Posts taggeados com ‘experiência’

O lugar da experiência na Arte

ROY NACHUM, "Tears of Laughter" | óleo sobre tela, 2010-11

ROY NACHUM, “Tears of Laughter” | óleo sobre tela, 2010-11

É no simbólico que o desejo se engatilha. No mundo da linguagem é que o desejo toma forma e, sem ela, ele não pode existir. Assim a experiência não se processa senão por meio da narrativa, do compartilhamento, do registro no simbólico. Qualquer operação que demande produção de imagem está lidando com o imaginário, e, portanto com o desejo. O que nos conta uma imagem? E como pode ela realizar esse processamento da experiência? A fim de respondermos, é necessário reconstituir o momento em que a experiência passou a integrar o território artístico. Leia mais…

Design do tempo: em busca do presente no presente

* texto originalmente publicado na edição #53 da Revista abcDesignImagens de Eugene Ivánov.

Poderia nosso passado tornar-se diferente da recordação que temos dele? Não no sentido de “viagem no tempo”, pois o que aconteceu, é claro, está encerrado no passado. Mas se muito do que vivemos não é necessariamente lembrado, então muito do que recordamos pode não ter acontecido tal como acreditamos. A experiência do presente, afinal, interfere na compreensão de tudo que já nos aconteceu e que ainda pode nos acontecer.

Donde decorre a questão: o que esperamos do futuro? Ou ainda: é possível projetar um futuro? Ora, a literatura distópica esboça um futuro a ser evitado. Por sua vez, “projetar” implica pensar no futuro a partir do presente, no intuito de precaver, corrigir e melhorar o que agora se considera problemático. Em outros termos, o presente orientado ao futuro é aquele que não é totalmente aceito, como se restasse uma alternativa ao que “deu errado”. Leia mais…»

Da repetição no olhar que se desprende

* aquarelas de Henrik Uldalen ilustram o post.

I. Revendo as mesmas anotações

Desvios ocasionados pela segunda lei da termodinâmica não são verificáveis, pois os instrumentos de medida estão sujeitos aos mesmos desvios das coisas que eles buscam medir. – Paul Feyerabend, Contra o método (São Paulo: Editora UNESP, 2007, p. 350).

Mais do que mostrar o aspecto inferencial de certas leis da física, o enunciado acima é um modo de falar sobre a arbitrariedade patente de toda ordem, sentido, razão que atribuímos ao que é mera casualidade – como a repetição genérica de nossos momentos de alegria ou de tristeza. O que por vezes não nos damos conta é que esses sentidos arbitrários são fatores que intensificam a repetição indiferenciada da vida cotidiana, capazes mesmo de “fabricar” diferenças significativas nos momentos que se repetem. Leia mais…»

Debate FdD: por que (não) pular de paraquedas?

Olá, designófilos!  Este é nosso quarto post coletivo, contando com a participação de nosso time de colunistas e colaboradores fixos. A questão foi levantada por nosso colaborador Bolívar Escobar:

Em um futuro próximo, cientistas de uma determinada empresa criam um procedimento cirúrgico que ‘implanta’ experiências: uma pessoa que gostaria de pular de paraquedas pode agora optar por realizar o pulo, ou fazer a cirurgia e ter no seu cérebro o registro desse pulo que nunca aconteceu, com os exatos mesmos efeitos da experiência. Você optaria por pular ou por fazer a cirurgia? Leia mais…»

Narrativa, imagem e memória em La Jetée

La_Jetee_Poster* Este texto é uma contribuição de Amanda Rosetti — graduanda em Comunicação Visual e Design na UFRJ, Coordenadora de Conteúdo da CORDe Rio 2014.

Esta é a historia de um homem, marcado por uma imagem da infância. A intensa cena que o perturba, e cujo significado só compreenderia anos mais tarde aconteceu no terminal principal de Orly, o aeroporto de Paris, pouco antes do inicio da III Guerra Mundial.
– Chris Marker. La Jetée.

Christian François Bouche‑Villeneuve, mais conhecido como Chris Marker, foi um cineasta, fotógrafo, escritor e artista multimídia francês. Dentre seus trabalhos, podemos encontrar uma variada gama de formatos e suportes: livros, instalações, mídias digitais e mais de 50 filmes. Fascinado por imagens, pelo tempo, pelas formas diferenciadas de compor uma narrativa e principalmente pela memória, Marker foi um pioneiro do cinema experimental. Partindo de La Jetée, uma de suas obras mais famosas, abordarei neste post algumas dessas questões que norteavam a obra de Chris Marker. Leia mais…»