Estilhaços

 

Aconteceu de novo.13nov2015---corpo-de-vitima-permanece-coberto-diante-da-sala-de-concertos-bataclan-apos-serie-de-ataques-terroristas-em-paris-homens-armados-com-armas-de-fogo-bombas-e-granadas-atacaram-restaurantes-144746983527
É tanto #pray,
que já não sei,
para onde aponto a minha fé.
Spray de pimenta,
na cara do sensato argumento,
repressão e contingência.
Cruzados em nome de qualquer Deus legitimado,
tornam-se homens-bomba virtuais,
jogando na rede a impossibilidade,
do convívio em Estado de Sociedade.
Coadjuvantes, na guerra de todos contra todos, dando palpites corrosivos, no que não foram convocados.
Hashtag Ore. Hashtag Ódio. Hashtag qualquer coisa, que nos insira , nem que seja por um “like”, na agenda pública, nos tornando protagonistas de um incerto destino emprestado.
#Mariana. O sangue se dilui na lama, não dá na vista, não dói na vista, logo passa.
#Paris. O sangue do espírito libertário, que se espalha pela noção de civilidade, também passa,
em meio ao revanchismo belicista cirúrgico, vingados todos os de pouca sorte.
Estamos em toda parte, ratificando o bug definitivo do ser humano : não toleramos os intolerantes , na medida da nossa limitação.
Millor já sabia do paradoxo, alquimista que era.

 

9nov2015---escombros-da-vila-de-bento-rodrigues-destruida-por-uma-enxurrada-de-lama-apos-rompimento-de-barragens-nos-municipio-de-mariana-mg-a-cena-na-regiao-e-digna-da-passagem-de-um-furacao-ha-1447052302887_95

 

Hashtag Fail. Na impossibilidade de conviver com a diferença e seu agente transmissor, um inseto que insiste em zumbir no teclado, tudo o que me coça a consciência. Ameaço-lhe com a dialética erística, pois o que importa é ganhar o debate, e sigo no caminho do bom selvagem.
Cegos de certezas, caminhamos.
Permanecemos em estado binário, daltônicos do cinza que permeia tudo e a todos, em matizes trágicas de vida e morte.
Preto e Branco, fragmentos parcos que não dão conta do problema que jamais se esgota :
a intolerância que nos resume e limita, ao mero antagonismo do outro.
Je suis quelque chose, que me torne cordial e encaixado , na cosmologia vigente, status de militância virtual, até o próximo desastre.
“Dia excelente para excluir amigos por aqui”, disse uma.CastleDiscordia
Tiro de fuzil no livre arbítrio do interlocutor.
Banho de lama tóxica no diálogo.
Sempre acontece : Baga, Paris, Mariana, Nairóbi, Beirute.
Que ótimo ! Assim posso exercitar minha inadequação ao contraditório e , com sorte,
me tornar um PhDéspota na arte de negar o outro.
Paris, um sonho atávico de liberdade, igualdade e fraternidade.
Mariana, um sonho de simplicidade no cheiro do café , que vem do fogão à lenha, no fim de tarde.
Cada qual a seu modo, ícones da infidelidade que o fanatismo abomina.
Como ousam enfrentar aqueles que dominam bolsos e consciências ?
Corpos empilhados, tudo vira estatística.
E história.
Da periferia mundana, nada a dizer.
Resta encerrar, pois o bloco da lama e do sangue pisado,
precisa desfilar.
Saiam da frente,
ou block já.
 
 

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