Posts taggeados com ‘expressão’

Não Obstante #21 – Estilo, criação e expressão

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Gosto pelo gosto: a potência da insignificância

* texto originalmente publicado na edição #54 da Revista abcDesign. Imagens de Toby Harvard.

Ao levarmos em conta as conotações mais cotidianas de “design” (como embelezamento, revestimento, verniz estético), não encontraremos nada além do design como expressão de um “gosto”. Estou de acordo: mesmo contrariando definições “oficiais” de alguns especialistas cujos bons propósitos ultrapassam a opinião do senso comum, não vejo no design qualquer relação com princípios ou funções que estariam para além dos gostos.

Não é o caso, porém, de defender algum tipo de “bom gosto”, como se a apreciação do belo fosse restrita a determinados espíritos elevados ou esclarecidos. Até porque essa noção já foi bem difundida pela Bauhaus, ao tentar democratizar a “boa forma” – coisa que, após a II Guerra, adquiriu alto valor artístico na elite norte-americana. Leia mais…»

Arte e Design: articulações de um mesmo gesto

* texto originalmente publicado na edição #52 da Revista abcDesignImagens de Jacob van Loon.

Como se sabe, a mera menção à arte costuma suscitar polêmica no campo do design. Embora a relação entre artistas e designers tenha sido sempre estreita ao longo da história, certa distinção foi requerida desde a Bauhaus, cujo manifesto inicial convocava os artistas a construírem finalmente uma “arte aplicada à indústria”, uma arte a serviço da sociedade. Entre os designers gráficos, por sua vez, o que ainda se admite é, nos termos do designer nova-iorquino Paul Rand, o design como sendo “arte comercial”.

Em ambos os casos, pressupõe-se claramente que a arte seja algo não-comercial, algo não-industrial e cujo compromisso é alheio aos problemas cotidianos. O design, em contrapartida, estaria a serviço do “mundo concreto”, das necessidades comerciais e das convenções sociais. Leia mais…»

Não Obstante #7 – Entre a filosofia e a literatura

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Não leia!


ESSE TEXTO FOI FEITO PARA QUE NINGUÉM O LEIA. O ATO DE ESCREVER É UM MAL ABSOLUTAMENTE DESNECESSÁRIO: AS PALAVRAS NUNCA SÃO LIDAS. DOIS TEXTOS ILEGÍVEIS: UM NA TELA LUMINOSA; E OUTRO DIANTE DA TELA: O LEITOR INVISÍVEL CUJA LUZ DOS OLHOS SE APAGA PARA O DIANTE. O PRIMEIRO É DESEJO IRREALIZADO, O OUTRO DESEJO SEM EXPRESSÃO. DESENHO INCOMPREENSÍVEL DE TRAÇOS SEM IMAGEM. PARA O TEXTO ESCRITO NÃO HÁ POSSE POSSÍVEL. UM AVISO AO (IMPOSSÍVEL) LEITOR ANÔNIMO: NÃO HAVERÁ COMPREENSÃO DE LADO NENHUM.

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Esboço da compreensão involuntária da incompreensão

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

No começo é difícil, depois a gente se acostuma. Ou a gente se acostuma porque não deixa de ser difícil? Não se trata de dificuldade, é que o imprevisível só se cria neste amontoado de histórias já conhecidas. Nem se eu tentasse mil vezes conseguiria me fazer entender. Cada tentativa é outra em relação a si mesma. Uma vez eu corri feito louco e a queda tingiu de roxo minha perna. Disseram-me para fazer tudo devagar, com bastante calma. Assim constatei certa velocidade que há na lentidão, aquela de um ônibus que nos atropela por andarmos distraídos. Sorte que sou concentrado. Não importa o quanto eu tente, não me distraio. A não ser apenas com o jeito desengonçado com o qual me concentro. Será preciso cair novamente para manter-me de pé? Daquilo que os olhos querem prever eles ainda conseguem se lembrar? [anotações minhas]. Leia mais…»

Por que é preciso não enxergar para aprender a ver?

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.
As imagens que ilustram o post são, respectivamente, de Brett WilliamsRenger-Patzsch e Maria Kreyn.

Gosto de pensar que o peixe é quem menos sabe da água em que está submerso. Não que isso seja verdade, vai saber, ao menos acho divertida a imagem do peixe intelectual que discursa sobre a “água”, essa expressão de uma classe privilegiada diante da multidão de peixes que estão mais preocupados em continuar “voando” por aí. E talvez aquele peixe também não se importe muito com tal abstração filosófica, ou quem sabe ele espera encontrá-la num plano superior-divino, ou ainda tal expressão talvez seja apenas o modo como ele tenta enxergar um palmo diante do nariz.»