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Designotopia 2: sobre design e “melhoramento” do mundo

Brocolli-Forest* Este texto é uma versão modificada de parte da minha palestra “designotopia: projetando redenções”, proferida no N design sp 2015. As imagens que ilustram o post são de Carl Warner, e foram retiradas de www.carlwarner.com.

Uma coisa que sempre me intrigou no design foi a sua vocação messiânica. Uma das grandes obsessões dos designers é “melhorar o mundo”, uma espécie de eufemismo para “salvar o mundo”. Lembro que, após terminar a faculdade, eu participei de um curso de empreendendorismo no qual a primeira atividade proposta aos alunos era oferecer uma resposta para a pergunta: qual o seu plano para melhorar o mundo? Esse é apenas um exemplo pessoal, mas é fácil verificar que a expressão “melhorar o mundo”, ou suas variantes, aparecem frequentemente em palestras ou textos “engajados” de designers, seja exaltando o chamado “design social”, o design sustentável ou o design voltado para supostas “reais necessidades” do mundo ou da humanidade…

Quanto a mim, sempre que escuto ou leio essa expressão, lembro-me de um capítulo do Crepúsculo dos ídolos, de Nietzsche, que se intitula “Os melhoradores da humanidade”. Essa lembrança, claro, não é meramente casual. Parece-me, com efeito, que a percepção nietzschiana do que geralmente significa “melhorar” a humanidade ou o mundo é um dos pontos de partida mais interessante para refletirmos sobre o “melhoramento” do mundo que costuma ser vinculado ao design. Leia mais…»

Designotopia: William Morris e os revivalismos celta e viking na Europa do século XIX

Upplands_RuninskriftAs curvas normalmente associadas às antigas artes celta e viking sempre tiveram para mim forte apelo estético. Recentemente, minha estadia no Reino Unido, possibilitada por uma bolsa de doutorado sanduíche do CNPq, me fez pensar mais detidamente sobre a influência de tais curvas em designs dos últimos séculos, e no movimento mais geral de resgate da lingua, mitos e cultura desses povos.

Esses resgates ou revivalismos são eventos importantes na Europa do século XIX e servem a diversos fins: politicamente, aparecem como narrativas congregadoras, e ajudam a consolidar os Estados nacionais em formação; psicologicamente, oferecem formas de espiritualidades alternativas em um momento no qual o cristianismo perde força; artisticamente, oferecem um mais do que fértil acervo-base para novas propostas estéticas. Algumas vezes, todos esses fins podem aparecer interligados em uma espécie de grandiosidade político-estético-espiritual, que tendemos a associar, no caso alemão, ao wagnerianismo. Leia mais…»