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Design do tempo: em busca do presente no presente

* texto originalmente publicado na edição #53 da Revista abcDesignImagens de Eugene Ivánov.

Poderia nosso passado tornar-se diferente da recordação que temos dele? Não no sentido de “viagem no tempo”, pois o que aconteceu, é claro, está encerrado no passado. Mas se muito do que vivemos não é necessariamente lembrado, então muito do que recordamos pode não ter acontecido tal como acreditamos. A experiência do presente, afinal, interfere na compreensão de tudo que já nos aconteceu e que ainda pode nos acontecer.

Donde decorre a questão: o que esperamos do futuro? Ou ainda: é possível projetar um futuro? Ora, a literatura distópica esboça um futuro a ser evitado. Por sua vez, “projetar” implica pensar no futuro a partir do presente, no intuito de precaver, corrigir e melhorar o que agora se considera problemático. Em outros termos, o presente orientado ao futuro é aquele que não é totalmente aceito, como se restasse uma alternativa ao que “deu errado”. Leia mais…»

O deserto de areia de uma ampulheta rachada

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

O homem é um ator com uma única fala, que sobe ao palco, gagueja e se cala para sempre.
– Shakespeare, Macbeth.

Afonso tinha insônia. Só conseguia dormir quando tomava um remédio que o fazia perder a memória. Afonso teve que escolher entre viver sem lembranças ou morrer de insônia crônica. Aos poucos, com remédio ou sem remédio, a duração das coisas não faria mais sentido para ele.

Então decidiu passar o tempo só escrevendo. Por meio de inúmeros diários, Afonso anotava suas experiências cotidianas, ideias e lembretes, principalmente com relação à métrica do tempo que se passa no decorrer do desgaste acelerado de sua memória. Leia mais…»

A forma além da forma

Por que não acredito na forma que segue a função™? Resposta curta: porque não há nada fora da forma.

Resposta longa: é verdade que a forma pode esclarecer determinada função, mas a função nunca explica inteiramente a forma, pois a função foi antes reconfigurada pela forma. A função depende da forma, mas a forma não depende da função.

Não significa que designers devem se preocupar mais com a forma do que com a função das coisas. Significa apenas que a forma nos mostra algo sobre as coisas que a função não mostra – a saber, a possibilidade de uma nova forma e função.

O advento do iPad, por exemplo, não trouxe nenhuma função inédita; sua maior inovação foi ter introduzido uma forma nova a funções velhas que, assim, ganharam novos significados. Leia mais…»