Posts taggeados com ‘conhecimento’

Iluminismo e Romantismo como modos de pensamento: considerações éticas e epistemológicas

Iluminismo-m* Ilustram o post obras de Natalie Shau

Iluminismo e romantismo são dois termos que, embora bastante genéricos, desgastados e afeitos a interpretações equivocadas, colaboram ainda – e muito – para o desenvolvimento de algumas reflexões que gostaria de classificar como “éticas”.

Quem leu meu post anterior aqui no site, intitulado Design, moral e industrialização, já se deparou com a enorme quantidade de questões relacionadas aos termos iluminismo e romantismo. Muitos autores os utilizam para indicar movimentos de pensamento bastante restritos no tempo e no espaço (o Iluminismo, de meados ao fim do século XVIII, principalmente na França e na Alemanha; o Romantismo, do final do século XVIII a meados do XIX, principalmente na Alemanha e na Inglaterra). Outros porém – e eu sou um deles – utilizam os termos de maneira mais ampla para indicar certos modos de pensar. Leia mais…»

Fragmentos filosóficos #11 – Spinoza sobre os afetos

Este é o décimo primeiro de nossos Fragmentos filosóficos, uma série composta por trechos selecionados e comentados (sob a curadoria de Marcos Beccari e Daniel B. Portugal), com a proposta de apresentar filósofos em suas próprias palavras. O trecho abaixo foi retirado do livro I da Ética de Spinoza (Belo Horizonte: Autêntica, 2007, III, definição 3, p. 98). Seleção e comentários de Marcos Beccari.

Por afeto compreendo as afecções do corpo, pelas quais sua potência de agir é aumentada ou diminuída, estimulada ou refreada, e, ao mesmo tempo, as ideias dessas afecções. Assim, quando podemos ser a causa adequada de alguma dessas afecções, por afeto compreendo, então, uma ação. Leia mais…»

Existe filosofia do design? Um debate em aberto.

Após ter sido convidado a escrever no Filosofia do Design, Felipe Kaizer propôs um diálogo a Marcos Beccari sobre o que seria, afinal, uma “filosofia do design”. A divergência de opinião entre ambos acentuou-se no decorrer de nove e-mails, abrindo inconciliavelmente um debate que nos convida a problematizar uma “filosofia do design” mediante as ideias de filosofia e de design. Dentre as questões suscitadas, destacam-se: a pertinência atual da tradição filosófica, as condições para um pensamento filosófico, as relações entre o design e o projetar, a busca por uma essência, ordem ou natureza do design e a possibilidade de um conhecimento que não se submeta de antemão à prática. A publicação integral desta discussão, sob o consentimento dos envolvidos, não visa outra coisa senão fomentar novos debates e reflexões, tornando assim visíveis as diferenças e os contrastes entre os pressupostos teóricos que muitas vezes são ocultados no fazer e no pensar design.

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O Mito de Noé

Texto originalmente publicado no Animus Mundus

Por mais estranho que possa parecer para nós do mundo ocidental, a religião cristã tem, também, sua mitologia: símbolos, heróis e mitos. Apesar disso, desde a morte de Deus, esse repertório simbólico permaneceu quase intocado pelos storytellers enquanto mito. Noé, entretanto, decidiu vasculhar esse baú e ressignificar uma mitologia cujo sentido tem sido desgastado.

Aronofsky se propõe a testar o que pode fazer como épico, sem abandonar o thriller psicológico que executou com primor em Cisne Negro; em muitos sentidos, esse filme são dois em um. Parece não ser por acaso que o filme passe da água para o vinho; a dualidade está presente em todos os seus aspectos. Portanto, Noé é um bom mito e um filme ruim.

Se você ainda não assistiu ao filme, não recomendo a leitura do texto. Spoiler alert.

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Por que é preciso não enxergar para aprender a ver?

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.
As imagens que ilustram o post são, respectivamente, de Brett WilliamsRenger-Patzsch e Maria Kreyn.

Gosto de pensar que o peixe é quem menos sabe da água em que está submerso. Não que isso seja verdade, vai saber, ao menos acho divertida a imagem do peixe intelectual que discursa sobre a “água”, essa expressão de uma classe privilegiada diante da multidão de peixes que estão mais preocupados em continuar “voando” por aí. E talvez aquele peixe também não se importe muito com tal abstração filosófica, ou quem sabe ele espera encontrá-la num plano superior-divino, ou ainda tal expressão talvez seja apenas o modo como ele tenta enxergar um palmo diante do nariz.»