Não Obstante #7 – Entre a filosofia e a literatura


Olá designófilos!

Eis o sétimo episódio do Não Obstante, contando novamente com Felipe Ayres na edição, e aquarela de Marcos Beccari na vitrine. Neste programa, Marcos Beccari recebe Ivan Mizanzuk e Maurício Silva para conversar sobre possíveis relações entre filosofia e literatura. Geralmente a filosofia é associada a uma finalidade conceitual-abstrata, em oposição à literatura, cujo discurso é muitas vezes limitado a um registro poético-metafórico. Aqui essa (falsa) oposição é colocada em cheque, não para discutir e redefinir especificidades, mas justamente para relativizá-las: filosofia e literatura como sendo apenas modos distintos de uma mesma dinâmica de criação e expressão artísticas. De um lado, como insistia Deleuze, a filosofia pode ser encarada como uma operação mais criativa do que reflexiva; de outro, a literatura nunca prescindiu de reflexões filosóficas, ainda que sem se restringir a isso. Assim, a conversa pautou-se no entrelaçamento destes dois discursos historicamente distintos, mas que sempre estiveram de alguma forma ancorados um ao outro.

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>> 0h07min28seg Pauta Principal
>> 1h37min02seg Música de encerramento: “Early to Bed ”, da banda Morphine.

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O Não Obstante é uma produção conjunta do Filosofia do Design e do Anticast.

2 respostas

  1. Vinícius Fruet disse:

    Ótimo programa, ansioso pelos hangouts do Becarri.

  2. Priscila Novais disse:

    Bom dia! Gostei muito do programa. Sou “novata” no Não Obstante. Minha área de pesquisa é a Linguística (que é a outra opção – além da Literatura – para quem é de Letras). Um dos pontos de discussão é quando o Ivan diz que se sente mais “livre” na Literatura do que na Filosofia. O Beccari, de uma certa forma, discorda. Esse ponto do debate me fez pensar se existe diferença entre fazer Filosofia e falar sobre Filosofia, da mesma forma que existe diferença entre fazer literatura e falar sobre Literatura; fazer Cinema e falar sobre Cinema; fazer Botânica e falar sobre Botânica. O Ivan fala que nos textos sobre filosofia a escrita tem que ser toda embasada em autores já conhecidos e isso a torna mais “engessada”. Mas, no meu ponto de vista, os textos acadêmicos sobre Literatura (e também sobre Linguística) também precisam de forte embasamento teórico, apesar do corpus ser relativamente livre (dependendo do Programa de Pós-Graduação). Então, no final, acho que o grau de “engessamento” de um texto depende do gênero discursivo a que ele pertence: textos acadêmicos de qualquer área devem seguir um rigor e, para se quebrar esse rigor, é preciso pedir licença (como o Beccari fez na tese dele). Já os gêneros literários são mais livres, até por se tratarem de produções artísticas.

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