual um artista aplicou pigmentos coloridos com auxílio de um pincel, que tipo de experiência me condiciona a dizer – “Que bela paisagem!”? Ou, em uma situação cada vez mais comum, como podemos confundir a imagem pintada na tela com uma fotografia – e esta suposta fotografia com uma falsa situação real, verdadeiramente imaginada?  Leia mais…

Religião, Trabalho e a Ética dos Predestinados

predestinação dogma da fé católicaDesde o inicio do pensamento sistematizado, o Homem associou a noção de existência virtuosa ao cumprimento de deveres. Portar-se bem, realizando a vontade de Deus, ou Deuses, trazia consigo a expectativa de uma salvação transcendente e, portanto, consoladora, ao individuo. No plano terreno, servir de maneira mais comprometida e fiel possíveis, a uma liderança carismática, ainda que possivelmente tirânica, ampliaria o conjunto de condutas louváveis , autêntico passaporte para uma vida plena no mundo da eternidade. Servir ao rei, por exemplo, em plena Idade Média, significava servir à divindade, pois o mesmo era considerado o representante do Absoluto no mundo material, e mais, seu braço armado, concretizando a potência divina em termos práticos. Todavia, no transcorrer do seculo XIX, em plena Revolução Industrial, a noção de relevância também na dedicação ao trabalho, ganhou peso na percepção que a sociedade passaria a ter dos seus membros, na definição de uma vida moralmente digna de cada um, perante o grupo social considerado. Leia mais…

O artista, o belo e a arte : modelagem, mutabilidade e mercado

venus-de-willendorfHouve um tempo em que poderiamos considerar a beleza como produto da observação empírica dos elementos da natureza. Toda obra de arte , traduzida como manifestação sensível do Homem, seria necessariamente limitada a buscar reproduzir o que chega empiricamente ao mesmo. O artista seria então mero executor daquilo que já estaria pronto e acabado, mediante uma ordem cósmica estabelecida previamente, em um estado universal de simetria e harmonia das formas. O belo seria a materialização da perfeita adequação da habilidade do artista, ao mundo que o cerca. De outra forma, Platão restringia o alcance do conceito de arte, pois a idéia de verdadeira arte seria inatingível no plano material, posto que a mesma somente poderia ser apreciada no mundo das idéias. Segundo ele, o sentido do belo transcende o que os sentidos percebem, devido ao caráter precário e imperfectivel destes. Somente a razão superior , acessada pela alma, poderia apreciar o que é a beleza atemporal e absoluta, imutável ao longo dos tempos. Para o pensador, quanto maior a interferência do artista no que a natureza apresenta, maior a deformação, maior a distância entre a idéia perfeita do que é observado e a sua vã tentativa de dar sentido ao que deve ser atingido, como verdade, na transcendência. Leia mais…

Os artistas e a Anatomia

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Recentemente o artista italiano Nuncio Paci criou uma série de trabalhos dedicados ao Barroco, no seu estilo bem próprio onde expõe o corpo “vivisseccionado”. A Anatomia é parte essencial do repertório do artista, sendo tematizada em sua obra como um elemento estético.

A tradição, porém, atribuiu um uso instrumental à Anatomia – que por isso tem sido estudada sistematicamente desde o Renascimento, figurando já na antiguidade clássica como um saber necessário ao métier artístico, um padrão de maestria e a bitola da boa arte. Essa distinção durou até a segunda década do século XX – com pausa de um século para o começo e fim das vanguardas modernistas – e agora retorna, nas últimas duas décadas, depois de um século de experimentações e implosões do campo artístico. Mas reaparece de modo bem diverso.

Há cerca de dez anos, o médico e anatomista alemão Gunther von Hagens espantou a comunidade científica ao expor para o grande público cadáveres plastinados como se possuíssem valor artístico – legítimas obras de arte, em exposições que itineram por todos os continentes ate hoje. Tratava-se de uma técnica de dissecação e preservação dos corpos, patenteada por ele na década de 70, com a qual banhava-se em ácidos e se enxertava um polímero nas veias e artéreas, tornando os cadáveres perenes, sem odor, e facilmente manipuláveis. Além da inovação técnica, o estardalhaço se devia ao fato de Hagens atuar como artista e tratar seus corpos com ampla liberdade, expondo-os em poses e situações como se estivessem vivos. Leia mais…

A ética das imagens: o desenho como interação social

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O desenho como Objeto e os Objetos do Desenho

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Uma hipótese para a solidão ou Como me oculto e me desconecto nas redes sociais

Annemarie_Busschers_holand_1-520x245Por uma incrível coincidência histórica, nossa liberdade individual aumentou consideravelmente quando houve um acréscimo de recursos; quer dizer, quando a sociedade de consumo surgiu. Torna-se trágico se analisarmos pelo viés contrário: justamente quando há um assomo na disponibilidade de recursos e oferta de produtos, opera-se um aumento visível na liberdade individual de cada ser humano.
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A Melhor Retrospectiva do Ano

A melhor retrospectiva do ano é aquela capaz de fazer a síntese do que foi vivido, descamando da experiência o supérfluo não verdadeiramente sentido. Desse descamar, nada do que é material resta. No entanto, é apenas o começo. Para realizar a melhor retrospectiva, proceda como os físicos: aplique a tecnologia reversa. Desmonte a vida, peça por peça, como uma máquina, a fim de decifrar o código de seu mecanismo e compreender o seu funcionamento… para então reconstruí-la. A melhor retrospectiva, sem dúvida não é uma soma – mas uma espécie de “síntese subtrativa”, uma “adição reversiva”.

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Não “Design”

dome-of-pantheon-rome-italy+1152_12912427555-tpfil02aw-10566De como perdemos a perspectiva

Algumas quase duzentas páginas onde se situa a bem sucedida intenção de provar que o termo Design é um modismo desnecessário, muito aquém de representar com propriedade o que a antiga denominação Desenho Industrial significava. Esta monografia de um amigo e colega de faculdade na época causou um rebuliço no curso de Design[1]. A denominação “Design”, muito mais cool, foi adotado pela primeira vez no Brasil pela ULBRA (RS) em finais da década de 1990. Mas, à parte a diferença de forma, temos outro algo, que funciona como sintoma: aquilo que não se alterou no coração da palavra, o conteúdo essencial que restara: o “desenho”. Originária do italiano disegno (do latim segno, senha ou signo), “desenho” se aproxima mais da palavra “desígnio” e de suas mil implicações, como projeção, planta, propósito, objetivo[2].

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