Posts taggeados com ‘articulação simbólica’

Para que serve o seu voto ?

CclTwLtW4AArmPS

Vivemos tempos de massificação social, nos quais tudo o que é passível de transformação em mercadoria destina-se a preencher, simbolicamente, um repositório de todas as formas de expressão da humanidade. O voto, entendido como a exteriorização da vontade soberana do indivíduo, possui ai o seu lugar cativo, dado o seu valor para a legitimação de um sistema politico, subjacente ao próprio sistema capitalista. Trata-se aqui do chamado “mercado de votos”, espaço conceitual de duração transitória, onde a legitimação da representatividade democrática é negociada entre as partes. Note-se que o fato do citado “mercado de votos” ser naturalmente transitório, não lhe retira a relevância própria do que representa o exercício do voto : a delegação de poder do cidadão a um semelhante, que atuará em seu nome, dotado de grande autonomia relativa, no intuito de pautar grande parte do rumo a ser seguido pelo conjunto de atores sociais.  Leia mais…

A Sociedade do Cansaço : neoliberalismo, hiperconectividade e outras urgências

AAEAAQAAAAAAAAWwAAAAJDA1OTA1ZGRhLTM5MzgtNGIzZC1hYzQ5LTk4N2RjNzk4ZDM2NASim, passou rápido. No dia seis de agosto de 1991, Tim Berners-Lee, físico e pesquisador britânico do CERN, organização européia para pesquisa nuclear, sediada na Suiça, apresentou a idéia de World Wide Web, em vários grupos de discussão científica. Era a gênese da internet como a conhecemos hoje. Contrariamente à visão radical de negócio, típica do modelo econômico largamente implantado desde meados dos anos 80, do século passado, Berners-Lee abriu mão do direito de patentear, e por conseguinte, comercializar com exclusividade, a sua criação. Dessa forma, seu intuito de capilarizar o produto, através do livre aperfeiçoamento do mesmo, por outros interessados, obteve adesão em larga escala. Hoje, somos aproximadamente 3,2 bilhões de pessoas conectadas, graças ao desprendimento daquele homem, que preferiu legar seu conhecimento ao planeta, sem auferir ganho objetivo algum, além do reconhecimento acadêmico. Nem mesmo o fato da internet ter se tornado um espaço universal de comércio, pareceu fazê-lo mudar de opinião. Contudo, o que viria a seguir é outra história…. Leia mais…

O artista, o belo e a arte : modelagem, mutabilidade e mercado

venus-de-willendorfHouve um tempo em que poderiamos considerar a beleza como produto da observação empírica dos elementos da natureza. Toda obra de arte , traduzida como manifestação sensível do Homem, seria necessariamente limitada a buscar reproduzir o que chega empiricamente ao mesmo. O artista seria então mero executor daquilo que já estaria pronto e acabado, mediante uma ordem cósmica estabelecida previamente, em um estado universal de simetria e harmonia das formas. O belo seria a materialização da perfeita adequação da habilidade do artista, ao mundo que o cerca. De outra forma, Platão restringia o alcance do conceito de arte, pois a idéia de verdadeira arte seria inatingível no plano material, posto que a mesma somente poderia ser apreciada no mundo das idéias. Segundo ele, o sentido do belo transcende o que os sentidos percebem, devido ao caráter precário e imperfectivel destes. Somente a razão superior , acessada pela alma, poderia apreciar o que é a beleza atemporal e absoluta, imutável ao longo dos tempos. Para o pensador, quanto maior a interferência do artista no que a natureza apresenta, maior a deformação, maior a distância entre a idéia perfeita do que é observado e a sua vã tentativa de dar sentido ao que deve ser atingido, como verdade, na transcendência. Leia mais…

Publicidade e Infância : A Precoce Ruptura Ético-Moral

1_manifesta____o___foto_walax_louren__o-1471218O modo de vida contemporâneo , pautado em forte viés neoliberal, contém relevantes aspectos do discurso pragmático, originado em Maquiavel. Para o senso comum vigente, se existe alguma razão para se refletir sobre a condição do individuo nos dias atuais, esta passa necessariamente pela melhor maneira de viver, que possa resultar no alcance de um estado de felicidade e plenitude. Nesse sentido, o caminho preferencial busca estabelecer uma relação direta, na qual o acúmulo de um dado número de satisfações produza a efetivação de uma condição ideal de bem estar. Coerente com esse raciocínio, a conduta coletiva passa a ser sintetizada dentro de um modelo lógico fabricado dentro do capitalismo, no qual a noção de desejo despertado levará, impositivamente, à busca pela satisfação do mesmo e, em cumprida esta etapa, à felicidade. Fazer brotar o desejo, majoritariamente através da publicidade, viabilizando a sua consecução através da oferta abundante de crédito, coloca em marcha a equação que a todos envolve na contemporaneidade. Inovação, design e obsolescência programada, em adendo,  turbinam o motor do consumo.

