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Hoje é dia de quem mesmo?

* Este texto é uma contribuição de Douglas Cavendish – pesquisador no Grupo de Ensino, Pesquisas e Extensão em Tecnologias e Ciência (GEPETEC) da Universidade Federal de Itajubá.

Há 17 anos atrás, no dia 19/10/1998, Fernando Henrique Cardoso (então presidente do Brasil) por decreto presidencial [1], instituía o dia 05 de novembro de cada ano como “dia nacional do design”. Um dia que passaria a ser motivo de celebração para uma casta de profissionais que estava em pleno desenvolvimento e que buscava um local seguro ante um mercado já disputado por profissionais de áreas correlatas, como engenharia, arquitetura, artes plásticas e marketing. Leia mais…»

Muito fantasma pra pouca ópera

jasmine_tridevilEm setembro do ano passado, uma notícia foi compartilhada exaustivamente pelas redes sociais da internet desse Brasilzão doido: a história de Jasmine Tridevil (?), a americana que supostamente implantou um terceiro seio para espantar homens e viver isolada sem parecer atraente para ninguém. O mais legal era o intuito dos compartilhamentos: geralmente, pessoas expressando o quanto acharam engraçada ou desagradável a atitude da moça, sem antes se perguntarem o básico, que é a primeira coisa que eu me pergunto até quando minha sogra aparece com uma sobremesa muito bonita depois do almoço no domingo: aquilo ali é verdade ou mentira?

Não demorou muito, os mythbusters de plantão surgiram com o veredicto: mentira, e das cabeludas. Jasmine inventou a história e tirou a foto usando um corpete de borracha com três seios porque, bem, hm, determinadas razões. Mas não há motivo para julgar as pessoas que acreditaram na história, ela poderia muito bem ser verídica. Não é difícil imaginar que hoje em dia, se alguém quiser realmente ter um terceiro ou talvez até um quarto mamilo, só o que precisa fazer é o seguinte: ir até o consultório de algum cirurgião plástico e largar um saco de dinheiro na mesa dele. Leia mais…

A parte maldita: resenha

No que toca à célebre “luta pela vida“, até agora me parece apenas afirmada e não provada. Ela acontece, mas como exceção; o aspecto geral da vida não é a necessidade, a fome, mas antes a riqueza, a exuberância, até mesmo o absurdo esbanjamento [...].
Nietzsche (Crepúsculo dos ídolos, IX: 14).

apartemalditaA editora Autêntica lançou este ano uma nova e caprichada edição em português de dois dos mais famosos livros do pensador francês Georges Bataille (1897 – 1962): A parte maldita e O erotismo. Neste post, vou falar um pouco sobre A parte maldita, citada daqui para frente como PM (a numeração das páginas e a tradução são, naturalmente, as da edição da editora Autêntica).

A parte maldita é um livro difícil de classificar em termos de área de pensamento, assim como também ocorre com O erotismo. Podemos pensar, entretanto, que o que Bataille faz é filosofia no sentido mais radical do termo: uma filosofia que constrói suas próprias estruturas reflexivas — como ocorre com a Filosofia de todos os grandes filósofos –, mas sem deixar tais estruturas endurecerem o suficiente para criar um “sistema”. Não espanta que Bataille tenha sido fortemente influenciado por Nietzsche.

A parte maldita em questão na obra de Bataille é aquela parte do humano e da experiência humana que foi tradicionalmente denegrida pela ética dominante no ocidente desde Platão — qual seja, aquela ligada ao excesso e ao dispêndio inútil. Entretanto, Bataille, seguindo Nietzsche, enxergará essa parte como constituindo o próprio cerne da vida e do que significa ser humano: “não é a necessidade, mas seu contrário, o ‘luxo’, que coloca para a matéria viva e para o homem seus problemas fundamentais” (PM, p.39). Leia mais…»