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Fragmentos filosóficos #13 – Rosset e o princípio de crueldade

Este é o décimo terceiro de nossos Fragmentos filosóficos, uma série composta por trechos selecionados e comentados (sob a curadoria de Marcos Beccari e Daniel B. Portugal), com a proposta de apresentar filósofos em suas próprias palavras. O trecho abaixo foi retirado do livro O princípio de crueldade de Clément Rosset (Rio de Janeiro: Rocco, 2002, p. 22). Seleção e comentários de Marcos Beccari.

O homem é o ser capaz de saber o que, por outro lado, é incapaz de saber, de poder em princípio o que é incapaz de poder em realidade, de encontrar-se confrontado ao que é justamente incapaz de afrontar. Leia mais…»

Demócrito, a Filosofia Marginal e o Mercado da Transcendência

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E se o Homem não for a dualidade corpo e alma ? E se o binômio mundo sensível e mundo inteligível for apenas a construção socrático-platônica da existência ? Res Cogitans e Res Extensa sendo tão somente a elaboração de um método de interpretação, do encaixe do indivíduo no mundo ? Imagine se tudo é como só poderia ser, sem alternativas deliberativas ou livre arbítrio. Se o imaterial só for possível na construção de uma crença. Seria o pensamento, algo originado em meio a átomos e vazio, em uma perspectiva restrita à matéria ? Questão levantada por Demócrito. Contemporâneo de Platão, relegado a um papel secundário, na história da filosofia. O que justificaria tal desprezo por uma teoria ? Em que medida, a simplificação das justificativas pelas quais o Homem busca explicar a sua estada transitória no mundo, é algo desinteressante, sobretudo do ponto de vista econômico ?  Leia mais…

Estilhaços

 

Aconteceu de novo.13nov2015---corpo-de-vitima-permanece-coberto-diante-da-sala-de-concertos-bataclan-apos-serie-de-ataques-terroristas-em-paris-homens-armados-com-armas-de-fogo-bombas-e-granadas-atacaram-restaurantes-144746983527
É tanto #pray,
que já não sei,
para onde aponto a minha fé.
Spray de pimenta,
na cara do sensato argumento,
repressão e contingência.
Cruzados em nome de qualquer Deus legitimado,
tornam-se homens-bomba virtuais,
jogando na rede a impossibilidade,
do convívio em Estado de Sociedade.
Coadjuvantes, na guerra de todos contra todos, dando palpites corrosivos, no que não foram convocados. Leia mais…

Não Obstante #10 – A questão da morte em Montaigne

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O sorriso de Pandora: ficções de cadáveres adiados

* texto originalmente publicado na edição #49 da Revista abcDesignPinturas de Benjamin Björklund (Suécia) neste post.

Segundo Hesíodo, Zeus teria amaldiçoado os homens, em retaliação pelo furto do fogo, com uma coisa má que lhes alegra, algo que lhes foi dado para que amem a dor que sentem. Trata-se de Pandora, figura mitológica que reaparece no sétimo capítulo de “Memórias póstumas de Brás Cubas” para levar o protagonista a vislumbrar todos os séculos, do início ao fim da existência, como uma história monótona e sem sentido. Machado de Assis se apropria do “delírio”, título do capítulo em questão, como filtro através do qual seu personagem é capaz de enxergar a insignificância vertiginosa por onde a vida se intensifica:

“A dor cedia alguma vez, mas cedia à indiferença, que era um sono sem sonhos, ou ao prazer, que era uma dor bastarda. Então o homem, flagelado e rebelde, corria diante da fatalidade das coisas, atrás de uma figura nebulosa e esquiva, feita de retalhos, um retalho de impalpável, outro de improvável, outro de invisível, cosidos todos a ponto precário, com a agulha da imaginação; e essa figura – nada menos que a quimera da felicidade – ou lhe fugia perpetuamente, ou deixava-se apanhar pela fralda, e o homem a cingia ao peito, e então ela ria, como um escárnio, e sumia-se, como uma ilusão” (cap. VII, § 28). Leia mais…»

O homem mais velho do mundo é um polonês de 111 anos que mora nos EUA. Indagado sobre o segredo da sua longevidade, respondeu: “carne vermelha, cigarro de palha e sexo selvagem”. Admirados com a resposta, os pesquisadores perguntaram se ainda hoje ele mantinha tais afazeres inclusos em seus lides diários, mesmo com mais de um século de vida nas costas. “Não”, comentou. “A carne ficou muito cara”.

