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Refrações #002 – As dimensões e o mundo codificado de Vilém Flusser

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A superfície e sua vertigem

Resenha de “O universo das imagens técnicas: elogio da superficialidade” de Vilém Flusser (São Paulo: Annablume, 2008), originalmente publicada na revista Leaf #4.

O que mais me instiga em Flusser é a geralmente enganadora simplicidade com que ele tratava das pautas mais recentes da filosofia da imagem. Um ponto de partida poderia ser: nossa experiência de “realidade” é sempre mediada por nossa própria intenção de in-formar – dar forma e significado a – aquilo que nos aparece. Nesta mediação, a imagem seria uma primeira superfície por onde se integram nossas ideias ao mundo percebido. Mas como a imagem não é suficiente para traduzir nossas ideias em “conceitos”, o homem teria criado o texto como forma de codificar as imagens (que antes codificam o mundo). Leia mais…»

Filosofia do Design, parte XXXII – o Design da Programação

* texto originalmente publicado no Design Simples.

Google before you tweet is the new think before you speak. Dizem que estamos na era da informação. Mas a informação sempre existiu: etimologicamente ela significa a forma no interior das coisas. É como se a informação fosse o software e a coisa fosse o hardware. O que acontece é que atualmente não há mais sentido em se ter as coisas, apenas em conhecê-las e experimentá-las. Mais do que isso, em compartilhar informações. A sociedade dedica-se cada dia mais à produção de informações, de serviços, de gestão e de programação. E o designer, a princípio, se dedica à produção de coisas.

Na verdade, desde sempre o ser humano modifica as coisas que o rodeiam. E desde sempre produz informação. Por este motivo, entendemos a história da humanidade como o processo através do qual o homem transforma a natureza em cultura. A ideia de progresso, no entanto, se torna relativa quando percebemos o seguinte círculo vicioso: as coisas produzidas pelo homem, ditas artificiais, regressam à natureza na forma de detritos. Por isso a produção de informação está tão na moda, isto é, a cultura não-material. Trata-se daquilo que Flusser (2010) chama de não-coisas. “E estas não-coisas são simultaneamente efêmeras e eternas” (op. cit., p. 103). Seguindo este raciocínio, nossas mãos tornam-se supérfluas (não podemos pegar uma não-coisa), ao passo que as pontas dos dedos se tornam nosso instrumento de decisão. Leia mais…»