Posts taggeados com ‘design gráfico’

Oblomovismo enquanto potência

Uma versão reduzida desse texto pode ser encontrada aqui

É uma coincidência interessante que Oblómov tenha sido traduzido diretamente do russo em 2013 pela Cosac Naify. A excelente nova tradução de Rubens Figueiredo de uma obra de 150 anos demonstra como a literatura é capaz de recontextualizar e ser recontextualizada. Portanto, embora a análise mais superficial do romance encare a inação do protagonista uma caricatura do declínio da nobreza com o fim da servidão na Rússia, defendo que ela pode ser encarada como uma estratégia de potência estética e resistência política, colocando-o ao lado do consagrado Bartleby de Herman Melville.

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«Repensando o modernismo, revisando o funcionalismo» de Katherine McCoy

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Durante o processo de pesquisa para o artigo Alternativas epistemológicas para o design da informação: a forma enquanto conteúdo, publicado recentemente na revista Infodesign, pareceu-me que algumas discussões sobre a mera presença do designer que ainda hoje circulam no Brasil estão bem datadas. Leia mais…

Refrações #004 – Existe Design?

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Revendo a brasilidade do brasileiro

Iniciei no Design Simples uma série de posts para me ajudarem na escrita de meu TCC, mas creio que esse exato ponto vale ser colocado por aqui, principalmente em sua versão extendida, e por lá, posto uma versão resumida, remetendo para cá. E que tema é esse que trago para cá?

Meu TCC é sobre a possibilidade de uma brasilidade no design gráfico, em especial em sistemas de identidade. Assim, o primeiro e necessário momento para fundamentar qualquer proposição disso é que olhemos para o próprio brasileiro antes de olhar para sua produção no design gráfico. Ver se nesse ente abstrato que chamamos de brasileiro é possível encontrar uma padronagem que classifiquei outros 200 milhões de pessoas no mesmo guarda-chuva.

Chega a ser hilário continuar o texto a partir do que coloquei acima… Que 200 milhões de pessoas possam ter as mesmas características. No entanto, creio que devo prosseguir, mesmo que para invalidar qualquer proposição de brasilidade que se faz hoje, ou se fez na história.

Tarsila do Amaral

Renato Ortiz em seu livro Cultura Brasileira & Identidade Nacional traça uma panorâmica bastante interessante sobre justamente as diversas tentativas de teóricos ao longo da história que tentaram fundamentar a existência desse “ser brasileiro”.  Já em sua introdução aponta que “(…) toda identidade é uma construção simbólica (a meu ver necessária), o que elimina portanto as dúvidas sobre a veracidade ou falsidade” (pg.8) desse homem brasileiro universal. Acredito que ressaltar essa necessidade que ele aponta é importante por dois motivos: 1.pela inevitabilidade de sua existência; e 2.pela função integratória que aparentemente aponta. Inevitabilidade porque a vivência coletiva traz um afrouxamento das características unicamente individuais das pessoas, mesmo que esse afrouxamento seja colocado pelo contexto histórico ou mesmo legislativo daquele coletivo. Uma moral que coordena as ações desse grupo criam uma unidade construida nos mesmos que, mesmo nas ações masi básicas, se pode encontrar padrões de atuação neles. E coloco a importância da função integratória pelo simples motivo de que assumir uma identidade grupal faz parte da vivência humana. Mesmo que alguém opte pelo afastamento social é porque reconhece nesse grupo uma unidade que não lhe apetece, e assim se retira de seu convívio. O fato de que Ortiz nos traz logo de cara a necessidade simbólica disso (embora ele não vá em nenhum momento para o lado da semiótica, podemos lembrar que o símbolo em Peirce nasce do hábito e da convenção) nos dá um atalho para quebrar logo de cara qualquer tentativa de ver no homem brasileiro alguma coisa intrínsecamente dele que, mesmo isolado, o tornaria brasileiro. Não existe. Assim, o primeiro ponto que podemos tirar aqui é que o brasileiro se constrói através da sua vivência de brasileiro. Leia mais…

Filosofia do Design, parte XXXI – Projetar e Ilustrar

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Como estou sem assunto ultimamente (e sem tempo também), aproveito a deixa do AntiCast para comentar meu ponto de vista sobre a polêmica questão do Design X Ilustração:

“Design é projeto, não ilustração. Capa de disco não é design, caixa de sabão em pó não é design. Se eu projetar a caixa para fazer com que o pó caia facilmente, isso é design. Mas pegar uma caixa quadrada ou retangular e pinta-la de vermelho e branco não é. Isso até poderia ser design se se tratasse de uma linha de produtos, pois a preocupação com o comportamento da identidade de uma empresa entraria como parte da ilustração das caixas. Quem fizer apenas a ilustração de uma caixa e submetê-la à pesquisa de mercado vai acabar fazendo o que a McCann Erickson fazia tempos atrás, quando eu trabalhava lá. Eles produziam milhares de versões de embalagens dos cigarros Continental para o cliente escolher. Isso pode ser design?” – Alexandre Wollner.

A visão de Wollner se insere naquilo que eu chamo de “sonho industrial” do design moderno, ou seja, aquilo que a escola de Ulm (onde Wollner estudou) cultuava e propagava em seu programa de ensino. Neste sentido, postula-se que um trabalho de design gráfico deve durar no mínimo vinte ou trinta anos, o que acaba excluindo, por exemplo, grande parte da produção em Design Editorial e em Design Publicitário – como revistas, cartazes, anúncios e, em suma, tudo que é feito para durar pouco. Leia mais…»