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Design thinking sob perspectiva humanística 2: objetividade e problemas arredios

pattern-design-PB2Pensar o design thinking com base em uma perspectiva humanística significa, em parte, perceber que os processos de pensamento relacionados ao design e os problemas que eles buscam resolver não podem ser objetificados. Ou, para ser mais preciso: perceber que, quando eles são objetificados, desfiguram-se de tal maneira que o essencial fica de fora. É preciso considerar, então, o que significa “objetificar” um problema ou encarar um modo de pensamento como “objetivo”. Grosso modo, podemos dizer que um problema objetivo é aquele que é encarado juntamente com um sistema de coordenadas implícitas ou explícitas que permitem julgar a validade das soluções de maneira mais ou menos precisa.

Quando lidamos com o problema de escolher o material mais adequado para construir uma coluna de sustentação de um prédio, por exemplo, podemos imaginar formas objetivas fecundas de lidar com o problema: trata-se de considerar experimentalmente quais materiais aguentam mais peso, se deterioram menos com o tempo ou condições adversas, são mais resistentes a certos tipos de abalo etc. Mesmo nesse caso, é importante perceber que “material mais adequado” tem que ser compreendido aqui como “material mais eficaz” e de acordo com uma visão de mundo experimental. Se alguém argumentar que certo tipo de material é mais caro aos deuses e por isso imunizará o prédio contra possíveis acidentes, por exemplo, estará retirando o problema do sistema de coordenadas implícito que o tornava objetivo. Fará o mesmo quem argumentar que certo material não é adequado porque, quando extraído, causa impactos ambientais inaceitáveis. No primeiro caso, nega-se a visão científica, no segundo, a eficácia como único fator determinante. Leia mais…»

Design thinking sob perspectiva humanística

pattern-design-5A definição de design – bem sabem todos os que atuam na área ou pesquisam sobre ela – é objeto de constantes disputas. Antigamente, as disputas costumavam girar sempre em torno do objeto do design: o designer pensa mais na forma ou na função? Em objetos e imagens produzidos em série ou únicos? Atua só na concepção ou também na produção?  Etc etc. Faz algum tempo, porém, que tem ganhado destaque uma definição do design baseada mais nas especificidades do processo de pensamento a ele relacionado do que nas especificidades de seu objeto de atuação. Nessa perspectiva, a pedra fundamental do design é o design thinking, ou seja, a forma de pensar que caracteriza e define o design. É a partir da consolidação dessa definição que campos inteiros do design – como o design de serviços – podem ganhar corpo.

Embora eu acredite que uma multiplicidade de definições pode enriquecer o pensamento sobre o design, é verdade que algumas definições são claramente mais interessantes, adequadas e relevantes que outras. A definição baseada no design thinking parece-me uma das mais frutíferas (juntamente com outras que podem ser vistas como complementares a esta, tais como as definições relacionadas aos cinco eixos propostos em nossas Considerações preliminares para uma filosofia do design). Quando se parte da definição baseada no design thinking, os debates teóricos passam a centrar-se no modo de caracterizar essa forma de pensar que define o design.

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Bergson e o esforço criativo

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Texto originalmente publicado (em versão condensada) na revista Zupi (n. 37).

A filosofia do design, como bem sabem os que acompanham este site, utiliza os referenciais teóricos da filosofia e de suas derivações nas ciências humanas e sociais para refletir sobre questões direta ou indiretamente relacionadas ao design. As questões são virtualmente infinitas. Assim, para evitar a desorientação, propusemos aqui no Filosofia do design cinco eixos principais de questionamento que norteiam nossas reflexões. Um deles busca refletir sobre os conhecimentos próprios ao campo do design, sobre a natureza do processo de criação em design e sobre as formas de ensino que lidam com questões projetuais e criativas. Neste primeiro texto escrito para a seção Filosofia do design da  Zupi — uma parceria do Filosofia do design com a revista Zupi — tratei de um assunto ligado a esse eixo: a natureza do esforço intelectual criativo a partir da filosofia de Henri Bergson, importante pensador francês do início do século XX.

Bergson propõe uma distinção entre memórias ou pensamentos “dinâmicos” e memórias ou pensamentos “imagéticos”. Quando nos lembramos de uma viagem, por exemplo, podemos evocar imagens específicas – sejam elas visuais, como a aparência de um pôr-do-sol espetacular; ou relativas a outros sentidos, como o sabor de um prato exótico ou a voz da aeromoça repetindo pela milésima vez as instruções de segurança.  Mas podemos também evocar uma sensação difusa que representa para nós “a viagem” como um todo, e que de certo modo condensa todas essas imagens em um plano de consciência dinâmico ou não imagético. Leia mais…»

A Morte do Design – parte III

ou O Renascimento do Design

Em meu último post, velamos o design. Gostaria muito que todos tivessem ficado de luto, chocados, até revoltados; isso, obviamente, não aconteceu.

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Filosofia do Design, parte LXXII – Design Thinking

Design Thinking está tão na moda que já não é nenhuma novidade. Na década de 1980, alguns autores como Bruce Archer, Bryan Lawson e Peter Rowe propuseram uma “maneira designer” de pensar e de comunicar como alternativa a métodos científicos e acadêmicos, mas que poderia ser tão poderosa quanto quando aplicada aos seus próprios problemas.

Moral da história: a visão de que o designer é capaz de liderar uma empresa voltada à inovação, tipo IDEO, com uma pitada do discurso de Tim Brown (TED) ou de Steve Jobs (em Stanford).

A pergunta que deve ser feita hoje não é mais “como pensam os designers?”, mas o contrário: como o design tem sido pensado? O que as pessoas em geral, depois de 30 anos de design thinking, pensam sobre design? Será que o designer finalmente conquistou a insígnia do profissional plenamente capacitado a enfrentar jogos de poder, estratégias econômicas ou mesmo seus próprios clientes? Leia mais…»