Leia mais…

Estilhaços

 

Aconteceu de novo.13nov2015---corpo-de-vitima-permanece-coberto-diante-da-sala-de-concertos-bataclan-apos-serie-de-ataques-terroristas-em-paris-homens-armados-com-armas-de-fogo-bombas-e-granadas-atacaram-restaurantes-144746983527
É tanto #pray,
que já não sei,
para onde aponto a minha fé.
Spray de pimenta,
na cara do sensato argumento,
repressão e contingência.
Cruzados em nome de qualquer Deus legitimado,
tornam-se homens-bomba virtuais,
jogando na rede a impossibilidade,
do convívio em Estado de Sociedade.
Coadjuvantes, na guerra de todos contra todos, dando palpites corrosivos, no que não foram convocados. Leia mais…

Form follows fiction: esboço de uma proposição sem propósitos

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

A espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias. Cada coisa é o que é, [...] porque cada coisa que há é uma maneira de dizer isto. – Alberto Caeiro [Fernando Pessoa].

1. Pressupostos fictícios

O fato de que “palavra” é uma palavra, mas “frase” não é uma frase, somente faz sentido na escrita, pois tal sentença dita em voz alta é incoerente. De modo análogo, o conhecimento é uma das formas de operar da consciência humana que serve mais a tal consciência do que àquilo que se propõe a conhecer. Todo e qualquer conhecimento somente é válido em relação a si mesmo e só responde a questões formuladas por ele mesmo. Será sempre minimamente incoerente substituir ou comparar a coisa em si, no sentido kantiano, com a tradução (científica, filosófica, artística etc.) que fazemos dela, assim como qualificar como verídica ou inverídica uma narrativa em relação à realidade narrada. Em última instância, pois, não somos capazes de acessar realidade alguma, podemos somente expressar o que quer que seja por meio de alguma tradução. »

Cursos Filosofia do Design em São Paulo

Prezados amigos, como desdobramento do grupo de estudos em Filosofia do Design que tenho coordenado na USP (aliás, sou muito grato a todos que estão participando e colaborando com ele), começarei a ministrar alguns cursos em São Paulo a partir de junho. Todos estão convidados, as vagas serão limitadas e as inscrições já estão abertas.

Haverá apostilas digitais para os dois cursos, com direito a certificado (formação complementar de curta-duração). Mais informações pelo e-mail assessoriamulti@gmail.com. Os cursos serão realizados no Instituto Volusiano – Rua São Gall, 110, Lapa, São Paulo-SP.

Abaixo, seguem as informações básicas sobre os dois primeiros cursos ofertados. Leia mais…»

A morte do design – Parte I

Ainda no primeiro período, em História do Design, eu lembro do meu professor pôr a questão do que é design. Em suas divagações e questionamentos, ele chegou a perguntar-nos se Madonna não seria um artefato de design; ela é projetada para se comportar de determinadas maneiras, para cantar e se vestir com intuitos específicos e manobrar pelo mercado de forma planejada. Durante um tempo, aquilo foi uma piada interna, e das boas. Mas agora, passados quatro anos: e aí, Madonna é um artefato de design?

tumblr_lxyn69ijQI1qf3k9uo1_500

Leia mais…

Articulação Simbólica – Defesa Final

You never really lived until you have read something about yourself that someone put on a fiction. [autor fictício]

O que eu tentei fazer em minha pesquisa de mestrado foi investigar algo que todo designer já sabe, mas talvez não saiba que sabe. Para isso, tive que contar uma história incluindo a minha própria história. Projetar, planejar, gerenciar e produzir, por exemplo, são enredos comuns no campo do Design (e acho que em qualquer outro campo), mas não pertencem à minha narrativa.

Minha história é o seguinte: fazer design não é criar, produzir ou reproduzir coisas. É fazer ver o que não se enxerga. É um “modo de olhar” que não precisa de olhos, mas que precisa do olhar dos outros. Acima de tudo, é articular o que se vê através do que se vivencia – não de forma individual, mas coletiva, comunicativa. Leia mais…»

Design social e outros ressentimentos

* texto originalmente publicado na Revista Ciano | ilustrações de Sooz Lillend.

Não raro, muitos me questionam: por que você nunca menciona Gui Bonsiepe, Tomas Maldonado, Bernd Löbach (entre outros) quando você fala de Filosofia do Design?  Pois bem, eu já li alguma coisa até e, pelo que lembro, não achei nada ruim.

A questão é que estes veteranos do Design estão muito preocupados com um tal de “papel social”, tipo Paulo Freire, considerando o design como um elemento constitutivo e instaurador na sociedade, cabendo ao homem (ao designer) transformá-la. Leia mais…»