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Desejo sem objeto: considerações lacanianas

jean-arp-22* Ilustram o post imagens do artista surrealista Jean Arp

A leitura que Lacan propõe dos textos freudianos sugere que, ao desejo humano, falta um objeto adequado. Ao contrário dos instintos dos animais, cuja satisfação está ligada a um objeto definido, o desejo propriamente humano não possui um objeto “natural” – em vez de instintivo, ele é pulsional. E o que caracteriza a pulsão é sua plasticidade, de modo que ela pode ser investida em objetos muito diversos, de formas muito diversas.

Ao enfatizar o caráter plástico das pulsões e defender a ausência de qualquer objeto que pudesse fixar-se, finalmente, como O objeto adequado a uma pulsão, Lacan se opõe a uma vertente da psicanálise que tende a enfatizar, na teoria freudiana das fases do desenvolvimento libidinal, a caminhada rumo à estruturação de uma orientação “natural” e bem sucedida do desejo. Para estes, existiria, em última instância, uma organização da libido (pulsão sexual) que garantiria uma relação satisfatória com os objetos de desejo, uma espécie de retorno à adequação instintiva do desejo ao objeto. Este é um ponto que Lacan ataca duramente: Leia mais…»

Elsa vai para as montanhas: considerações éticas com base em Frozen, Freud e Nietzsche

frozen-5Neste post, vou analisar o filme Frozen, da Disney, com o intuito de  refletir sobre algumas orientações morais derivadas, direta ou indiretamente, das propostas éticas de Nietzsche e Freud. Como a maioria deve saber, Frozen conta a história de Elsa, uma princesa que nasceu com poderes mágicos ligados ao gelo, e Anna, sua irmã. Quando crianças, as duas eram muito próximas e passavam o dia brincando no amplo espaço do castelo em que nasceram (Arendelle). Os poderes de Elsa tornavam as brincadeiras mais interessantes, permitindo, por exemplo, que as irmãs construíssem um boneco de neve no meio de um salão de festas vazio. Não sabendo controlar seus poderes, porém, Elsa acaba machucando sua irmã em uma dessas brincadeiras. Depois desse episódio, os poderes de Elsa passam a ser vistos como perigosos, e seus pais se empenham em reprimi-los. A parte inicial da principal música do filme, Let it go, descreve bem o que os pais (e, com base neles, a própria Elsa) acreditam que precisa ser feito com os poderes: “esconda, não sinta, não deixe ninguém saber, seja a boa garota que você sempre foi”. Leia mais…»