Posts taggeados com ‘fenomenologia’

Não Obstante #17 – O olhar contemporâneo de Peter Sloterdijk

Escute o podcast…»

Filosofia do Design, parte XXIV – O Designer Existencial

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Um jeito fácil de fugir das questões filosóficas do Design é recorrer ao argumento do “útil”. Uma faca, por exemplo, deve ser projetada para cortar bem, independente da finalidade do corte. Não há filosofia nisso, há somente aquilo que funciona e aquilo que não funciona. O designer então busca uma solução que seja útil de um modo democrático, isto é, verificando a necessidade da maioria dos usuários. Agindo assim, sua integridade moral estará garantida e sua fidelidade ética para com a sociedade, assegurada. Bonito.

Se você ainda acredita nisso, desculpe, mas você não é designer. Ter consciência de que sou designer caracteriza uma realidade externa, pois na medida em que qualquer pessoa também pode ter essa mesma consciência, ela só existe no âmbito das aparências. Você só se torna designer quando alguém te percebe enquanto tal. Você não é designer para si mesmo, você é designer somente para os outros. É diferente do fato de que antes de projetar a faca, por exemplo, você teve a ideia de uma faca. A ideia de ser designer não foi sua, você apenas assumiu um papel predeterminado pelos outros. Leia mais…»

Um olhar sobre o designer

Design FAUUSP dezembro 2010É sempre saudável iniciar uma sequencia de posts num blog falando um pouco de si. Meu nome é Eduardo Camillo, e sou ainda estudante. Isso já, de certa forma, depõe muito contra o que escreverei aqui por alguns motivos: não tenho experiência acadêmica suficiente, não tenho experiência projetual suficiente, não tenho experiência de mercado suficiente, não tenho experiência de leituras suficiente, não tenho experiência de vida suficiente. Feitas tais observações, talvez seja interessante levantar um pouco minha bola, e mostrar qual seria o motivo de, depois de tudo isso, eu ainda insistir escrever aqui nesse blog de Filosofia do Design. Sou estudante de Design na FAU-USP, e faço parte da primeira turma do curso de Design da mesma (não, eu não faço arquitetura, agora a USP tem MESMO um curso de Design e teve seus primeiros 12 alunos formados esse ano). Ao longo da minha formação, iniciei alguns estudos que me levaram à filosofia e nesta permaneço até hoje. Tenho mais livros de filosofia do que de design, e isso é algo que me deixa um pouco… sem graça. Afinal, serei designer, e não filósofo (a princípio). E, talvez o mais determinante de tudo para que eu esteja aqui, dando a cara a bater no meio de tanta gente maior, é que tive uma curta experiência de 2 semestres como professor de um curso técnico de Design de Móveis, e lá encontrei minha vocação e felicidade que é dar aula. Isso demonstra alguma prepotência de minha parte, pois, ainda graduando, fui lecionar; e, enquanto blogueiro (assim como o Beccari, escrevo no Design Simples) e futuro professor (se os céus permitirem), acho que alguma coisa do que eu diga pode ser interessante. Nem sempre é, mas…  Enfim. No meu post inaugural, assim como fiz no Design Simples, pretendo lançar um olhar sobre o campo do Design, mas um olhar pouco mais atual, de coisas que pensei de um tempo para cá (mais ou menos 3 meses para ser pouco mais exato), e que estão fermentando na minha cabeça. Lançar o debate pode ser mais interessante do que fechá-lo em mim. Leia mais…»

Filosofia do Design, parte V – a necessidade de um esclarecimento fenomenológico

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Como eu já escrevi e ainda pretendo escrever sobre os Estudos do Imaginário enquanto alternativa provisória para uma Filosofia do Design, julgo necessário fazer algumas observações preliminares a respeito da postura fenomenológica que, embora não caracterize completamente a corrente do Imaginário, se faz predominante em meu discurso.

A primeira observação é que nenhum dos grandes autores do Imaginário escreveu sobre Design. Neste sentido, a opção fenomenológica não consistirá em retomar o que (não) escreveram, mas em fazermos nós uma Filosofia do Design em moldes fenomenológicos. Interessa-nos, portanto, compreender e assimilar semelhante estilo, tanto na teoria como na prática.

Por vezes se disse que a fenomenologia é antes de tudo um método. Pode ser verdade, mas só na medida em que se trata de um método inseparável da atitude filosófica correspondente: não é um método indiferente aos conteúdos (como parece ser o pragmatismo ou o estruturalismo), mas decorrente da própria essência do fenômeno, a tal ponto que se torna, simultaneamente, método e objeto de estudo. Isso nos leva à segunda observação: como filosofia, a fenomenologia não pretende ter uma temática reduzida, mas se interessa por todos os temas filosóficos uma vez encarados como fenômenos intencionais. Leia mais…»