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Não Obstante #20 – Mesons, uma ontologia dos meios

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A Sociedade do Cansaço : neoliberalismo, hiperconectividade e outras urgências

AAEAAQAAAAAAAAWwAAAAJDA1OTA1ZGRhLTM5MzgtNGIzZC1hYzQ5LTk4N2RjNzk4ZDM2NASim, passou rápido. No dia seis de agosto de 1991, Tim Berners-Lee, físico e pesquisador britânico do CERN, organização européia para pesquisa nuclear, sediada na Suiça, apresentou a idéia de World Wide Web, em vários grupos de discussão científica. Era a gênese da internet como a conhecemos hoje. Contrariamente à visão radical de negócio, típica do modelo econômico largamente implantado desde meados dos anos 80, do século passado, Berners-Lee abriu mão do direito de patentear, e por conseguinte, comercializar com exclusividade, a sua criação. Dessa forma, seu intuito de capilarizar o produto, através do livre aperfeiçoamento do mesmo, por outros interessados, obteve adesão em larga escala. Hoje, somos aproximadamente 3,2 bilhões de pessoas conectadas, graças ao desprendimento daquele homem, que preferiu legar seu conhecimento ao planeta, sem auferir ganho objetivo algum, além do reconhecimento acadêmico. Nem mesmo o fato da internet ter se tornado um espaço universal de comércio, pareceu fazê-lo mudar de opinião. Contudo, o que viria a seguir é outra história…. Leia mais…

Publicidade e Infância : A Precoce Ruptura Ético-Moral

1_manifesta____o___foto_walax_louren__o-1471218O modo de vida contemporâneo , pautado em forte viés neoliberal, contém relevantes aspectos do discurso pragmático, originado em Maquiavel. Para o senso comum vigente, se existe alguma razão para se refletir sobre a condição do individuo nos dias atuais, esta passa necessariamente pela melhor maneira de viver, que possa resultar no alcance de um estado de felicidade e plenitude. Nesse sentido, o caminho preferencial busca estabelecer uma relação direta, na qual o acúmulo de um dado número de satisfações produza a efetivação de uma condição ideal de bem estar. Coerente com esse raciocínio, a conduta coletiva passa a ser sintetizada dentro de um modelo lógico fabricado dentro do capitalismo, no qual a noção de desejo despertado levará, impositivamente, à busca pela satisfação do mesmo e, em cumprida esta etapa, à felicidade. Fazer brotar o desejo, majoritariamente através da publicidade, viabilizando a sua consecução através da oferta abundante de crédito, coloca em marcha a equação que a todos envolve na contemporaneidade. Inovação, design e obsolescência programada, em adendo,  turbinam o motor do consumo.

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Fragmentos filosóficos #15 – Wittgenstein e os limites do pensar

Este é o décimo quinto de nossos Fragmentos filosóficos, uma série composta por trechos selecionados e comentados (sob a curadoria de Marcos Beccari e Daniel B. Portugal), com a proposta de apresentar filósofos em suas próprias palavras. O trecho abaixo foi retirado do livro Tractatus logico-philosophicus (3. ed. Trad. Luiz Henrique Lopes dos Santos. São Paulo: Edusp, 2008, p. 131), no prefácio escrito por Wittgenstein. Seleção e comentários de Marcos Beccari.

O livro pretende, pois, traçar um limite para o pensar, ou melhor – não para o pensar, mas para a expressão dos pensamentos: a fim de traçar um limite  para o pensar, deveríamos poder pensar os dois lados desse limite (deveríamos, portanto, poder pensar o que não pode ser pensado). O limite só poderá, pois, ser traçado na linguagem, e o que estiver além do limite será simplesmente um contrassenso. Leia mais…»

O Capitalismo Artista e a Estetização do Mundo em Lipovetsky : Uma Introdução


a-indstria-cultural-e-o-consumismo-6-638É sabido que o capitalismo não possui a melhor das reputações, mesmo dentre aqueles que se beneficiam do mesmo. Em plena era da informação, resta consolidada a noção geral de que existe algo errado na rotina dos processos de execução do sistema econômico e de consumo atual. Muito embora a quase totalidade dos atores sociais sequer questione o próprio engajamento no mesmo sistema, há um desconforto latente, transversal a tudo e a todos, enquanto o planeta se esgota em sua capacidade de fornecimento de insumos. Mesmo com a constatação empírica de que a única alternativa ao modelo globalmente implementado de produção e consumo vigente tenha falido, ainda assim é óbvio o sentimento de inadequação, em face do aprofundamento da concentração de renda e exaustão de recursos naturais . Partindo dessas observações, Lipovetsky, em parceria com Jean Serroy, nos traz uma fotografia de como, em uma perspectiva histórica, o capitalismo procura se reinventar, mais uma vez, buscando retocar sua imagem de sistema deletério para a humanidade como um todo. Em “A Estetização do Mundo – Viver na Era do Capitalismo Artista – Companhia das Letras, 2015”, os autores ampliam o entendimento de que a reinvenção capitalista é nova forma para velho conteúdo. O capitalismo se apresenta de cara nova, para permanecer o mesmo, trazendo progressivamente para dentro de si características que até o final do século XIX se mostravam antagônicas ao modelo. “Plus ça change, plus c’est la même chose”.
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A Divina Burguesia do Proletariado

