Posts taggeados com ‘Kant’

Fragmentos filosóficos #16 – Schiller sobre razão e sensibilidade

schiller-12Este é o décimo sexto de nossos Fragmentos filosóficos, uma série composta por trechos selecionados e comentados (sob a curadoria de Marcos Beccari e Daniel B. Portugal), com a proposta de apresentar filósofos em suas próprias palavras. O trecho abaixo foi retirado do livro A educação estética do homem (São Paulo: Iluminuras, 1995, carta IV), de Schiller. Seleção e comentários de Daniel B. Portugal.

O homem [...] pode ser oposto a si mesmo de duas maneiras: como selvagem, quando seus sentimentos imperam sobre seus princípios, ou como bárbaro, quando seus princípios destroem seus sentimentos. O selvagem despreza a arte e reconhece a natureza como sua soberana irrestrita; o bárbaro escarnece e desonra a natureza, mas continua sendo escravo de seu escravo por um modo frequentemente mais desprezível que o do selvagem. O homem cultivado faz da natureza uma amiga e honra sua liberdade, na medida em que apenas põe rédeas a seu arbítrio. Leia mais…»

Fragmentos filosóficos #14 – Kant sobre o espaço

ImmanuelKantpicEste é o décimo quarto de nossos Fragmentos filosóficos, uma série composta por trechos selecionados e comentados (sob a curadoria de Marcos Beccari e Daniel B. Portugal), com a proposta de apresentar filósofos em suas próprias palavras. O trecho abaixo foi retirado do livro Crítica da razão pura (Petrópolis: Vozes, 4. ed., 2015, B 38), de Kant. Seleção e comentários de Daniel B. Portugal.

O espaço não é um conceito empírico que tenha sido derivado de experiências externas. Pois para que certas sensações sejam referidas a algo fora de mim (i.e., a  algo em um outro lugar do espaço que não naquele em que me encontro), e para que, do mesmo modo, eu as possa representar como externas umas ao lado das outras, portanto, não só diferentes, mas como em diferentes lugares, para isso a representação do espaço já tem de servir-lhes de fundamento. A representação do espaço não pode, assim, ser extraída da experiência a partir das relações do fenômeno externo, mas é antes esta experiência externa que só é possível por meio de tal representação. Leia mais…»

A estética humeana no design

ou O dia em que eu me espantei ainda mais por designers não estudarem filosofia

Eu preciso, antes de mais nada, confessar uma coisa: sou um analfabeto filosófico. Eu nunca li Kant, Platão, muito menos Wittgenstein. E venho neste blog, participar como colaborador. Se eu nunca mais postar aqui, saibam que fui demitido.

Apesar disso, eu prezo pelas minhas inquietações: vivo sempre naquele limite hipócrita do “eu não sei, mas gostaria de saber quando tiver tempo”. E, surpreendentemente, às vezes o tempo chega. Esses dias, estive ouvindo algumas aulas de Oxford sobre Estética e Filosofia da arte que me têm sido bastante esclarecedoras. Desde a primeira aula – sobre Platão –, constatei o óbvio: o Design tem muito o que aprender com a Estética.

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A estética: considerações filosóficas na direção de um design inútil

Poucos termos são, ao mesmo tempo, tão usados e tão cercados de nebulosidade quanto “estética”. Atualmente, “estética” aparece com os mais diversos significados. Alguns dos mais comuns são aqueles que dizem respeito exclusivamente à arte ou, quando usado de maneira mais específica, o de “filosofia da arte”. Um “fenômeno estético” seria o mesmo que um “fenômeno artístico”.

A mescla entre “arte” e “estética”, aparente nas acepções do termo expostas acima, possui, sem dúvida, influências hegelianas. Em seus Cursos de Estética, assim como na Estética, Hegel defende que o “belo artístico” – por ser produção do espírito para o espírito – é infinitamente superior ao “belo natural” e que a estética, enquanto disciplina filosófica, deveria estudar somente questões referentes ao primeiro.

Com tal proposta, Hegel afasta-se de Kant e transforma o significado do termo que estamos estudando. Em sua acepção inicial, “estética” se aproxima mais de sua raiz grega aisthesis, que significa algo como “sensação”. O termo foi utilizado primeiramente pelo filósofo alemão Baumgartem, mas ganhou destaque decisivo com Kant. Leia mais…»