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Fragmentos filosóficos #11 – Spinoza sobre os afetos

Este é o décimo primeiro de nossos Fragmentos filosóficos, uma série composta por trechos selecionados e comentados (sob a curadoria de Marcos Beccari e Daniel B. Portugal), com a proposta de apresentar filósofos em suas próprias palavras. O trecho abaixo foi retirado do livro I da Ética de Spinoza (Belo Horizonte: Autêntica, 2007, III, definição 3, p. 98). Seleção e comentários de Marcos Beccari.

Por afeto compreendo as afecções do corpo, pelas quais sua potência de agir é aumentada ou diminuída, estimulada ou refreada, e, ao mesmo tempo, as ideias dessas afecções. Assim, quando podemos ser a causa adequada de alguma dessas afecções, por afeto compreendo, então, uma ação. Leia mais…»

Não Obstante #10 – A questão da morte em Montaigne

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Refrações #002 – As dimensões e o mundo codificado de Vilém Flusser

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Se esta rua fosse minha não haveria tempo para ser breve

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

“I do not mind lying, but I hate inaccuracy.” – Samuel Butler

Desde quando voltei a andar pelas ruas de São Paulo, parece que todo o intervalo que se formou a partir de quando eu deixei de morar aqui já deixou de ser propriamente um intervalo. Por mais que eu tenha esquecido muita coisa, e por mais que muita coisa tenha mudado, é como se eu nunca tivesse saído daqui. Confundo as datas e os lugares de uma ou outra lembrança cuja singularidade, no entanto, lembro-me perfeitamente. Minha memória não cessa de equivocar-se, tento imaginar o que aconteceu naquela praça ou padaria, como se as ruas fossem incapazes de evocar exatamente aquilo que eu vejo nelas. Mas o que afinal eu vejo? Leia mais…»

Ficções de um mar sem fundo

* texto originalmente publicado no Universo Humanus.

Você já se sentiu como se estivesse vivendo uma ficção? Se sim, leia o livro “Ficções que Curam” (Healing Fiction), de James Hillman. Em linhas gerais, o psicólogo nos explica por que as criações ficcionais dão sentido ao mundo. Por exemplo, quando você “pensa” que não está mais apaixonado por alguém, na verdade você está amando, pela primeira vez, quem você já amou um dia. Somente quando nos afastamos da história da qual fazemos parte é que ela começa a fazer sentido – nós encaixamos as peças.

Eis a verdadeira liberdade humana, afastar para retornar, como Santo Agostinho dizia: “não vás fora de ti, retorne a ti mesmo; no interior do homem é que reside a verdade”. Amar algo ou alguém profundamente nos dá mais coragem para viver na medida em que, na verdade, somente assim somos capazes de dar sentido à nossa existência. Leia mais…»

Filosofia do Design, parte XXI – Sobre a Imaginação

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Muitos dizem que os designers precisam ter muita imaginação. Mas, afinal, o que significa imaginação? A tradição do Design sempre deu prioridade à imaginação enquanto reprodutora da percepção, sendo a imagem entendida como um rastro ou um vestígio deixado pela percepção. Porém, perceber é diferente de imaginar. Pois imaginação também pode ser produtora de percepções, no sentido de fantasiar ou alucinar. Neste sentido, a imagem não tem referente além de si mesma, isto é, ela não representa coisa nenhuma. Não há uma causa, somente repercussão. Então a imagem se torna um fenômeno irredutível, imediato e polissêmico: o imaginante está na imagem ao invés da imagem estar no imaginante. Leia mais…»

Filosofia do Design, parte IV – o dever de imaginar o design

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Desde sempre o ser humano atribui significados que vão além da funcionalidade dos atos ou objetos. É por isso que algumas situações podem não fazer sentido num primeiro olhar: cultos religiosos de sacrifício humano, antropofagia, perfurações corporais como forma de auto expressão, sucesso de audiência em reality-shows, rachas automotivos entre adolescentes, comunidades de sexo grupal, etc. Por mais que não pareça, nada disso é insignificante para grande parte da população. Mas o que leva um ser humano a praticar tais “absurdos”? De fato, não conseguiríamos ter uma explicação convincente baseada na utilidade racional dessas ações. Na verdade, estas pessoas estão exercendo a liberdade que lhes é própria: dar sentido ao mundo. E isso implica entrar no plano do simbólico, do transcendente, do imaginário.

O raciocínio lógico nos permite analisar os fatos, compreender a relação existente entre eles, mas não cria significado. Para isso, podemos recorrer apenas à imaginação. Assim, os grandes teóricos, artistas, poetas e designers criam filosofias, teorias, objetos, obras… Especialmente no Design, o conhecimento pode ser obtido e produzido por diversos caminhos. No entanto, durante muitos anos optou-se por um caminho calcado naquele das ciências naturais, segundo o qual, acreditava-se e se acredita ainda hoje, representaria o nosso objetivo científico. Mas como, por exemplo, podemos compreender o duvidoso gosto estético da população brasileira sem considerarmos as dimensões simbólicas e míticas que estão em nós enraizadas? Leia mais…»

Filosofia do Design, parte I – o Sentido Imagético

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Todos os homens têm, por natureza, desejo de conhecer: uma prova disso é o prazer das sensações, pois, fora até da sua utilidade, elas nos agradam por si mesmas e, mais que todas as outras, as visuais (ARISTÓTELES, 1979, p. 11). Essa inclinação natural do homem ao conhecimento imagético, a qual Aristóteles reconheceu há muito tempo atrás, configura em linhas gerais a real inspiração de meus estudos em Filosofia do Design.

Mais do que isso, defendo que existe uma espécie de anterioridade ao conhecimento humano – o que é este conhecimento capaz de questionar a si mesmo? Ou o que é o conhecimento do conhecimento? –, pois o ser humano não apenas conhece, mas sabe que conhece. Sabe de suas sensações e sentimentos; sabe especialmente de sua liberdade em imaginar, e isso me parece fazer parte da própria possibilidade de ser da nossa espécie. Mas o que é este sujeito capaz de imaginar e que tem conhecimento da sua própria imaginação? Como esclarecer essa nossa capacidade, enquanto designers, de imaginar o imaginado e até o não imaginado por outrem? Leia mais…»