O homem mais velho do mundo é um polonês de 111 anos que mora nos EUA. Indagado sobre o segredo da sua longevidade, respondeu: “carne vermelha, cigarro de palha e sexo selvagem”. Admirados com a resposta, os pesquisadores perguntaram se ainda hoje ele mantinha tais afazeres inclusos em seus lides diários, mesmo com mais de um século de vida nas costas. “Não”, comentou. “A carne ficou muito cara”.

Stonehenge from the airPara explicar como funciona uma corrida de Fórmula 1, é necessário antes tentar explicar o conceito de tempo, já que ele é o principal fator a ser levado em conta na hora de ficar feliz ou triste no resultado de qualquer corrida.

Aqui por esses cantos da galáxia, a principal ferramenta para medir a quantidade de tempo que se passa é o número de voltas que nosso planeta dá em torno dele mesmo, e que ele dá em torno do sol, que é uma espécie de reator nuclear gigante que fica flutuando há 8 minutos na velocidade da luz daqui. Se a gente não pensar nessas duas coisas, ficaria difícil explicar o que é o tempo e teríamos que acabar fazendo como os povos antigos, que não tinham muita certeza de tais fatores e acabavam tendo que empilhar várias pedras grandes para descobrir se já tinha passado a hora do almoço ou não. “Hora” é o nome que se dá ao tempo que leva para assistir um episódio inteiro de um seriado como True Detective, por exemplo.

Pois bem, se fizéssemos a Terra dar várias voltas de trás-pra-frente no sol para simular que voltamos no tempo em vários milhares de milênios, descobriríamos que antigamente, quando ainda nem sequer existia o ser humano, algumas árvores e bichos mortos iam sendo soterrados por terra e areia e se afundando nas entranhas da crosta terrestre e sofrendo reações químicas até virarem apenas um líquido preto chamado petróleo. Os antigos seres humanos gostavam de usar esse líquido para revestir estradas ou interiores de navios. Um navio é uma espécie de sarcófago que bóia na água e transporta diversas pessoas usando o poder do vento ou o poder das próprias pessoas que estão dentro dele. Foi só por volta do século XIX (“século” é outro apelido que o tempo recebe, às vezes) que um escocês teve a ideia de criar uma refinaria para produzir líquidos derivados desse petróleo e ficou rico, pois o petróleo é ótimo também para pegar fogo e mover coisas pesadas.

vasosPor sorte, o cérebro dos dinossauros era muito pequeno e isso os privou de sequer conseguirem imaginar que depois de tanto tempo, seus cadáveres liquefeitos seriam usados para mover coisas pesadas. Por isso eles não se importavam muito em caírem mortos em qualquer lugar do chão. Entretanto o ser humano, por mais ciente que esteja dessa possibilidade futura, continua enterrando cadáveres de sua própria espécie, para que daqui a milhões de décadas (mais um nome para o tempo) eles acabem por ter o mesmo uso. Outra opção é adiantar esse processo de combustão e queimar os cadáveres o mais rápido possível, e esconder as cinzas deles em urnas com um bilhete escrito “por favor não jogar fora” colado nelas, para que as moças que fazem limpezas periódicas (também um sinônimo para “tempo”) não confundam seu conteúdo com lixo.

Os egípcios foram o único povo que não quis virar petróleo depois de morrer, e por isso eles enrolavam os cadáveres em bandagens e os trancavam em tumbas cheias de dinheiro, para que pudessem chegar no paraíso já podendo almoçar em restaurantes chiques que servem lagosta. Os egípcios ricos, claro. Os pobres ainda estão no processo de transformação em petróleo.

