Não Obstante #20 – Mesons, uma ontologia dos meios

Olá designófilos!

Este é o vigésimo episódio do Não Obstante, contando novamente com Felipe Ayres na edição e com a arte de Marcos Beccari na vitrine. Neste programa, Marcos BeccariDaniel B. Portugal conversam com Rodrigo Petrônio sobre mesologia, que foi o tema de sua tese de doutorado. Rodrigo Petrônio é doutor em Literatura Comparada pela UERJ, professor da FAAP, colunista da revista Filosofia e colaborador regular dos jornais Valor Econômico, O Estado de S.Paulo e O Globo.

A mesologia, teoria geral dos meios (mesons), considera a existência de infinitos “meios-mundos”: realidades relacionais capazes de determinar, a partir de si, o que a totalidade do universo venha a ser. Não há um centro entre as mediações e pontos de vista; há somente infinitos meios. Em outros termos, a coexistência precede a existência: é impossível separar sistema e meio porque não existem seres isolados. Com efeito, nas palavras de Nicolai Berdiaev, “os meios são mais importantes que os fins”.

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>> 0h03min58seg Pauta Principal

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O Não Obstante é uma produção conjunta do Filosofia do Design e do Anticast.

4 respostas

  1. Thiago disse:

    Excelente, estou extasiado.

    Por favor mais conversas com o Petronio, ele é sensacional.
    E continuem com o projeto, é ótimo, falta muito isso, uma conversa sincera onde ocorre muito mais troca do que nas cadeiras das ANPOFs da vida.

    Obrigado!

  2. Victor Góis disse:

    Meu podcast favorito, ao lado do anticast, é claro.

    Gostaria apenas de informar que o link pra tese de doutorado do Rodrigo está quebrado. Gostei bastante do programa e me interessei demais pelo assunto. Li o texto do Rodrigo e gostaria de dar uma olhadela em sua tese. Consertem o link, por favor!

    Valeu, jovens Mestres!

  3. Marcela disse:

    Torcendo pra sair o episódio de filosofia brasileira ^^

  4. wilson prata disse:

    Muito bom o programa, achei ele bastante instigante e, dentro dos limites do tema, bem didático. Só fiquei em dúvida a respeito de um ponto, quando afirmam que o “problema” do Viveiros de Castro é pautar seu pensamento pela noção de “pessoa”, uma noção essencialmente cristã. Eu queria saber de onde vem esse entendimento cristão da noção de “pessoa” pois pelo que lembro do Metafísicas Canibais, não sei se condiz com o pensamento do perspectivismo ameríndio. No geral, os povos indígenas se referem a si próprios como “gente”, para os povos ameríndios – pelo menos os amazônicos – não é o mesmo que “pessoa”, ao menos no entendimento parcial que tenho desse termo a partir da cosmologia cristã. “Gente” seria uma condição e não uma substância. Tem um outro antropólogo, Rafael Pansica, que trata da questão da alteridades entre humanos e não humanos nos Wari’ e que demonstra que no pensamento desse povo “poderíamos propor que os humanos são sujeitos não exatamente por serem dotados de alma, mas porque, neles, corpo e alma constituem-se em par – ou seja, haveria sujeito onde corpo e alma se emparelham”, ou seja, não se trata de uma singularidade mas de uma situação. Em várias línguas indígenas os brancos são chamados de outros, inimigos, estrangeiro, quem não é daqui. A construção da alteridades a partir da noção de inimigo que Viveiros de castro mapeia também entra aí contra essa noção de pessoa. Se entendi corretamente, o sujeito indígena se particulariza não por uma paridade e potencialidade de comunhão com o outro como a noção de amigo na cultura ocidental, mas justamente na de inimigo, que é um modo (meio?) de deixar clara a assimetria desses modos de existência, tem a ver justamente com o que vocês falam no final, povos que não querem participar dessa grande humanidade. Fiquei pensando portanto se meu entendimento de pessoa não condiz com o entendimento dos entrevistadores/entrevistados ou se esse ponto me passou batido. Caso seja questão de uma noção mais específica de pessoa, ficaria contente de saber mais sobre sua definição. abs

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