Posts taggeados com ‘informação’

A mimese enquanto estranhamento

Ou Estranhamento: Parte x sem que haja x-1

Todas as pinturas utilizadas para ilustrar
o post são do pintor Jeremy Geddes

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Flusser, no ensaio Forma e matéria, julga inaceitável o uso da palavra imaterial quando se fala de cultura. Para explicar por quê, ele discorre sobre uma das mais antigas oposições conceituais que dá nome ao ensaio. Desde a Antiguidade grega – e aqui temos Platão como protagonista –, a ideia que está por trás da dualidade entre hyle e morphé é que “o mundo dos fenômenos que percebemos com os nossos sentidos é um caos amorfo atrás do qual estão escondidas formas eternas, imutáveis, que podemos percepcionar graças à visão supra-sensorial da teoria”. Leia mais…

Filosofia do Design, parte XXXII – o Design da Programação

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Google before you tweet is the new think before you speak. Dizem que estamos na era da informação. Mas a informação sempre existiu: etimologicamente ela significa a forma no interior das coisas. É como se a informação fosse o software e a coisa fosse o hardware. O que acontece é que atualmente não há mais sentido em se ter as coisas, apenas em conhecê-las e experimentá-las. Mais do que isso, em compartilhar informações. A sociedade dedica-se cada dia mais à produção de informações, de serviços, de gestão e de programação. E o designer, a princípio, se dedica à produção de coisas.

Na verdade, desde sempre o ser humano modifica as coisas que o rodeiam. E desde sempre produz informação. Por este motivo, entendemos a história da humanidade como o processo através do qual o homem transforma a natureza em cultura. A ideia de progresso, no entanto, se torna relativa quando percebemos o seguinte círculo vicioso: as coisas produzidas pelo homem, ditas artificiais, regressam à natureza na forma de detritos. Por isso a produção de informação está tão na moda, isto é, a cultura não-material. Trata-se daquilo que Flusser (2010) chama de não-coisas. “E estas não-coisas são simultaneamente efêmeras e eternas” (op. cit., p. 103). Seguindo este raciocínio, nossas mãos tornam-se supérfluas (não podemos pegar uma não-coisa), ao passo que as pontas dos dedos se tornam nosso instrumento de decisão. Leia mais…»

Filosofia do Design, parte XXVII – Decodificando Flusser

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Embora eu já tenha mencionado Flusser em alguns de meus posts, hoje farei um ensaio “introdutório” ao pensamento deste filósofo tcheco-brasileiro para compensar minha gafe (graças à generosa edição do @mizanzuk) no primeiro programa do AntiCast. Nascido e falecido em Praga, Vilém Flusser (1920-1991) viveu entre 1940 e 1972 no Brasil, onde realizou boa parte de um amplo trabalho filosófico que encara a imagem e o artefato como princípios básicos da existência humana. Diferentemente de outros pensadores de mídias (como Barthes, McLuhan, Baudrillard, etc.), Flusser ultrapassa muitas limitações metodológicas a favor de uma reflexão aberta do pensamento humano (no sentido mais amplo que isso possa ter).

Design e comunicação são, para ele, desdobramentos interdependentes de um mesmo fenômeno, a saber, o processo de codificação da experiência. Significa que projetar é in-formar, isto é, dar forma à matéria seguindo uma determinada intenção. Logo, o produto de design é ao mesmo tempo modelo e informação: ao transformar as relações entre o usuário e seu entorno, atribui uma função e um significado ao mundo. Embora isso pareça simples, o paradoxo do Design se revela em sua ambiguidade de ser simultaneamente uma atividade natural e artificial. Se por um lado configura uma habilidade imanente ao homem, por outro, compõe um universo regido por uma semântica e uma dinâmica próprias. Leia mais…»