Pois bem, esse líquido orgânico é refinado e colocado dentro do carro de Fórmula 1, junto com um piloto que é o responsável por controlar o motor que transforma os dinossauros mortos em energia para andar bastante rápido. Quando algo é “rápido”, significa que esse algo é capaz de encurtar o tempo necessário para se chegar de um lugar a outro. Apenas os pilotos rápidos são considerados bons, os lentos recebem apelidos pejorativos de animais que se locomovem sem muita pressa, como a tartaruga ou a lesma. Dizem que a meleca que a lesma solta quando resteja é capaz de cicatrizar feridas lentamente, mas ela nunca é lembrada por isso. Você não chama uma pessoa de “lesma” porque ela cicatriza ferimentos. Você chama ela assim quando está no trânsito com presa e ela está no carro da frente sendo um estorvo. Mas a culpa não é da lesma por ser lenta: ela apenas sente o tempo passar de um jeito diferente do nosso.

6860279638_dc7635c8ae_bTodo mundo que tentou explicar como o tempo funciona acabou complicando ainda mais. Como muito bem descreve a sensação o menino Christopher em O Estranho Caso do Cachorro Morto:

And this means that time is a mystery, and not even a thing, and no one has ever solved the puzzle of what time is, exactly. And so, if you get lost in time it is like being lost in a desert, except that you can’t see the desert because it is not a thing.

And this is why I like timetables, because they make sure you don’t get lost in time.

Por exemplo, se uma pessoa está em cima de um avião e dá um tiro com um revólver para frente, essa bala é muito mais rápida que as outras, porque já sai do cano da arma com a velocidade inicial do avião. Isso chama-se “força da inércia”. Da mesma forma, se uma pessoa está com uma lanterna em cima do mesmo avião e acende ela para frente, a luz dessa lanterna viaja mais rápida que as outras? Não, pois nada é mais rápido que a velocidade da luz. O que acontece com a velocidade inicial do avião, então? Pois certamente que se a velocidade da lanterna não aumenta, então o espaço entre o ponto de partida dessa luz e o destino dela é que encurta, porque é tudo muito relativo. Ocorre uma distorção em algo que os cientistas chamam de espaçotempo – a junção dos conceitos de tempo e espaço numa coisa só, mas que é percebida de maneiras diferentes pelos nossos sentidos.

spacoSó um ser humano é capaz de compreender o que é o espaçotempo. Uma lesma ou uma árvore jamais conseguirão descobrir, porque eles não se interessam muito por isso e porque eles não possuem as ferramentas necessárias para articular esse tipo de conceito, como a geometria euclidiana. Mas tudo bem, pois o ser humano também tem dificuldade para articular muitos conceitos, como por exemplo: liberdade, infinito, post-mortem, Deus, direção defensiva.

Graças às explosões fornecidas pelas árvores e dinossauros mortos do passado (outro nome para um tempo que já não é mais), o carro de Fórmula 1 avança pela pista fazendo muito barulho, soltando fumaça e ultrapassando outros carros mais lentos. As pessoas gostam muito de assistir carros se ultrapassando, e por isso muita gente escreve nesses carros alguns nomes de produtos famosos, porque quanto mais gente lê esses nomes, mais esses produtos podem ficar mais caros. Isso não é uma força da física como a inércia, é uma outra força chamada “marketing”, que tal e qual não é entendida pelas lesmas ou pelas árvores.

helmA corrida termina quando o carro mais rápido termina todas as voltas que alguém avisa que precisa dar naquela pista. As pessoas olham muito mais para o carro mais rápido, por isso as palavras escritas nele valem muito mais. Esse momento de término é representado pelo cruzamento da linha de chegada, que é um momento “real imaginário”, por si só uma representação máxima do “contrato” feito por todas as pessoas do mundo que concordam que aquele ponto significa o final de uma corrida: é o trilionésimo de segundo mais importante que todos os outros. O outro real é o das explosões internas do motor do carro, os vários choques elétricos na cabeça do piloto que o fizeram manobrar com destreza. O terceiro real é aquele simbólico que oculta e ao mesmo tempo escancara os verdadeiros vencedores da corrida, que são os donos de toda aquela miríade de palavras escritas na superfície dos carros – os patrocinadores. Um patrocinador é uma pessoa que gosta muito de alguma coisa e decide investir nessa alguma coisa uma caralhada de dinheiro (que é mais um apelido para o tempo).

 

Uma resposta

  1. jonh m reis disse:

    eita, título mais longo uai…. :) / ou é um texto sem título?

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