Não Obstante #14 – Articulações Simbólicas

Olá designófilos!

Em nosso décimo quarto episódio do Não Obstante  contando novamente com Felipe Ayres na edição e com a arte de Marcos Beccari na vitrine –, Daniel B. Portugal e Rogério de Almeida conversam com Marcos Beccari sobre sua tese de doutorado Articulações Simbólicas: uma filosofia do design sob o prisma de uma hermenêutica trágica. 

Orientada por Rogério de Almeida e recém-defendida (11/09/2015) na Faculdade de Educação da USP, a tese propõe uma “filosofia do design” que possa, de um lado, dimensionar a dinâmica dos processos simbólicos mediados pelo design e, de outro, situar a experiência estética articulada por esses processos. Amparando-se nas obras de Nietzsche, Clément Rosset, Paul Ricoeur, Mario Perniola, entre outros autores, Marcos Beccari estabelece três eixos teóricos (Filosofia do Design, Filosofia trágica e Hermenêutica trágica) para apresentar, no último capítulo, aspectos de uma articulação simbólica que é operada pelo design e da qual se vale o olhar contemporâneo para compreender o mundo e atuar nele.

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O Não Obstante é uma produção conjunta do Filosofia do Design e do Anticast.

Uma resposta

  1. Cícero disse:

    É interessante notar como a ilusão é um meio de sustentar um conjunto de ideais. Notem, por exemplo, as ficções criadas por gente que ainda defende esse governo, para tentar justificar o real (os ilícitos e a roubalheira desmedida). Não há como ser diferente: suas vidas foram dedicadas a uma crença que se comprovou falsa e todas as suas vidas perderiam sentido.

    Quando um notório pensador como Lula diz que as pedaladas fiscais foram usadas para pagar o Bolsa-Família, há a construção de um sentido ilusório (a busca de um “Bem Maior”) para justificar a realidade presente (o roubo, a trapaça pura e simples). Esse projeto de “design da sociedade” não está mais tão acreditado por muitos, mas aqueles que o conceberam e o propagandearam precisam ter muita honestidade intelectual para abandoná-lo e aceitar que fracassaram.

    Outra ilusão comum e que acalenta os corações desesperados é a de jogar no colo do outro o ressentimento. Se aquele que discorda de mim, que pensa diferente de mim, não passa de um ressentido, tudo estará explicado. A “intensificação da vida” como fim último da própria maneira de viver pode ter como obstáculo a forma de viver do outro, a máscara do outro. Dessa forma, viveríamos com um inimigo à espreita, alguém que diz ter uma vida mais afirmativa que nós mesmos, nos colocando em uma competição tacanha sobre ‘quem vive melhor’, o que soa absurdo, uma vez que o fim de todos será o mesmo.

    A vida é inegavelmente recheada de sofrimentos pra bons e maus, ressentidos e não ressentidos. Mas viver a vida na sua totalidade, sem negar tais sofrimentos, não significa fingir que o sofrimento não nos abate e não tira nossa potência de agir. E não significa tampouco buscar o sofrimento. Pelo fato de sermos mortais, a totalidade da vida acaba por se tornar o fim da vida. Por amor a essa existência, cria-se um projeto que abrevia a vida.

    Alguém que acaba como Nietzsche, louco e mal-curado da sífilis ou como Jack Kerouac, morto deprimido e com cirrose aos 47 anos, saiu da vida justamente por afirmá-la. O modo de vida desses homens é muito peculiar (até mesmo convidativo). Mas só o admirarão e lhe prestarão homenagens aqueles não loucos e não portadores de sífilis e os que estão longe do estado terminal de cirrose. Digo, quando vemos a vida de outrem, paramos a nossa própria e deixamos obrigatoriamente de viver. Com ser indiferente diante de tantos exemplos notáveis e chamativos? São pessoas que fizeram da vida uma obra de arte não para si, o que é impossível de forma completa, mas sim para os outros.

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