Posts taggeados com ‘cinema’

O antimito de Aquarius

Há muito acontecendo em Aquarius. Seria exaustivo e incompleto listar os fios narrativos que compõem a trama cotidiana de Clara ou relatar o conforto com que Kleber Mendonça se utiliza da imagem cinematográfica para nos afundar nessa ressaca social. O filme, como obra-prima que creio que seja, resiste a todos os tipos de leituras e atitudes do espectador, desde aquele afogado pela fantástica cotidianidade da narrativa, até aquele que procura segurar-se à artificialidade da tela do cinema.

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O Mito de Noé

Texto originalmente publicado no Animus Mundus

Por mais estranho que possa parecer para nós do mundo ocidental, a religião cristã tem, também, sua mitologia: símbolos, heróis e mitos. Apesar disso, desde a morte de Deus, esse repertório simbólico permaneceu quase intocado pelos storytellers enquanto mito. Noé, entretanto, decidiu vasculhar esse baú e ressignificar uma mitologia cujo sentido tem sido desgastado.

Aronofsky se propõe a testar o que pode fazer como épico, sem abandonar o thriller psicológico que executou com primor em Cisne Negro; em muitos sentidos, esse filme são dois em um. Parece não ser por acaso que o filme passe da água para o vinho; a dualidade está presente em todos os seus aspectos. Portanto, Noé é um bom mito e um filme ruim.

Se você ainda não assistiu ao filme, não recomendo a leitura do texto. Spoiler alert.

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Considerações sobre autoria em Design

Há algum tempo, postei as traduções dos ensaios de Michael Rock The designer as author, de 1996 e outra posterior em Fuck Content de 2005, sobre a forma de reavaliar o papel do designer na mediação entre forma e conteúdo. Faço, portanto, algumas considerações acerca do tema, presente em meu finado projeto de conclusão.

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A morte do design – Parte I

Ainda no primeiro período, em História do Design, eu lembro do meu professor pôr a questão do que é design. Em suas divagações e questionamentos, ele chegou a perguntar-nos se Madonna não seria um artefato de design; ela é projetada para se comportar de determinadas maneiras, para cantar e se vestir com intuitos específicos e manobrar pelo mercado de forma planejada. Durante um tempo, aquilo foi uma piada interna, e das boas. Mas agora, passados quatro anos: e aí, Madonna é um artefato de design?

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O Designer enquanto autor

O texto a seguir é uma tradução livre que fiz de um ensaio de Michael Rock para a revista Eye, cuja versão original também pode ser lida online. Acredito que a discussão que esse ensaio traz é bastante frutífera e ele apresenta alguns modelos de autoria que foram usados em outras áreas e como eles poderiam ser utilizados no design. Não vou fazer pontuações em relação ao texto aqui no post, mas nos comentários, para que não fique mais extenso.

Essa tradução foi realizada porque me deu algumas bases para essa discussão no meu projeto de graduação. E, como tal, também foi distribuída em formato de fanzine na UFPE. Se alguém tiver interesse nesse formato – que foi feito para tornar a leitura um pouco mais leve – só entrar em contato, eu passo o arquivo pronto para impressão ou como e-zine mesmo. 

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O que realmente significa chamar o designer gráfico de autor? Leia mais…

O mais profundo é a pele.

Este texto foi originalmente publicado no blog Robô Alcoólatra

Ontem assisti à A Pele que Habito de Almodôvar. Surpreendente. Esse é o adjetivo que mais se encaixa nesse filme, pois apesar de estar algumas das características principais da filmografia almodovariana, ainda tem um passo mais além, entrando no assunto contemporâneo da bioética. O espanhol jogou todo o seu clima burlesco num filme que se aproxima de um thriller dos anos 30 e um de terror científico que encontramos nos dias de hoje (Centopeia Humana). A começar pelo título mesmo, em qual pele nós habitamos hoje em dia? Ficamos emergidos num anacronismo, onde vemos diante de nós um avanço científico e no outro, grande asseguramento de valores tradicionais para dar justificação a certos caminhos que na verdade já são altamente sem-sentido. Porém, perduramos naquele sentimento de permanecermos presos e acomodados a uma lei que enfraquece, já que tenta calcular o incalculável: a natureza humana. Leia mais…

O realismo e os “regimes de visualidade”

Um artigo meu, prolixamente intitulado O realismo entre as tecnologias da imagem e os regimes de visualidade: fotografia, cinema e a “virada imagética” do Século XIX acaba de ser publicado na revista Discursos Fotográficos. Trata-se de um texto já antigo, que apresentei em um congresso em 2009 e depois ficou parado até meados deste ano, quando resolvi revisá-lo e ampliá-lo para publicar em um periódico da área. Embora o considere interessante, reconheço que o texto é um pouco maçante, por isso vou tentar fazer um resumo dinâmico do artigo neste post.

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