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persiamDecisões difíceis. Reza uma antiga lenda Persa* que, em uma das várias batalhas contra os povos médicos, o Rei Mücahit foi visitado por um mensageiro dos céus que lhe ofereceu uma barganha: deixaria o povo persa vencer a guerra, e em troca a mão de sua filha, a princesa Semiha, seria destinada a pertencer aos deuses, significando portanto que ela seria levada embora para os céus assim que a guerra terminasse. O Rei aceitou, porém, rápido como um camelo especial de corrida das dunas do leste, ordenou secretamente aos seus criados que amarrassem os pés da princesa com maciças correntes à mais pesada rocha que encontrassem no reino.

Dito e feito, ao retornar para casa, Mücahit deparou-se com a própria filha flutuando acima da rocha, como se fosse uma pandorga (ou pipa, ou papagaio, depende da região do Brasil na qual encontra-se o leitor). O mensageiro dos Deuses, enfurecido, amaldiçoou o Rei pela trapaça: jogou nele um feitiço que fadava Mücahit a ser vítima de um pesado dilema todos os dias pela manhã. Ao acordar, ele deveria decidir entre coisas horríveis, como ter que comer um prato de cocô humano ou passar um mês cego por dores de cabeça fortíssimas. Andar pela rua nu com um espanador de pó enfiado na bunda ou perder os polegares opositores. Leia mais…

Mr. Nobody e o pêndulo tautológico da interpretação

* texto originalmente publicado na Revista Clichê.

Questionei uma garotinha de seis anos o que ela queria ser quando crescer. A resposta foi “atriz”. Por quê? Explicou-me que uma atriz pode fingir ser qualquer pessoa. Mas então uma atriz deixa de ser ela mesma quando ela trabalha? Mais ou menos, esclareceu-me, porque a pessoa que a atriz finge ser é um pouco ela mesma e também um pouco as pessoas que assistem a seu espetáculo. Continuou confessando-me que gosta de fingir ser outras pessoas. Retribui dizendo que talvez eu seja mais “eu mesmo” quando finjo ser outra pessoa.

Então ela me perguntou, mudando de assunto, se eu tinha medo de morrer. Respondi com outra pergunta: você tinha medo quando você ainda nem havia nascido? Ela riu e disse que não dá pra saber o que ela sentia antes de nascer. Pois é, prossegui, meu medo não é de morrer, mas de saber que eu morri. Leia mais…»