Posts taggeados com ‘mitologia’

Designotopia: William Morris e os revivalismos celta e viking na Europa do século XIX

Upplands_RuninskriftAs curvas normalmente associadas às antigas artes celta e viking sempre tiveram para mim forte apelo estético. Recentemente, minha estadia no Reino Unido, possibilitada por uma bolsa de doutorado sanduíche do CNPq, me fez pensar mais detidamente sobre a influência de tais curvas em designs dos últimos séculos, e no movimento mais geral de resgate da lingua, mitos e cultura desses povos.

Esses resgates ou revivalismos são eventos importantes na Europa do século XIX e servem a diversos fins: politicamente, aparecem como narrativas congregadoras, e ajudam a consolidar os Estados nacionais em formação; psicologicamente, oferecem formas de espiritualidades alternativas em um momento no qual o cristianismo perde força; artisticamente, oferecem um mais do que fértil acervo-base para novas propostas estéticas. Algumas vezes, todos esses fins podem aparecer interligados em uma espécie de grandiosidade político-estético-espiritual, que tendemos a associar, no caso alemão, ao wagnerianismo. Leia mais…»

O Mito de Noé

Texto originalmente publicado no Animus Mundus

Por mais estranho que possa parecer para nós do mundo ocidental, a religião cristã tem, também, sua mitologia: símbolos, heróis e mitos. Apesar disso, desde a morte de Deus, esse repertório simbólico permaneceu quase intocado pelos storytellers enquanto mito. Noé, entretanto, decidiu vasculhar esse baú e ressignificar uma mitologia cujo sentido tem sido desgastado.

Aronofsky se propõe a testar o que pode fazer como épico, sem abandonar o thriller psicológico que executou com primor em Cisne Negro; em muitos sentidos, esse filme são dois em um. Parece não ser por acaso que o filme passe da água para o vinho; a dualidade está presente em todos os seus aspectos. Portanto, Noé é um bom mito e um filme ruim.

Se você ainda não assistiu ao filme, não recomendo a leitura do texto. Spoiler alert.

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Robin Hood: o design de um (anti)herói

robin-hood-1915- Bernard WestmacottRobin Hood é, sem dúvida, um dos personagens mais conhecidos da cultura ocidental. Embora inglês até a raiz dos cabelos, sua fama se espalhou por boa parte do mundo. As características que costumam defini-lo são as seguintes: rouba dos ricos para dar aos pobres, é um mestre com arco e flecha, vive na floresta de Sherwood na companhia de um bando. Uma vez que estou passando uma temporada em Nottingham, cidade próxima à floresta de Sherwood, e na qual reside o arqui-inimigo de Robin — o xerife de Nottingham –, resolvi tirar alguns dias para aprender mais sobre as diferentes versões e representações visuais desse intrigante personagem.

Robin Hood é um daqueles personagens de origem indefinida — a tal ponto que há até quem acredite ter realmente existido um ladrão com esse nome que inspirou as histórias. Embora não faltem falatórios sobre um suposto “verdadeiro” Robin Hood, a questão me parece um tanto irrelevante. O único efeito de supor uma verdade por trás das lendas seria tirar o brilho de toda a fantasia. Eu até imagino o autor de algum dos contos de Robin Hood descobrindo que seu personagem realmente existiu e proferindo um comentário inspirado por Oscar Wilde: “é terrível descobrir repentinamente que não escrevi nada senão a verdade…”. Leia mais…»