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Os artistas e a Anatomia

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Recentemente o artista italiano Nuncio Paci criou uma série de trabalhos dedicados ao Barroco, no seu estilo bem próprio onde expõe o corpo “vivisseccionado”. A Anatomia é parte essencial do repertório do artista, sendo tematizada em sua obra como um elemento estético.

A tradição, porém, atribuiu um uso instrumental à Anatomia – que por isso tem sido estudada sistematicamente desde o Renascimento, figurando já na antiguidade clássica como um saber necessário ao métier artístico, um padrão de maestria e a bitola da boa arte. Essa distinção durou até a segunda década do século XX – com pausa de um século para o começo e fim das vanguardas modernistas – e agora retorna, nas últimas duas décadas, depois de um século de experimentações e implosões do campo artístico. Mas reaparece de modo bem diverso.

Há cerca de dez anos, o médico e anatomista alemão Gunther von Hagens espantou a comunidade científica ao expor para o grande público cadáveres plastinados como se possuíssem valor artístico – legítimas obras de arte, em exposições que itineram por todos os continentes ate hoje. Tratava-se de uma técnica de dissecação e preservação dos corpos, patenteada por ele na década de 70, com a qual banhava-se em ácidos e se enxertava um polímero nas veias e artéreas, tornando os cadáveres perenes, sem odor, e facilmente manipuláveis. Além da inovação técnica, o estardalhaço se devia ao fato de Hagens atuar como artista e tratar seus corpos com ampla liberdade, expondo-os em poses e situações como se estivessem vivos. Leia mais…

Da Anatomia Medieval à Anatomia Moderna: um pequeno ensaio a partir de Rembrandt

A retração do estudo anatômico no período medieval corresponde a uma disposição de pensamento tutelada antes pela “letra” que pelo “espírito”. O transcurso histórico do estudo da Anatomia na Europa renascentista nos conduz à superação das tradições clássicas, mas apresenta-se, contudo, como um panorama não apenas de rupturas, mas de contiguidades e repetições. Os avanços nessa área, até então mal estruturada, demandaram desconstruções e reinvenções – da concepção filosófico-religiosa pagã à mediação mística entre o homem e o mundo pressuposta pela escolástica – que até então ofereciam as coordenadas do plano de visão da relação do homem com a morte e, portanto, com o próprio corpo morto. Leia mais…»