Stonehenge from the airPara explicar como funciona uma corrida de Fórmula 1, é necessário antes tentar explicar o conceito de tempo, já que ele é o principal fator a ser levado em conta na hora de ficar feliz ou triste no resultado de qualquer corrida.

Aqui por esses cantos da galáxia, a principal ferramenta para medir a quantidade de tempo que se passa é o número de voltas que nosso planeta dá em torno dele mesmo, e que ele dá em torno do sol, que é uma espécie de reator nuclear gigante que fica flutuando há 8 minutos na velocidade da luz daqui. Se a gente não pensar nessas duas coisas, ficaria difícil explicar o que é o tempo e teríamos que acabar fazendo como os povos antigos, que não tinham muita certeza de tais fatores e acabavam tendo que empilhar várias pedras grandes para descobrir se já tinha passado a hora do almoço ou não. “Hora” é o nome que se dá ao tempo que leva para assistir um episódio inteiro de um seriado como True Detective, por exemplo. Leia mais…

O erotismo: resenha

A manifestação do indivíduo humano [...] consiste no fato de [...] mostrar que ser para si, ou ser homem, é não estar ligado a nenhuma existência determinada, [...] é não estar ligado à vida.
– Hegel. Fenomenologia do espírito

O erotismoA editora Autêntica lançou este ano uma nova e caprichada edição em português de dois dos mais famosos livros do pensador francês Georges Bataille (1897 – 1962): A parte maldita (que resenhei em um post anterior) e O erotismo. Neste post, vou falar um pouco sobre O erotismo, citado daqui para frente como ER (a numeração das páginas e a tradução são, naturalmente, as da edição da editora Autêntica).

O erotismo – livro originalmente publicado em 1957 — nos oferece um referencial profícuo e bem lapidado para refletirmos sobre o desejo e a experiência interior desses seres complicados que somos nós, humanos. A perspectiva de Bataille nos ajuda a enxergar o ponto de fuga das paixões humanas. Sim, trata-se de um único ponto, um único objeto (ou não-objeto) na base de todos os nossos desejos, embora variem as vias pelas quais o abordamos. “Esse objeto tem os mais variados aspectos, mas, desses aspectos, só penetramos o sentido se percebemos sua coesão profunda” (ER, p. 31). Tal coesão profunda se revela no fato de buscarmos sempre o fim de nossa descontinuidade, de nosso fechamento em um eu. Porém, chegar ao fim de tal busca seria o mesmo que desaparecer enquanto ser descontínuo – seria o mesmo que morrer. É assim que se pode entender a primeira fórmula que Bataille oferece daquilo que ele denomina Erotismo: “a aprovação da vida até na morte” (ER, p. 35). Essa afirmação, vale ressaltar, não é para ser entendida em sentido fraco ou figurativo. O que Bataille descobre em O erotismo é “que só chegamos ao êxtase na perspectiva, mesmo que longínqua, da morte, daquilo que nos aniquila [enquanto seres descontínuos]” (ER, p. 294). Leia mais…»

A Morte do Design – parte III

ou O Renascimento do Design

Em meu último post, velamos o design. Gostaria muito que todos tivessem ficado de luto, chocados, até revoltados; isso, obviamente, não aconteceu.

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A morte do design – parte II

No meu último post, eu anunciei a morte do design, mas não sei se a relação do que falei com esse velório ficou clara. E, de fato, não deveria ter ficado, porque aquilo foi só a sucessão caótica de eventos que nos trouxe até aqui, à trágica morte do design.

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Morte, amor e design

Certas obrigações e imposições são entendidas como “certas” – as leis da física, as leis da vida, as leis do papai do céu. A dura e fria realidade das coisas. Na maior parte do tempo, porém, o “certo” é mais fantasioso que realista: ninguém vive com uma calculadora, um dicionário ou uma bíblia no bolso. O “lado sério” da vida não existe o tempo todo: há sempre alguma incoerência entre nossos gostos, escolhas e julgamentos. Em última análise, temos medo de coisas muito “certas”.

Gostamos de ilustradores que desenham “errado”, de escritores que deixam “pontas soltas”, de músicos que improvisam ou mesmo desafinam. Somos fascinados pelo erro (acidental ou proposital), tentamos enxergar uma beleza secreta por trás daquilo que (supostamente) não foi pensado.

Claro que não é qualquer erro – precisa ser um erro único, singular, não passível de ser reproduzido. Por exemplo, o amor que sentimos por alguém não foi planejado, não foi imposto e contradiz a si mesmo em muitos sentidos. O amor é um erro único. Leia mais…»