Posts taggeados com ‘Lacan’

A Arte do desenho em Porto Alegre

GUSTAVO SOUZA "Transfixação", 2014 | ferro e gesso sob tela (130x90cm)

GUSTAVO SOUZA “Transfixação”, 2014 | ferro e gesso sob tela (130x90cm)

A incessante aparição de novos (e bons) desenhistas e pintores no cenário artístico de Porto Alegre faz do Estado um precursor brasileiro do que já se manifesta no mundo há cerca de duas décadas. Enquanto nos demais países o número de artistas figurativos cresce vertiginosamente, no Brasil – onde chafurdamos sob a falsa crença acadêmica de que a figuração realista e a própria “representação” morreram – o aparecimento de bons desenhos e pinturas deve ser festejado. Neste artigo, apresentamos uma série de artistas da capital gaúcha que têm tido a audácia de desenhar em tempos de arte conceitual. Em posts antigos (aqui) já refletimos sobre trabalhos que nos chamaram atenção e agora apresentamos outros que em Porto Alegre interessam à análise – são eles  Gustavo Assarian, Gustavo Freitas, Claudia Hamerski, Andressa P. Lawisch, Marcelo Bordignon, Alexandre Pinto Garcia e Gustavo Souza.

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Desejo sem objeto: considerações lacanianas

jean-arp-22* Ilustram o post imagens do artista surrealista Jean Arp

A leitura que Lacan propõe dos textos freudianos sugere que, ao desejo humano, falta um objeto adequado. Ao contrário dos instintos dos animais, cuja satisfação está ligada a um objeto definido, o desejo propriamente humano não possui um objeto “natural” – em vez de instintivo, ele é pulsional. E o que caracteriza a pulsão é sua plasticidade, de modo que ela pode ser investida em objetos muito diversos, de formas muito diversas.

Ao enfatizar o caráter plástico das pulsões e defender a ausência de qualquer objeto que pudesse fixar-se, finalmente, como O objeto adequado a uma pulsão, Lacan se opõe a uma vertente da psicanálise que tende a enfatizar, na teoria freudiana das fases do desenvolvimento libidinal, a caminhada rumo à estruturação de uma orientação “natural” e bem sucedida do desejo. Para estes, existiria, em última instância, uma organização da libido (pulsão sexual) que garantiria uma relação satisfatória com os objetos de desejo, uma espécie de retorno à adequação instintiva do desejo ao objeto. Este é um ponto que Lacan ataca duramente: Leia mais…»

Imagem meramente ilustrativa

Sexo, Drogas e Rock’n’roll, (sem sexo e sem Rock’n’roll)

Christiane FO astro cínico David Bowie faz mais que uma palinha no clássico filme geracional “Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída” (1981). Ele participa ativamente do processo de inscrição dentro da normalidade simbólica – a exceção à ordem é uma poderosa coordenada de autonomia perante a ordem (o uso de drogas dentro do local do show representado no filme, a forma de sua música, aparentemente libertária, etc.): música pra pirar, porém realizada e fruída sob o marco simbólico da “normalidade” (indício evidente são as letras dessas músicas, 99% românticas e despolitizadas, formas destituídas de poder).

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Design de armaduras inexistentes

A-KnightNo livro O cavaleiro inexistente, de Ítalo Calvino, acompanhamos a história de Agilulfo, um cavaleiro do exército carolíngio que, como sugere o título, não existe. Ele é apenas uma armadura vazia, animada pelos ideais cavaleirescos. Justamente por não ter que lidar com as demandas desordenadas do corpo, ele realiza as atividades cavaleirescas com um nível de perfeição inatingível por meros humanos.

O avesso de Agilulfo é Gurdulu, um personagem que vive ao sabor das demandas de seu corpo, sem controlá-las através de um eu fixado, ordenado. Assim, Agilulfo e Gurdulu podem ser vistos como dois polos em meio aos quais emerge essa curiosa entidade que chamamos de eu. Podemos considerar que nós, sujeitos, somos uma espécie de Gurdulu dentro da armadura que é Agilulfo. Leia mais…»

Imagem e psicanálise [prefácio]

De uma maneira geral, eu não diria que meu olhar sobre o design ou sobre a imagem é majoritariamente psicanalítico. É verdade que desde o mestrado tenho me interessado por psicanálise, mas sempre como um referencial auxiliar. Havia percebido que a psicanálise é um referencial extremamente interessante para pensarmos sobre as vinculações afetivas com imagens e objetos materiais. E, se encararmos o design como um mediador imagético de nossas relações com objetos e superfícies, fica claro que a psicanálise pode ser bastante interessante para se pensar o design.

Faço essa pequena apresentação para dizer que a psicanálise tem ocupado um lugar cada vez mais central no meu pensamento. Embora eu não tenha formação específica em psicanálise, desde o ano passado tenho realizado extensa pesquisa sobre o tema, lendo bastante Freud e Lacan e entrando na psicanálise sobretudo através de uma via filosófica. Estou preparando um curso de análise da imagem com foco em psicanálise. Assim, intensifiquei ainda mais minhas pesquisas psicanalíticas e queria aproveitar esse momento para começar uma série de posts aqui no blog sobre imagem e psicanálise. Como gostaria que os textos possam servir também como apoio às eventuais aulas, eles terão um formato mais didático e fechado do que meus outros posts. Leia mais…»