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Resumo expandido de minha tese de doutorado

* As aquarelas que ilustram o post são de minha autoria e constam na abertura dos capítulos da tese.

Iniciei minha trajetória acadêmica em 2010, ano em que inaugurei este site. Na época, eu já formulava uma primeira versão daquilo que viria a compor minha tese de doutorado, concluída este ano. Seu título: Articulações Simbólicas: uma filosofia do design sob o prisma de uma hermenêutica trágica.

Apresento neste post o “resumo expandido” deste trabalho que é, ele próprio, um resumo de minhas reflexões nos últimos cinco anos. Tais reflexões são devedoras principalmente de Rogério de Almeida (orientador da tese) e de Daniel Portugal, que acompanharam este meu percurso desde o início.

Um resumo não é uma síntese (até porque não existe síntese), mas uma seleção arbitrária de ideias que aparecem despojadas da continuidade argumentativa que as contextualiza. Portanto, peço que não se faça citação/referência a este post, e sim ao texto de minha tese (que em breve estará disponível no banco virtual da USP). Todo resumo, afinal, corre o risco de esvaziar em larga medida a amplitude conjuntural à qual se refere. Se eu corro este risco, é no intuito de instigar a leitura da tese, pois minha motivação intelectual nunca foi outra senão a de ter minhas ideias lidas, discutidas e partilhadas. Leia mais…»

Um breve imaginário do design

“Imaginário” implica, no presente ensaio, uma empreitada genealógica: identificar recorrências discursivas que nos permitam elaborar hipóteses filosóficas, neste caso, sobre a noção de design. Mais importante do que a História – enquanto pressuposta “verdade dos fatos” –, portanto, é a maneira como a contamos, portanto o design das histórias. Ou ainda, nos termos do historiador Philip B. Meggs:

O caráter efêmero e imediato do design gráfico, combinado com sua ligação com a vida social, política e econômica de uma determinada cultura, permite que ele expresse mais intimamente o Zeitgeist [paradigma] de uma época do que muitas outras formas de expressão humana. Ivan Chermayeff, renomado designer, disse: o design da história é a história do design. – Philip B. Meggs, História do design gráfico (Cosac Naify, 2009, p. 10). Leia mais…»

Da incidência da não coincidência

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

É preciso buscar a liberdade em uma certa nuança ou qualidade da própria ação e não em uma relação desse ato com o que ele não é ou teria podido ser.
– Henry Bergson

Dois críticos podem ver o mesmo filme e escrever críticas opostas, e ambos estarem completamente coerentes em seus argumentos. Um casal pode se desfazer por causa de uma traição inexistente, o que não deixa de ser um motivo válido para ambas as partes. Tal contradição apenas atesta que aquilo que queríamos ali (o sentido do filme, a causa do fim) nunca existiu. Isso vale para o significado de um povo, de uma classe social, de um gesto, de um objeto, de uma “sensação” – qualquer significado é feito de relações de sentido que se formam e desformam ao acaso, mas que só continuam em jogo na medida em que as afirmamos ou as negamos. Leia mais…»

Real, existente e ficcional

Você está em casa, com seus pais, vendo frivolidades na internet, e aí chega sua mãe, com uma foto em mãos. É um bebê. “Olhe, meu filho, como você era!” Você não lembra dessa foto, porque era muito novo; você sequer se reconhece. Então, é mesmo você? Qual a relação entre aquela imagem bidimensional do bebê e você, respirando nesse exato momento?

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Inócua interatividade

É verdade que design só existe por meio de interações humanas. O que é bem diferente de afirmar que interações humanas só existem por meio do design. Trata-se então do lado vazio da interatividade: reduzir as interações humanas a um “dever” como design (ou como relacionamentos, trabalho, postura política, religião etc.).

Quando vemos um programa de comédia na TV, temos o dever de achar engraçado? Antigamente, não apenas deveríamos rir, mas a própria reação de riso era incluída na trilha sonora de uma cena cômica. Era como se a TV tivesse rido por nós.

Papel semelhante, só que ao contrário, é desempenhado pelas chamadas carpideiras (mulheres contratadas para chorar nos funerais) – algo ou alguém experimenta por nós os sentimentos e atitudes mais íntimos e mais espontâneos, como chorar e rir. Em ambos os casos, o pressuposto não é que o riso e o choro resultam de uma interação, mas o contrário: a interação resulta do riso/choro. Leia mais…»