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Fragmentos filosóficos #10 – Jung sobre a sombra

CGJungEste é o décimo de nossos Fragmentos filosóficos, uma série composta por trechos selecionados e comentados (sob a curadoria de Marcos Beccari e Daniel B. Portugal), com a proposta de apresentar filósofos em suas próprias palavras. O trecho abaixo foi retirado do livro Aion (Obra completa, v. 9/2. Petrópolis: Vozes, 2013, p. 19). Seleção e comentários de Daniel B. Portugal.

A sombra constitui um problema de ordem moral que desafia a personalidade do eu como um todo, pois ninguém é capaz de tomar consciência desta realidade sem dispensar energias morais. Mas nessa tomada de consciência da sombra trata-se de reconhecer os aspectos obscuros da personalidade, tais como existem na realidade. Este ato é a base indispensável para qualquer tipo de autoconhecimento e, por isso, em geral, ele se defronta com considerável resistência. Leia mais…»

Eterno verão: considerações éticas sobre a nova era do amor em Frozen

frozen-7Em meu post anterior, Elsa vai para as montanhas, analisei o filme Frozen, da Disney, procurando entender de que formas ele ecoa algumas propostas éticas de Nietzsche e de Freud. A jornada de Elsa no filme, afinal, diz respeito principalmente a uma luta interior na qual seus “poderes de gelo” — que podemos interpretar como representando seus impulsos — se opõem a seu ideal do eu (o da boa menina: comportada, controlada e mansa). No que considerei o ápice da jornada, Elsa vai para as montanhas e lá libera seus “poderes” e os utiliza criativamente, construindo um sublime castelo de gelo e transformando-se. Os ecos da superação de si proposta pelo Zaratustra de Nietzsche são, aí, bastante evidentes. Sua jornada não se encerra nesse ponto, porém: a percepção de que a liberação de seus poderes agride os outros — agressão representada pelo eterno inverno ao qual Arendelle ficou submetida após a liberação dos poderes gelados de Elsa — faz a protagonista dilacerar-se novamente em conflito interior. A resolução desse segundo conflito, com base no amor, associa uma nova “liberação” de Elsa ao bem comum. Estabelece-se, assim, o eterno verão. Leia mais…»

A maior dificuldade do cínico é esconder dos outros a própria ideologia. A maior dificuldade do idealista, por outro lado, é continuar expondo o que pensa e jamais deixar transparecer a amargura do próprio cinismo

2711789618_7f6cee3778_oAconteceu: naquela fatídica tarde de outubro, a máquina do tempo apareceu, em meio a relâmpagos e trovoadas, no escritório da equipe de pesquisa e investigação do continuum espaço-tempo. Estupefatos, os cientistas largaram as canetas e pranchetas em cima da mesa e aproximaram-se lentamente do artefato, que ainda fumegava e disparava faíscas de uma antena em seu topo.

No fundo, o evento era esperado. Reza o paradoxo que, se houver alguma maneira de viajar no tempo, basta que esperemos até que um visitante do futuro apareça para nos ensinar a fórmula, visto que as condições tecnológicas serão muito mais avançadas. Perder tempo (!) com isso, hoje, é desnecessário: no futuro, teremos tempo (!!) e recursos para conduzir pesquisas mais eficazes e assim poderemos voltar no tempo (!!!) para ensinar os humanos do passado a viajar no tempo antes (!!!!) e assim ganhar mais tempo (!!!!!) ainda. Leia mais…