Posts taggeados com ‘funcionalismo’

«Repensando o modernismo, revisando o funcionalismo» de Katherine McCoy

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Durante o processo de pesquisa para o artigo Alternativas epistemológicas para o design da informação: a forma enquanto conteúdo, publicado recentemente na revista Infodesign, pareceu-me que algumas discussões sobre a mera presença do designer que ainda hoje circulam no Brasil estão bem datadas. Leia mais…

Para uma filosofia do design

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Telefone lagosta, de Salvador Dalí

* Texto originalmente publicado no Sobrecultura+, suplemento de cultura da revista Ciência Hoje online.

Design é, sem dúvida, um dos termos mais populares deste milênio. Tudo hoje em dia pode ser objeto de design: partes do corpo, comidas, cidades e modelos de negócios – além, é claro, de ambientes, roupas, marcas, sites, livros etc. A onipresença do termo suscita reações diversas, dentre as quais podemos destacar as que transitam entre dois polos: o funcionalista e o humanístico.

No primeiro polo estão aqueles que veem o design como alguma coisa acessória que é acrescentada a um núcleo previamente existente. Ou seja, ele é visto apenas como a cobertura de algo realmente importante: por exemplo, a aparência do carro que cobre sua estrutura mecânica ou do computador que reveste o hardware. Algumas pessoas consideram que certos objetos são formados quase exclusivamente de cobertura e não se cansam de denegri-los e a seus produtores. Dizem: “os publicitários e os designers nos fazem comprar coisas que não precisamos, atraindo-nos com superficialidades”. Ou: “Por que gastar o dobro em um celular só porque é bonito ou da marca X?” Leia mais…»

A morte do design – parte II

No meu último post, eu anunciei a morte do design, mas não sei se a relação do que falei com esse velório ficou clara. E, de fato, não deveria ter ficado, porque aquilo foi só a sucessão caótica de eventos que nos trouxe até aqui, à trágica morte do design.

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A forma além da forma

Por que não acredito na forma que segue a função™? Resposta curta: porque não há nada fora da forma.

Resposta longa: é verdade que a forma pode esclarecer determinada função, mas a função nunca explica inteiramente a forma, pois a função foi antes reconfigurada pela forma. A função depende da forma, mas a forma não depende da função.

Não significa que designers devem se preocupar mais com a forma do que com a função das coisas. Significa apenas que a forma nos mostra algo sobre as coisas que a função não mostra – a saber, a possibilidade de uma nova forma e função.

O advento do iPad, por exemplo, não trouxe nenhuma função inédita; sua maior inovação foi ter introduzido uma forma nova a funções velhas que, assim, ganharam novos significados. Leia mais…»

Filosofia do Design, parte XIII – Design, Funcionalidade e Antiética

* texto originalmente publicado no Design Simples.

O escritor alemão Goethe aconselhava o homem a ser nobregenerosobom. O filósofo Vilém Flusser, aproveitando-se de tal prerrogativa, reformula essa questão ao Design e, ao mesmo tempo, a coloca em cheque: “o designer deve ser nobregenerosobom” (FLUSSER, 2010, p. 23). Aproveitando o ensaio “A guerra e o estado das coisas” de Flusser, falarei um pouco sobre ética e design neste post.

Supomos que temos que projetar uma faca de cozinha. Deve ser uma faca nobre na medida em que seja fácil de ser manuseada, não exigindo nenhum conhecimento prévio para isso – portanto, uma faca generosa também. Sobretudo, a faca deve ser boa para cortar alimentos de maneira eficaz e sem dificuldades. No entanto, se ela for boa demais, pode cortar também os dedos de quem a utiliza. Concluímos então que o Design deve ser nobregenerosobom, mas não demasiado bom. E quanto aos revólveres? São objetos nobres, podendo até configurar uma obra de arte contemporânea. São generosos também, qualquer criança analfabeta é capaz de utilizá-los. Por fim, são bons projetos de Design: não apenas matam com eficácia, como geralmente desencadeiam a reação de outros usuários que, por sua vez, matam aqueles que atiraram primeiro. Leia mais…»