O estranhamento nos livros ilustrados de Shaun Tan

Este texto está entre um resumo expandido e um convite para a defesa da dissertação, que vai ocorrer na quinta-feira, 4 de agosto de 2016, às 10h, no Centro de Artes e Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco.

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O artista, o belo e a arte : modelagem, mutabilidade e mercado

venus-de-willendorfHouve um tempo em que poderiamos considerar a beleza como produto da observação empírica dos elementos da natureza. Toda obra de arte , traduzida como manifestação sensível do Homem, seria necessariamente limitada a buscar reproduzir o que chega empiricamente ao mesmo. O artista seria então mero executor daquilo que já estaria pronto e acabado, mediante uma ordem cósmica estabelecida previamente, em um estado universal de simetria e harmonia das formas. O belo seria a materialização da perfeita adequação da habilidade do artista, ao mundo que o cerca. De outra forma, Platão restringia o alcance do conceito de arte, pois a idéia de verdadeira arte seria inatingível no plano material, posto que a mesma somente poderia ser apreciada no mundo das idéias. Segundo ele, o sentido do belo transcende o que os sentidos percebem, devido ao caráter precário e imperfectivel destes. Somente a razão superior , acessada pela alma, poderia apreciar o que é a beleza atemporal e absoluta, imutável ao longo dos tempos. Para o pensador, quanto maior a interferência do artista no que a natureza apresenta, maior a deformação, maior a distância entre a idéia perfeita do que é observado e a sua vã tentativa de dar sentido ao que deve ser atingido, como verdade, na transcendência. Leia mais…

Os artistas e a Anatomia

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Recentemente o artista italiano Nuncio Paci criou uma série de trabalhos dedicados ao Barroco, no seu estilo bem próprio onde expõe o corpo “vivisseccionado”. A Anatomia é parte essencial do repertório do artista, sendo tematizada em sua obra como um elemento estético.

A tradição, porém, atribuiu um uso instrumental à Anatomia – que por isso tem sido estudada sistematicamente desde o Renascimento, figurando já na antiguidade clássica como um saber necessário ao métier artístico, um padrão de maestria e a bitola da boa arte. Essa distinção durou até a segunda década do século XX – com pausa de um século para o começo e fim das vanguardas modernistas – e agora retorna, nas últimas duas décadas, depois de um século de experimentações e implosões do campo artístico. Mas reaparece de modo bem diverso.

Há cerca de dez anos, o médico e anatomista alemão Gunther von Hagens espantou a comunidade científica ao expor para o grande público cadáveres plastinados como se possuíssem valor artístico – legítimas obras de arte, em exposições que itineram por todos os continentes ate hoje. Tratava-se de uma técnica de dissecação e preservação dos corpos, patenteada por ele na década de 70, com a qual banhava-se em ácidos e se enxertava um polímero nas veias e artéreas, tornando os cadáveres perenes, sem odor, e facilmente manipuláveis. Além da inovação técnica, o estardalhaço se devia ao fato de Hagens atuar como artista e tratar seus corpos com ampla liberdade, expondo-os em poses e situações como se estivessem vivos. Leia mais…

A ética das imagens: o desenho como interação social

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Publicidade e Infância : A Precoce Ruptura Ético-Moral

1_manifesta____o___foto_walax_louren__o-1471218O modo de vida contemporâneo , pautado em forte viés neoliberal, contém relevantes aspectos do discurso pragmático, originado em Maquiavel. Para o senso comum vigente, se existe alguma razão para se refletir sobre a condição do individuo nos dias atuais, esta passa necessariamente pela melhor maneira de viver, que possa resultar no alcance de um estado de felicidade e plenitude. Nesse sentido, o caminho preferencial busca estabelecer uma relação direta, na qual o acúmulo de um dado número de satisfações produza a efetivação de uma condição ideal de bem estar. Coerente com esse raciocínio, a conduta coletiva passa a ser sintetizada dentro de um modelo lógico fabricado dentro do capitalismo, no qual a noção de desejo despertado levará, impositivamente, à busca pela satisfação do mesmo e, em cumprida esta etapa, à felicidade. Fazer brotar o desejo, majoritariamente através da publicidade, viabilizando a sua consecução através da oferta abundante de crédito, coloca em marcha a equação que a todos envolve na contemporaneidade. Inovação, design e obsolescência programada, em adendo,  turbinam o motor do consumo.

