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Não Obstante #18 – Educação e Escolha

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Da imagem literária ao design da escolha

Dentre as várias maneiras de se relacionar literatura e design, uma que me parece profícua é através da questão, amplamente explo-rada por Tom Mitchell (confira o post do Daniel a respeito), sobre o que “quer” uma imagem. Grosso modo, o que Mitchell nos ensina é que uma imagem é um engodo que quer nos atrair para o prazer estético, ela exige uma interpretação e empenha-se em nos “escan-dalizar” para que dela desviemos ou nela fixemos nosso olhar.

Por meio do viés literário (especialmente em Kafka e Kundera), contudo, suspeito que possa haver outra característica fundamental da imagem (e talvez mais pertinente para se pensar design): uma vez que ela nunca “ocorre agora”, mas está sempre já realizada e ao mesmo tempo sempre por vir, ela quer nos desvincular do fluxo temporal colocando-nos diante de nossas escolhas. Leia mais…»

Inócua interatividade

É verdade que design só existe por meio de interações humanas. O que é bem diferente de afirmar que interações humanas só existem por meio do design. Trata-se então do lado vazio da interatividade: reduzir as interações humanas a um “dever” como design (ou como relacionamentos, trabalho, postura política, religião etc.).

Quando vemos um programa de comédia na TV, temos o dever de achar engraçado? Antigamente, não apenas deveríamos rir, mas a própria reação de riso era incluída na trilha sonora de uma cena cômica. Era como se a TV tivesse rido por nós.

Papel semelhante, só que ao contrário, é desempenhado pelas chamadas carpideiras (mulheres contratadas para chorar nos funerais) – algo ou alguém experimenta por nós os sentimentos e atitudes mais íntimos e mais espontâneos, como chorar e rir. Em ambos os casos, o pressuposto não é que o riso e o choro resultam de uma interação, mas o contrário: a interação resulta do riso/choro. Leia mais…»

Não somos aqueles por quem estávamos esperando

Muito se tem discutido, pelo menos no contexto específico dos estudantes de design de Curitiba, sobre engajamento ativo, representatividade, manifestos e mobilizações entre designers. É como se a tão aguardada regulamentação do design enaltecesse um senso de responsabilidade social como estratégia de valorização de nossa profissão. Segue-se o famoso lema de Gandhi “seja você a mudança que deseja ver no mundo”, que é muito próximo ao antigo ditado hopi [1] de que “nós somos aqueles por quem estávamos esperando”.

Minha reação permanece a mesma: não tenho nada com isso [2]. Ainda assim algumas pessoas insistem em “discutir” (eufemismo para negociação doutrinária) sobre o papel de minhas filosofices de design, como se devesse existir alguma finalidade ética ou política no que eu faço (ou deveria fazer) que possa contribuir de modo concreto para a sociedade. Geralmente minha resposta é “desculpe, mas não sou quem você esperava”. Leia mais…»

Filosofia do Design, parte LXX – Design, máscaras e olhares

* texto originalmente publicado no Design Simples.

“Um indivíduo vale pelo que ele é e não pelo que ele tem”, dizem por aí. Mas o que é um indivíduo em si mesmo?

Um ser inconstante e contraditório que muda a toda hora de humor e de intenção.

O que define quem somos é, antes de tudo, um discurso intersubjetivo: não sou designer porque “sou designer”, mas sim porque as pessoas me enxergam assim.

Então seria mais sensato dizer: um indivíduo vale por aquilo que os outros veem nele, e não por aquilo que ele pensa que é. Leia mais…»