Posts taggeados com ‘fetichismo’

Os interessados em salvar o mundo por favor, retirem uma senha no guichê e aguardem ao lado. Tenham em mãos uma cópia do RG autenticada e um texto de até 3 parágrafos com a sua definição clara do que de fato é esse mundo a ser salvo.

Mark T Simmons @ http://www.flickr.com/photos/marktsimmons/

Mark T Simmons @ Flickr

Senhora Neide, 64 anos, dona do único mercadinho do centro da cidade não-franqueado de alguma marca maior como Wal-Mart ou Carrefour e, por isso, um pouco menos frequentado, dada a baixa variedade de produtos disponíveis nas gôndolas e etc. Dona Neide, de acordo com seus últimos cálculos, estaria prestes a enfrentar a pior crise desde o temporal de 2008, que arrasou com metade do seu telhado e a fez despachar para o lixão todo o departamento de laticínios: as vendas estavam caindo. Seus clientes não se sentiam mais atraídos, passaram a avaliar seus preços como muito altos e a falta de um estacionamento grande era definitivamente o calcanhar de aquiles do pequeno mercado.

O que fazer? Neide, consternada, decide comentar sobre os cálculos e suas tabelas do excel com a família, em um churrasco de fim de semana. “Por que você não contrata um consultor, tia?” responde Renata, uma das sobrinhas, 22 anos, recém formada em publicidade. O que diabos é um consultor? “É um especialista em negócios. Ele vai visitar o seu mercado, fazer algumas perguntas e te dar umas ideias de como melhorar seus lucros!” Meu deus, como a senhora Neide não havia pensando nisso? Leia mais…»

Consumo ateu e o fetichismo contemporâneo

O que ateísmo tem a ver com consumo? O recalque da proibição pela negação da mesma [1]. Quando falamos de fetichismo (nossa crença de que certas mercadorias são “objetos mágicos”), a tendência é considerar que a “manifestação teológica” do produto nada mais é do que uma expressão “comum” da realidade social. Em nível de discurso, é o mesmo que dizer que Deus está morto/não existe [2] – o que implica negativa, proibitiva e necessariamente continuar acreditando em alguma ideia de “Deus”.

Se entendermos “Deus” como uma autoridade onipotente e opressiva, sua queda ou ausência paradoxalmente significa, ao invés de liberdade, proibições cada vez mais severas. Quando não há dogma ou fetichismo religioso, o mais comum é dedicar-se a uma busca incondicional da felicidade sob o ilusório pressuposto dostoievskiano de que “tudo é permitido”. Para tanto, em vez de se recalcar desejos ou prazeres ilícitos, passa-se a recalcar o recalque em si, ou seja, a própria proibição que nos priva de tais desejos e prazeres. Leia mais…»

O que fetichismo, totemismo e idolatria têm a ver com design?

Fetichismo, totemismo e idolatria podem ser vistos como formas de relação entre humanos e imagens ou coisas. Por exemplo, se um sujeito estabelece com sapatos femininos uma relação erótica, digo que é tal sujeito é um fetichista e, o sapato, um fetiche. Se outro adora uma escultura como a um Deus, digo que é idólatra e, a escultura, um ídolo. Se outro ainda encara o símbolo de um time de futebol como algo que pauta sua identidade, dizemos que estabelece com tal time um relação totêmica (em relação ao totemismo, é preciso reconhecer que ele participa menos que os outros do vocabulário cotidiano).

Ora, o design tem como função principal trabalhar as relações das pessoas com as coisas e as imagens: seja enfocando a funcionalidade, o significado ou a estética. Assim sendo, nenhum objeto de estudo parece mais importante para o design do que as formas de relação que se estabelecem entre humanos e objetos ou imagens – e é exatamente nesse âmbito que estão o fetichismo, o totemismo e a idolatria. Leia mais…»