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Arte e Design: articulações de um mesmo gesto

* texto originalmente publicado na edição #52 da Revista abcDesignImagens de Jacob van Loon.

Como se sabe, a mera menção à arte costuma suscitar polêmica no campo do design. Embora a relação entre artistas e designers tenha sido sempre estreita ao longo da história, certa distinção foi requerida desde a Bauhaus, cujo manifesto inicial convocava os artistas a construírem finalmente uma “arte aplicada à indústria”, uma arte a serviço da sociedade. Entre os designers gráficos, por sua vez, o que ainda se admite é, nos termos do designer nova-iorquino Paul Rand, o design como sendo “arte comercial”.

Em ambos os casos, pressupõe-se claramente que a arte seja algo não-comercial, algo não-industrial e cujo compromisso é alheio aos problemas cotidianos. O design, em contrapartida, estaria a serviço do “mundo concreto”, das necessidades comerciais e das convenções sociais. Leia mais…»

Um breve imaginário do design

“Imaginário” implica, no presente ensaio, uma empreitada genealógica: identificar recorrências discursivas que nos permitam elaborar hipóteses filosóficas, neste caso, sobre a noção de design. Mais importante do que a História – enquanto pressuposta “verdade dos fatos” –, portanto, é a maneira como a contamos, portanto o design das histórias. Ou ainda, nos termos do historiador Philip B. Meggs:

O caráter efêmero e imediato do design gráfico, combinado com sua ligação com a vida social, política e econômica de uma determinada cultura, permite que ele expresse mais intimamente o Zeitgeist [paradigma] de uma época do que muitas outras formas de expressão humana. Ivan Chermayeff, renomado designer, disse: o design da história é a história do design. – Philip B. Meggs, História do design gráfico (Cosac Naify, 2009, p. 10). Leia mais…»

Entre arte e design, um ritual do mesmo para o mesmo

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

É inútil escapar ao “jogo de Mamúrio”: o essencial é continuar, apesar das pauladas. O ensinamento do ferreiro Mamúrio é oposto ao dos outros “senhores do fogo” da área indo-europeia: não o Wut, o furor religioso, a cólera que aterroriza os inimigos, mas a calma, a indifereça, o mimetismo; em uma palavra, a caerimonia. – Mario Perniola, Pensando o ritual: sexualidade, morte, mundo (São Paulo: Studio Nobel, 2000, p. 261-262).

Parte da investigação estética iniciada analogamente aos meus estudos em aquarela tem enveredado para o período helenístico, onde se cultivava uma relação intrínseca entre erotismo e arte. Em especial, o véu que esconde/revela o corpo sintetiza a cena romana: a evocação e a manifestação de uma presença que não pode ser afirmada e significada diretamente. Tal dinâmica da máscara, pela qual uma coisa é ao mesmo tempo outra, diz respeito a uma espécie de intuição que sempre alimentei em relação à ideia de design. Algo que, sob um viés filosófico (que antes de tudo é o que me anima), poderia ser dito da seguinte forma: tudo se reduz a pó, mas o pó é também um tipo de véu que a tudo envolve. Leia mais…»