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Dilemas do Design VII – metalinguagem

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

Temo que, enquanto tivermos gramática, não teremos matado Deus. – Nietzsche.

Não é novidade a acusação de que a linguagem é o limite do “esclarecimento” moderno. Assim como não é de se espantar que o estruturalismo – corrente filosófica contemporânea segundo a qual a realidade social é estruturada por um conjunto formal de relações – tenha surgido no mesmo país onde foi criada, em 1634 (pelo cardeal Richelieu), uma tal de Academia Francesa, cuja função inicial era conservar e aperfeiçoar a língua local por meio de um procedimento básico e tirânico de eliminar expressões ambíguas. Leia mais…»

Em que medida somos colonizados pela linguagem?

Esta questão foi levantada no meu post Saussure, língua, xadrez e gerou debates antes mesmo que eu tentasse respondê-la – tentativa que farei agora. Vejamos: o que disse no tal post, e que de modo algum é uma ideia original, foi o seguinte: dado que a língua tem como elementos irredutíveis os fonemas (no caso da linguagem falada) ou letras (no caso da linguagem escrita), e dado que os fonemas e as letras existem em número limitado, as combinações possíveis entre tais elementos são finitas, de tal modo que seria possível – como faz Borges em A Biblioteca de Babel – imaginar uma biblioteca na qual estivessem compiladas todas as combinações possíveis das letras do alfabeto. Ora, em tal biblioteca estariam, assim, todos os textos possíveis de serem escritos: este post, a bíblia, o texto ganhador do prêmio Jabuti do ano que vem etc. Leia mais…

Saussure, língua, xadrez

xadrezImagine que você vai jogar uma partida de xadrez. Quando, após organizar o tabuleiro e se sentar em frente a seu oponente, você pega uma peça qualquer – a rainha, por exemplo – e move de uma casa para outra, você faz mais do que carregar um pedaço de madeira por alguns centímetros: você realiza uma jogada! (eu sei, é fantástico). Você já parou para refletir o que constitui esse ato misterioso de realizar uma jogada? Isto é, o que existe a mais na jogada além do ato de mudar de lugar um pedaço de madeira?

Se seguirmos os ensinamentos do linguista Ferdinand de Saussure, a resposta seria: a inserção do ato em um sistema de regras. A diferença é que realizar uma jogada é um ato “estruturado” por um sistema de regras (as regras do xadrez), enquanto carregar um pedaço de madeira por alguns centímetros é apenas um ato físico (na verdade, essa separação não é tão simples de fazer, mas vamos manter a reflexão em um nível simplificado por enquanto). Se não existissem regras de xadrez, não poderia existir jogada. Leia mais…»