Posts taggeados com ‘biotecnologia’

Corpos que restam n’alma

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

Eu, que estou no mundo, de quem aprenderia o que é estar no mundo se não de mim mesmo, e como poderia dizer que estou no mundo se não o soubesse? – Merleau-Ponty, O visível e o invisível (Perspectiva, 2007, p. 41).

A partir de duas peças cinematográficas atuais, Transcendence (Wally Pfister, 2014) e Amour (Michael Haneke, 2012), pretendo discutir sobre a emergência do corpo e do aparelho como temas emblemáticos no que se refere a certo desconforto contemporâneo. Desconforto este que não é propriamente atual, mas que permanece “contemporaneamente anacrônico”, como que em cima de um muro ancestral entre, de um lado, uma salvação vinda “de fora” (deus e outras promessas metafísicas ou científicas) e, de outro, um mundo que nunca solicitou salvação alguma. Embora a questão de por que e quem precisa ser “salvo” já possa suscitar tal desconforto, minha impressão é a de que, nos filmes ora elencados, todo desconforto coincide com sua própria aprovação, espelhando assim um real que só pode ser narrado ao confrontar-nos, pela aprovação ou pela recusa, com nossos desconfortos em relação a ele. Leia mais…»

Design, biogenética e a virtualização do real

* texto gerado a partir de mini-palestra ministrada na Edição Zero do R Design Curitiba 2012. Slides disponíveis <aqui>.

Devo esclarecer que sou completamente leigo em biogenética, física quântica e demais assuntos que serão tratados a seguir. Acontece que o tema “ficção x real”, sobre o qual tenho me debruçado ultimamente, parece ser mais fácil de explicar através de exemplos ao invés de conceitos filosóficos – talvez porque eu ainda não tenha domínio suficiente. Então me arrisco a preparar uma “salada sci-fi” no intuito de apenas ilustrar o que eu penso sobre a virtualização do real.

A física quântica parte basicamente da ideia de que, se não há nenhum observador, toda a realidade é vazia em si mesma. Não significa que a realidade não existe (ou que ela é fruto da imaginação de alguém), significa que a realidade é sempre distorcida. Nossa percepção de algo faz parte do algo percebido, de tal modo que, se retirarmos nossa perspectiva de observação, perderemos a coisa observada em si. Leia mais…»