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Para uma filosofia do design

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Telefone lagosta, de Salvador Dalí

* Texto originalmente publicado no Sobrecultura+, suplemento de cultura da revista Ciência Hoje online.

Design é, sem dúvida, um dos termos mais populares deste milênio. Tudo hoje em dia pode ser objeto de design: partes do corpo, comidas, cidades e modelos de negócios – além, é claro, de ambientes, roupas, marcas, sites, livros etc. A onipresença do termo suscita reações diversas, dentre as quais podemos destacar as que transitam entre dois polos: o funcionalista e o humanístico.

No primeiro polo estão aqueles que veem o design como alguma coisa acessória que é acrescentada a um núcleo previamente existente. Ou seja, ele é visto apenas como a cobertura de algo realmente importante: por exemplo, a aparência do carro que cobre sua estrutura mecânica ou do computador que reveste o hardware. Algumas pessoas consideram que certos objetos são formados quase exclusivamente de cobertura e não se cansam de denegri-los e a seus produtores. Dizem: “os publicitários e os designers nos fazem comprar coisas que não precisamos, atraindo-nos com superficialidades”. Ou: “Por que gastar o dobro em um celular só porque é bonito ou da marca X?” Leia mais…»

Como matar um deus já morto

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

O mito do assassinato do pai é justamente o mito de um tempo para o qual Deus está morto. Mas se Deus está morto para nós, é porque o está desde sempre. – Jacques Lacan

São muitos os que denunciam o design como uma espécie de sofística destinada a confundir as pessoas sobre aquilo que lhes satisfaz naquilo que lhes aprisiona, como se fosse fácil demarcar com precisão aquilo com que, ironicamente ou não, os próprios designers se preocupam: as “reais necessidades” contra o que seria superficial e irrelevante. Ocorre que a posição simbólica que o design ocupa na cultura contemporânea é a de um nome em torno do qual orbita uma miríade de vetores discursivos (tecnologia, arte, mercado etc.) a serviço de uma moral do entretenimento que, no entanto, efetiva-se porquanto for menosprezada em sua efemeridade enunciada. Leia mais…»

Se esta rua fosse minha não haveria tempo para ser breve

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

“I do not mind lying, but I hate inaccuracy.” – Samuel Butler

Desde quando voltei a andar pelas ruas de São Paulo, parece que todo o intervalo que se formou a partir de quando eu deixei de morar aqui já deixou de ser propriamente um intervalo. Por mais que eu tenha esquecido muita coisa, e por mais que muita coisa tenha mudado, é como se eu nunca tivesse saído daqui. Confundo as datas e os lugares de uma ou outra lembrança cuja singularidade, no entanto, lembro-me perfeitamente. Minha memória não cessa de equivocar-se, tento imaginar o que aconteceu naquela praça ou padaria, como se as ruas fossem incapazes de evocar exatamente aquilo que eu vejo nelas. Mas o que afinal eu vejo? Leia mais…»