Há algo de inautêntico em cada original: um brevíssimo estudo sobre a ilusão a partir do filme O Melhor Lance, de Giuseppe Tornatore
Autor(es): ALMEIDA, R. de; BECCARI, M.
Publicado em: Visualidades (UFG), v.14, n.1, pp. 316-333, jan-jun 2016

Com base no filme O Melhor Lance (LA MIGLIORE OFFERTA, 2013), de Giuseppe Tornatore, este artigo propõe uma reflexão acerca da ilusão do duplo expressa pela dicotomia original-cópia. Após uma breve introdução de como essa dicotomia tornou-se paradigmática no pensamento ocidental, recorremos à filosofia de Clément Rosset para problematizar o mote central do filme: “há sempre algo de autêntico em cada cópia”. Defendemos, por fim, que a ilusão consiste não apenas em transformar uma coisa em duas, mas também na indisposição do iludido em aprovar uma realidade impossível de ser duplicada.

Hermenêutica trágica em Machado de Assis: a redescrição como dimensão de desaprendizagem
Autor(es): BECCARI, M.
Publicado em: Machado Assis Linha vol.9 no.18 Rio de Janeiro mai./ago. 2016

É objetivo deste estudo refletir sobre algumas implicações da filosofia machadiana para a educação, especificamente no que condiz ao aspecto hermenêutico-trágico da primeira em relação à dimensão de desaprendizagem da segunda. Para tanto, foram elencados três contos de Machado de Assis – “Cantiga de esponsais”, “Um homem célebre” e “Teoria do Medalhão” – a serem analisados sob o prisma de uma “hermenêutica trágica”. Em seguida, discuto sobre tal aspecto da filosofia machadiana no âmbito da educação, em especial no que condiz à dimensão de desaprendizagem.

As bestas dentro de nós: um estudo filosófico-comunicacional sobre a representação de alteridades más no espaço subjetivo [Tese de Doutorado]
Autor(es): DANIEL B. PORTUGAL
Publicado em: UFRJ. Rio de Janeiro, 2015.

Este trabalho estuda alguns constructos psicológico-morais que, ao longo da história da cultura ocidental, ganharam o estatuto de “mal em nós”. Esses constructos, aos quais empresto a alcunha de “bestas dentro de nós”, costumam desempenhar a função de pedra angular de certas morais, na medida em que pretensamente explicam porque nossa existência imperfeita não corresponde à existência plena para a qual supostamente estaríamos destinados. Se nós sofremos, angustiamo-nos etc., isso ocorre, segundo as visões bestializadoras, porque uma instância má em nós corrompe nossa existência.

Um cisne, duas forças: sobre apolíneo e dionisíaco na ética do consumo
Autor(es): DANIEL B. PORTUGAL; JULIA SALGADO; MARCOS BECCARI
Publicado em: Revista Psicologia Clínica. v. 26, n. 1, 2014.

Neste artigo, procuramos analisar uma possível cisão na ética contemporânea servindo-nos do modelo das forças conflituosas do apolíneo e do dionisíaco conforme propostas por Nietzsche. Analisamos e destacamos as orientações éticas relacionadas ao consumo e aos conflitos subjetivos a elas relacionados. Para realizar tal estudo, usamos como ponto de partida uma análise do filme Cisne Negro (2010), de Darren Aronofsky, que traz à tona questões centrais para a análise que nos propomos realizar, complementando-o, ainda, com outras referências literárias e publicitárias.

A função contemporânea da “autoria” enquanto mediação simbólica
Autor(es): MARCOS BECCARI; ROGÉRIO DE ALMEIDA
Publicado em: Interdisciplinar: Revista de Estudos em Língua e Literatura, ano IX, vol. 21, jul.-dez. 2014, p. 145-162.

A questão da autoria é abordada neste artigo como recurso, próprio dos itinerários de formação contemporâneos, de des-representação e desidentificação, recurso este que valoriza a dimensão simbólica das interpretações e propicia a busca de sentido. A autoria é compreendida, portanto, a partir de uma perspectiva ampliada de cultura e educação. Para tanto, a reflexão foi construída por meio da analogia entre design e literatura, compreendendo ambos como processos de mediação e (re)criação de narrativas que se abrem a novas interpretações numa existência socialmente partilhada – e, no contexto atual, cada vez mais espetacularizada. O referencial teórico abrange Paul Ricoeur, Deleuze, Foucault, entre outros.

Seja estúpido: o imperativo trágico da diesel e o ethos contemporâneo
Autor(es): MARCOS BECCARI; DANIEL B. PORTUGAL; JULIA SALGADO
Publicado em: Revista Esferas, v. 1, n. 2, jan.-jun 2013.