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Mais do que uma forma de ver, desenhar é “tornar visível”

MITCH GRIFFITHS, “Absolution II” | óleo sobre tela (2013)

Uma questão foi levantada em nosso último post: “nem todo bom desenhista é ou deve ser necessariamente realista”. A frase, constante em um comentário, levanta uma bola que espero há tempos. Não entraremos em etimologias e desenvolvimentos do termo “desenho” a fim de tentar, através de uma disputa histórica, chegar à análise verdadeira de sua função. O objetivo deste paragone é desfazer preconceitos, que grassam de ambos os lados: há quem ache o desenho abstrato melhor, há quem ache o oposto; e ainda há quem ache que a arte figurativa só exerce “fascínio” sobre leigos, que cool mesmo é quem entende e admira arte abstrata… Leia mais…

O Capitalismo Artista e a Estetização do Mundo em Lipovetsky : Uma Introdução


a-indstria-cultural-e-o-consumismo-6-638É sabido que o capitalismo não possui a melhor das reputações, mesmo dentre aqueles que se beneficiam do mesmo. Em plena era da informação, resta consolidada a noção geral de que existe algo errado na rotina dos processos de execução do sistema econômico e de consumo atual. Muito embora a quase totalidade dos atores sociais sequer questione o próprio engajamento no mesmo sistema, há um desconforto latente, transversal a tudo e a todos, enquanto o planeta se esgota em sua capacidade de fornecimento de insumos. Mesmo com a constatação empírica de que a única alternativa ao modelo globalmente implementado de produção e consumo vigente tenha falido, ainda assim é óbvio o sentimento de inadequação, em face do aprofundamento da concentração de renda e exaustão de recursos naturais . Partindo dessas observações, Lipovetsky, em parceria com Jean Serroy, nos traz uma fotografia de como, em uma perspectiva histórica, o capitalismo procura se reinventar, mais uma vez, buscando retocar sua imagem de sistema deletério para a humanidade como um todo. Em “A Estetização do Mundo – Viver na Era do Capitalismo Artista – Companhia das Letras, 2015”, os autores ampliam o entendimento de que a reinvenção capitalista é nova forma para velho conteúdo. O capitalismo se apresenta de cara nova, para permanecer o mesmo, trazendo progressivamente para dentro de si características que até o final do século XIX se mostravam antagônicas ao modelo. “Plus ça change, plus c’est la même chose”.
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O desenho como Objeto e os Objetos do Desenho

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A tragédia não existiria sem a comédia, a comédia não existiria sem o riso, o riso não existiria sem o choro e o choro não existiria sem o holerite

watchmenart-rorschachUm exercício filosófico que gosto muito consiste em brincar de inverter a lógica implícita em manchetes de notícias, sejam elas quais forem, buscando manter o sentido original do que é noticiado. Por exemplo, essa publicação de 2010 intitulada “Autoridades nos EUA revelam aumento no número de vigilantes mascarados no país”: por que a notícia não poderia ser “Autoridades nos EUA revelam diminuição no número de não-vigilantes mascarados no país”? Nesse caso, subentende-se que a vigilância mascarada é um fenômeno normal e que, num universo paralelo “X”, todas as pessoas possuem uma identidade secreta acima da lei e praticante da ideia de sair pela rua promovendo o Código de Hamurábi.

Da mesma forma, notícias que trazem informações como “número de prostitutas aumenta” ou “prostituição sobe em tal lugar” poderiam ser reescritas como “demanda por sexo descompromissado aumenta” ou algo tão estóico quanto isso. Obviamente, as notícias não são escritas assim. Elas são elaboradas de forma a zelar, mesmo que por entrelinhas, por um padrão de normalidade. Tal padrão vê-se, portanto, como abalado ou alterado por essas pequenas perturbações que merecem ser chamadas de “notícias”. Leia mais…

A Divina Burguesia do Proletariado

neoliberalismoPartindo-se da Revolução Industrial , em meados do século XVIII, a utilização de tecnologias vem, progressivamente, acelerando e aprimorando os modos de produção de bens e serviços, mobilidade e comunicações, em todo o planeta. No decorrer desse tempo, iniciado por volta de 1760, a população mundial saltou de um bilhão para aproximadamente sete bilhões de habitantes, interligados mundialmente. Esse cenário provocou uma busca incessante por alimentos, fontes de energia e matérias primas diversas, e posteriormente, por mercados que pudessem absorver a escala industrial de produção, decorrente dessa nova realidade. Corporações locais ampliaram seu escopo de atuação, transnacionalizando-se, modificando substancialmente a cultura e o meio ambiente, através de um poder estrutural jamais conhecido e nunca antes tão concentrado, no decorrer da história do Homem sobre a face da Terra. Dessa forma, a dinâmica de ações correlatas a este poder estrutural, passou a causar, simultaneamente, benefícios, para um grupo cada vez menor de pessoas, e um ônus desproporcional, a um número cada vez maior de individuos. Leia mais…»

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