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O desenho como Objeto e os Objetos do Desenho

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Desenhar é desver (A visão: objeto difícil do desenho)

GUSTAVOT DIAZ, “Dizmetáfora” | Carvão sobre papel, 2015

E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…

ALBERTO CAEIRO
O Guardador de Rebanhos. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993).

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O que o atentado em Paris tem a ver com o desenho, o Design (e Lacan)?

Kamalky Laureano

KAMALKY LAUREANO pintando

A Baltasar convencia-o o desenho, não precisava de explicações, pela razão simples de que não vendo nós a ave por dentro, não sabemos o que a faz voar,  e no entanto ela voa, porquê, por ter a ave forma de ave (…)

JOSÉ SARAMAGO, Memorial do Convento, 1992, p. 68

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Esboço para uma interpretação lacaniana da arte

IGOR MORSKI

IGOR MORSKI

 

No livro genial de Gustave Flaubert A Educação Sentimental (1869), o protagonista Frédéric, após meses retido no campo, subitamente toma posse de uma herança e pode enfim voltar à Paris, à boemia, aos amigos e à bela mulher que ama, a virtuosa sra. Arnoux. Lá chegando, porém, só encontra decepções: não localiza nenhum de seus antigos amigos e a sra. Arnoux mudou de endereço. Demora alguns dias na busca até que a vê em sua nova casa. Sente então que esmoreceu um pouco seu encanto: “as paixões estiolam quando as tiram do seu meio natal (…) parecia-lhe que ela perdera alguma coisa, que houvera nela como que uma vaga degradação, em suma, que não era a mesma”[1]. A mulher amada continuava bela, continuava ela, era a mesma pessoa; no entanto, estava fora das coordenadas fantasmáticas do desejo de Frédéric. Deslocadas de seu ambiente familiar, as coisas se transformam sob nossos olhos, perdem a completude de seu referencial e involuntariamente as redimensionamos. Leia mais…