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Design thinking sob perspectiva humanística

pattern-design-5A definição de design – bem sabem todos os que atuam na área ou pesquisam sobre ela – é objeto de constantes disputas. Antigamente, as disputas costumavam girar sempre em torno do objeto do design: o designer pensa mais na forma ou na função? Em objetos e imagens produzidos em série ou únicos? Atua só na concepção ou também na produção?  Etc etc. Faz algum tempo, porém, que tem ganhado destaque uma definição do design baseada mais nas especificidades do processo de pensamento a ele relacionado do que nas especificidades de seu objeto de atuação. Nessa perspectiva, a pedra fundamental do design é o design thinking, ou seja, a forma de pensar que caracteriza e define o design. É a partir da consolidação dessa definição que campos inteiros do design – como o design de serviços – podem ganhar corpo.

Embora eu acredite que uma multiplicidade de definições pode enriquecer o pensamento sobre o design, é verdade que algumas definições são claramente mais interessantes, adequadas e relevantes que outras. A definição baseada no design thinking parece-me uma das mais frutíferas (juntamente com outras que podem ser vistas como complementares a esta, tais como as definições relacionadas aos cinco eixos propostos em nossas Considerações preliminares para uma filosofia do design). Quando se parte da definição baseada no design thinking, os debates teóricos passam a centrar-se no modo de caracterizar essa forma de pensar que define o design.

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A verdade da imagem

O desenho de um animal, de um órgão ou de uma célula em um livro de biologia costuma ser lido como uma esquematização confiável de uma realidade independente. Supõe-se, além disso, que ela está ali para esclarecer, ensinar e não para sensibilizar (diferentemente, por exemplo, de um quadro de Jackson Pollock ou de Max Ernst). Seu valor de verdade raramente é questionado. Será isso razoável?

Talvez refletindo sobre essa questão, o artista plástico Walmor Corrêa produziu há alguns anos uma série de desenhos intitulada Unheimliche (conceito freudiano, normalmente traduzido como “estranho” ou “sinistro”) na qual, seguindo o estilo das ilustrações de atlas de anatomia, ele representa seres folclóricos – Curupira, Capelobo (figura acima) etc. Leia mais…»

O Designer Idiota – Pt.2 (ou “o babaca”)

Dado o rebuliço que minha última crônica causou, aproveitarei o espaço para desenvolver alguns pontos que foram levantados pelos comentários.

Para os que decidem continuar, brindo com uma citação.

“Eu sou um filho do século, filho da descrença e da dúvida; assim tenho sido acusado até hoje e o serei até o fim dos meus dias. Que tormentos terríveis tem me custado essa sede de crer, que é tão mais forte em minha alma quanto maiores são os argumentos contrários”.

Dostoiévski

Por mais atual que essa frase possa parecer, especialmente levando em conta as posições que declarei na postagem anterior, ela tem mais de 150 anos. Foi escrita por Dostoiévski, em uma carta enviada à sua amiga N. D. Fonvízina, em fevereiro de 1854. Este post é dedicado às suas ideias.

(O que Dostoiévski tem a ver com design? Nada. Se isso te incomoda, se você é preguiçoso ou acredita que literatura/filosofia são coisas inúteis para o designer, pode fechar a janela. Seu lugar não é aqui) Leia mais…»