Discutimos a campanha Be Stupid, da Diesel, sob o prisma da ética, levantando a hipótese de que seu discurso, aparentemente imbuído da postura trágica nietzschiana, pode, devido à forma como se insere no ethos contemporâneo, dar suporte a uma postura ética diversa daquela aparentemente sustentada. Após contextualizar a marca, construímos uma contraposição entre o pensamento de alguns autores e concluímos que o declínio dos deveres morais tradicionais institui uma nova forma de moralidade que não pode ser considerada trágica.

Da imagem do real para o real da imagem: por um elogio das aparências
Autor(es): MARCOS BECCARI; DANIEL B. PORTUGAL
Publicado em: Anais do III Congresso Internacional em Comunicação e Consumo, ESPM-SP, 10 e 11 out. 2013.

Este artigo se debruça sobre teorias que criticam a – já abalada, mas ainda comum – concepção das aparências como algo traiçoeiro e que deveria ser sempre julgado em função de qualquer coisa para além dele. Recorremos a pensadores como Nietzsche, Bergson, Rosset, Lacan e Žižek, dentre outros, para mostrar que a relação entre o real e as imagens pode ser concebida não apenas como mútua, mas também como integrada à afirmação da vida, mais do que as concepções “essenciais” que tentam buscar um real inexistente para além dessa relação. Para ilustrar nossos argumentos, recorremos a filmes como Um corpo que cai e Sinédoque, Nova Iorque, dentre outros.

Existe design?: indagações filosóficas em três vozes [livro]
Autor(es): IVAN MIZANZUK; DANIEL B. PORTUGAL; MARCOS BECCARI
Publicado em: Teresópolis: Editora 2ab, 2013.

Três vozes, quatro perguntas: doze ensaios que propõem horizontes de respostas. É através deste formato que os autores deste livro nos convidam a refletir filosoficamente sobre o Design. Em meio aos ensaios, a um só tempo densos e saborosos, vemos surgir três perspectivas complementares do Design. São diferentes formas de encarar sua existência, suas diversas utilidades e inutilidades, suas dimensões morais e estéticas, seus percursos históricos e teóricos, suas características e potências específicas. Um livro para designers intelectualmente inquietos e para amantes do pensamento interessados em Design.

A ficção do real: uma reflexão preliminar, a partir da Educação, sobre o Design no processo de inter-subjetivação
Autor(es): MARCOS BECCARI
Publicado em: Revista Tríades, v. 2, n. 1, 2012.

Este artigo propõe uma reflexão sobre o potencial subjetivante do Design no meio social. Partindo de uma perspectiva fenomenológica segundo a qual estruturas simbólicas configuram mediações significadoras entre o homem e o mundo, inicio uma discussão introdutória acerca do modo pelo qual o Design é capaz de manejar uma rede de significações no ambiente social que o circunscreve e, inversamente, sobre a forma que se dá o processo de reinscrição do sujeito no mundo através do Design. Para tanto, recorro a concepções distintas sobre “real” e “ficção”, elegendo esse aparente dualismo como possível aporte reflexivo capaz de oferecer ferramentas conceituais pertinentes a uma abordagem filosófica do design. Sob o pressuposto de que o Design afirma-se como potencial agenciador das relações entre-sujeitos no cenário contemporâneo, meu esforço é o de compreender de que forma esse agenciamento acontece e assim esboçar uma dimensão “educadora” do Design, sobretudo no sentido de articular “modos de olhar” que nos ofereçam a possibilidade de reinterpretar o mundo e de remanejar, concreta e simbolicamente, nossa localização nele.

Filosofia do design instrucional: uma análise meta-teórica sobre método de comparação entre modalidade de mídias
Autor(es): MARCOS BECCARI; ANTÔNIO M. FONTOURA; TIAGO L. OLIVEIRA
Publicado em: Revista Infodesign, v. 8, p. 12/3-19, 2012

O propósito deste artigo é discutir um dos métodos comparativos mais utilizados em pesquisa de Design Instrucional (Mayer, 2005) sob os pressupostos da intitulada Filosofia do Design (Love, 2000). Iniciando com um breve panorama histórico da pesquisa em design, realizamos uma revisão bibliográfica básica acerca da Filosofia do Design e do Design Instrucional e, por fim, levantamos alguns questionamentos pontuais sobre o método vigente. Partimos da hipótese de que os testes de comparação entre modalidades de mídias (estática e dinâmica) no Design Instrucional podem se tornar meros instrumentos de comprovação inferencial, sendo frequentemente replicados em pesquisas diversas. Este trabalho, contudo, não apresenta uma conclusão definitiva, mas apenas procura sinalizar algumas lacunas e possíveis desdobramentos do método em questão.