Posts taggeados com ‘mediação’

Não leia!


ESSE TEXTO FOI FEITO PARA QUE NINGUÉM O LEIA. O ATO DE ESCREVER É UM MAL ABSOLUTAMENTE DESNECESSÁRIO: AS PALAVRAS NUNCA SÃO LIDAS. DOIS TEXTOS ILEGÍVEIS: UM NA TELA LUMINOSA; E OUTRO DIANTE DA TELA: O LEITOR INVISÍVEL CUJA LUZ DOS OLHOS SE APAGA PARA O DIANTE. O PRIMEIRO É DESEJO IRREALIZADO, O OUTRO DESEJO SEM EXPRESSÃO. DESENHO INCOMPREENSÍVEL DE TRAÇOS SEM IMAGEM. PARA O TEXTO ESCRITO NÃO HÁ POSSE POSSÍVEL. UM AVISO AO (IMPOSSÍVEL) LEITOR ANÔNIMO: NÃO HAVERÁ COMPREENSÃO DE LADO NENHUM.

Leia mais…

Debate FdD: design, uma experiência imediata ou mediada?

Após refletirmos sobre o capacete dos kamikazes e o significado do ato de chorar, chegamos ao terceiro post-coletivo com uma questão levantada pelo Beccari. Confira abaixo a pergunta proposta e as respostas, começando com as de nossos colaboradores fixos (Bolívar Escobar, Eduardo Souza e Thiago Dantas), seguidas das de Marcio Rocha Pereira e de Marcos Beccari.

Quando um rato tem acesso a uma alavanca que manda impulsos elétricos a um eletrodo implantado em seu cérebro, ele vai pressionar a alavanca repetidamente até cair de exaustão, abstendo-se de comida e sexo. Ou seja, o rato literalmente fode com seu próprio cérebro. Eu queria ter inventado isso, mas trata-se de um experimento bastante conhecido no campo da neurologia e que geralmente serve para explicar o princípio de ação das drogas nos humanos: substâncias que promovem a estimulação direta de certos pontos de prazer em nosso cérebro. A questão é: como podemos (se é que podemos) relacionar tal experimento com o design, seja como projeto ou como objeto de consumo? De preferência em apenas um parágrafo. Leia mais…»

O engodo do projeto

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

Em sua raiz etimológica latina, “projectum” significa lançar-se para frente, uma forma de ação que antecipa a si mesma. Mas assim como o trato com o tempo no pensamento greco-romano não colocava necessariamente em oposição o antes e o depois – os mitos, por exemplo, não eram acontecimentos de um passado longínquo, mas histórias que aconteciam a qualquer momento e o tempo todo –, o significado de projeto era ambivalente: podia tanto significar antecipação espaço-temporal do que ainda não há quanto “fazer advir” o que potencialmente já está ali.

Só que, se outrora não havia nada que não fosse ao mesmo tempo real e ficcional (passível de ser narrado), em dado momento, grosso modo, aprendemos que nosso olhar sobre o mundo nem sempre corresponde ao mundo em si (que então foi entendido como “já pronto”), podendo muitas vezes aquele enganar-nos sobre este. Com isso o projeto assume a função de superar este logro, tornando-se um exercício de autonomia em contínua tensão entre uma afirmação intencional e o reconhecimento de obstáculos contra tal intenção. Leia mais…»