Posts taggeados com ‘linguagem’

Refrações #002 – As dimensões e o mundo codificado de Vilém Flusser

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Expresso, logo existo!

Paul Cadden, place to beA fim de criar imagens, carecemos, antes de tudo, saber ler e interpretar imagens. Falo de algo para além da Semiótica – este binóculo que muitas vezes não capta mais que uma ilhota no arquipélago imagético. O que se faz necessário é uma sonda que penetre as profundezas do oceano onde elas ancoram, algo que muitas vezes os poetas alcançam – sem se deixarem intimidar pela iconografia, tampouco estarem sujeitos ao círculo restrito das leituras acadêmicas. Quando Drummond diz:

“e tudo que define o ser terrestre / ou se prolonga até nos animais / e chega às plantas para se embeber / no sono rancoroso dos minérios, / dá volta ao mundo e torna a se engolfar, / na estranha ordem geométrica de tudo”

em seu grande poema A Máquina do Mundo, ele concebe uma “arquitetura de tudo”. Esta é a dimensão que se faz necessária para se compreender a imagem; não menos que isso. A ferramenta essencial: dois olhos encrustados no meio da face. Leia mais…

Esboço da compreensão involuntária da incompreensão

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

No começo é difícil, depois a gente se acostuma. Ou a gente se acostuma porque não deixa de ser difícil? Não se trata de dificuldade, é que o imprevisível só se cria neste amontoado de histórias já conhecidas. Nem se eu tentasse mil vezes conseguiria me fazer entender. Cada tentativa é outra em relação a si mesma. Uma vez eu corri feito louco e a queda tingiu de roxo minha perna. Disseram-me para fazer tudo devagar, com bastante calma. Assim constatei certa velocidade que há na lentidão, aquela de um ônibus que nos atropela por andarmos distraídos. Sorte que sou concentrado. Não importa o quanto eu tente, não me distraio. A não ser apenas com o jeito desengonçado com o qual me concentro. Será preciso cair novamente para manter-me de pé? Daquilo que os olhos querem prever eles ainda conseguem se lembrar? [anotações minhas]. Leia mais…»

Identidades e interfaces

“Experimentar é buscar respostas.”
Paul Rand

A característica que mais admiro quando vejo o trabalho de algum designer, ilustrador e afins é a liberdade de passear por diversas técnicas, materiais, linguagens e mídias, e ainda assim transparecer sua identidade. O que interpreto é que em todas as situações pelas quais ele passa, sua identidade ainda se faz mostrar, como forma de representação de sua atitude frente ao mundo, de sua realidade.
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Design, o verbo

Linguagem é um problema chato; ela define em larga medida o que podemos comunicar. Define porque, ao passo que torna possível a comunicação verbal, limita o que é expressado àquelas peças que temos para jogar – letras, palavras, etc. As línguas que conhecemos (principalmente as que aprendemos desde cedo) ajudam a moldar o modo como pensamos. Assim, acredito que quando importamos essa palavrinha Design, importamo-la da pior maneira possível: um substantivo.

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Poderia um charuto ser apenas um charuto?

Quando Freud puxou seu charuto do bolso para levá-lo à boca, diz-se que um de seus estudantes fez uma piada interna psicanalítica sobre sua fixação oral. Freud retribuiu-lhe com a resposta mais bem humorada possível: “Meu rapaz, às vezes um charuto é apenas um charuto”. Será? Leia mais…

A Regulação da Linguagem

é difícil conviver com os homens, pois é muito difícil calar. sobretudo para um tagarela. p.135.

A passagem acima é um trecho da parte A Redenção do Assim Falou Zaratustra de Nietzsche. Nessa passagem, Zaratustra tenta explicar aos outros o que vem a ser o Eterno Retorno do mesmo, porém ele se frusta  porque os homens querem a qualquer custo a definição daquilo que é apresentado, só que se trata de explicar algo inexplicável, que não há definições. Essa dificuldade dos homens se deve pois, na maioria das vezes, o apresentado a nós é melhor compreendido se for conceituado e não experimentado. Assim acontece com o Eterno Retorno, Zaratustra esforça-se para que os homens entendam que a maior redenção consiste em transformar aquilo que foi num assim eu quis, contudo até mesmo para Zaratustra essa aceitação é difícil, já que o tagarela denunciado acima é ele próprio que saiu da sua caverna e foi aos homens anunciar o além-homem. Nisso principiou a própria decadência. Leia mais…»

Dilemas do Design VII – metalinguagem

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

Temo que, enquanto tivermos gramática, não teremos matado Deus. – Nietzsche.

Não é novidade a acusação de que a linguagem é o limite do “esclarecimento” moderno. Assim como não é de se espantar que o estruturalismo – corrente filosófica contemporânea segundo a qual a realidade social é estruturada por um conjunto formal de relações – tenha surgido no mesmo país onde foi criada, em 1634 (pelo cardeal Richelieu), uma tal de Academia Francesa, cuja função inicial era conservar e aperfeiçoar a língua local por meio de um procedimento básico e tirânico de eliminar expressões ambíguas. Leia mais…»

Em que medida somos colonizados pela linguagem?

Esta questão foi levantada no meu post Saussure, língua, xadrez e gerou debates antes mesmo que eu tentasse respondê-la – tentativa que farei agora. Vejamos: o que disse no tal post, e que de modo algum é uma ideia original, foi o seguinte: dado que a língua tem como elementos irredutíveis os fonemas (no caso da linguagem falada) ou letras (no caso da linguagem escrita), e dado que os fonemas e as letras existem em número limitado, as combinações possíveis entre tais elementos são finitas, de tal modo que seria possível – como faz Borges em A Biblioteca de Babel – imaginar uma biblioteca na qual estivessem compiladas todas as combinações possíveis das letras do alfabeto. Ora, em tal biblioteca estariam, assim, todos os textos possíveis de serem escritos: este post, a bíblia, o texto ganhador do prêmio Jabuti do ano que vem etc. Leia mais…