neoliberalismoPartindo-se da Revolução Industrial , em meados do século XVIII, a utilização de tecnologias vem, progressivamente, acelerando e aprimorando os modos de produção de bens e serviços, mobilidade e comunicações, em todo o planeta. No decorrer desse tempo, iniciado por volta de 1760, a população mundial saltou de um bilhão para aproximadamente sete bilhões de habitantes, interligados mundialmente. Esse cenário provocou uma busca incessante por alimentos, fontes de energia e matérias primas diversas, e posteriormente, por mercados que pudessem absorver a escala industrial de produção, decorrente dessa nova realidade. Corporações locais ampliaram seu escopo de atuação, transnacionalizando-se, modificando substancialmente a cultura e o meio ambiente, através de um poder estrutural jamais conhecido e nunca antes tão concentrado, no decorrer da história do Homem sobre a face da Terra. Dessa forma, a dinâmica de ações correlatas a este poder estrutural, passou a causar, simultaneamente, benefícios, para um grupo cada vez menor de pessoas, e um ônus desproporcional, a um número cada vez maior de individuos. Leia mais…»

Refrações #007 – O que é Virtual?

refracoes_007_topoComo pensar o mundo e outras questões relacionadas ao nosso tempo? Refrações é um experimento que promove o encontro de questionamentos e interpretações com base na visão de grandes autores em curtos episódios. Nesta edição: O que é Virtual? – Pierre Levy. Traduzido por Paulo Neves. São Paulo: Editora 34, 2011. Leia mais…

Elogio ao simulacro: a imagem que coincide com o real

* texto originalmente publicado na edição #51 da Revista abcDesignFotografias de Matthew Tischler ilustram este post.

Simulacro é a simulação que simula a si mesma. Enquanto “simulação” significa imitação de algum modelo, “simulacro” representa algo que não possui nenhum equivalente. Tal diferença concerne a duas concepções básicas de “representação”: que as imagens estão ligadas a referentes (a coisas reais do mundo) ou que as imagens são autorreferenciais (pois só representam outras imagens). A imagem de “felicidade” prometida por uma marca de refrigerante, por exemplo, é autorreferencial, portanto um simulacro.

Em seu livro Simulacros e Simulação, Jean Baudrillard assinala sua insatisfação com o simulacro dos “estilos de vida” contemporâneos, com a estetização cotidiana que, para ele, só expressa um desejo desesperado de camuflar certo vazio existencial. Ocorre que esta avaliação depreciativa do simulacro, ainda recorrente na crítica cultural, depende inteiramente da exigência romântica por uma realidade mais pura ou autêntica. Leia mais…»

Os Tempos da Alma e o Tempo do Mundo : A opção pela reconciliação com o real

capa-2Tempo. Noção do encadeamento dos acontecimentos na materialidade do mundo. Intuição que não se permite traduzir em discurso. Presente. O que deixa de ser a cada instante. Passado. O que não é mais. Futuro. O que ainda não é. Vistos em conjunto, passado, presente e futuro não são. Entre o tempo do mundo, cronológico, irrefreável, e a nossa temporalidade própria, decorrência de um atributo psiquico, ora um ou outro nos governa, conforme a possibilidade de haver ou não, discernimento sobre o que pertence ao  mundo ou à idealidade.

Uma coisa é agora clara e transparente: não existem coisas futuras nem passadas; nem se pode dizer com propriedade: há três tempos, o passado, o presente e o futuro; mas talvez se pudesse dizer com propriedade: há três tempos, o presente respeitante às coisas passadas, o presente respeitante às coisas presentes, o presente respeitante às coisas futuras. Existem na minha alma estas três espécies de tempo e não as vejo em outro lugar: memória presente respeitante às coisas passadas, visão presente respeitante às coisas presentes, expectação presente respeitante às coisas futuras. Se me permitem dizê-lo, vejo e afirmo três tempos, são três. Diga-se também: os tempos são três, passado, presente e futuro, tal como abusivamente se costuma dizer; diga-se. Pela minha parte, eu não me importo, nem me oponho, nem critico, contanto que se entenda o que se diz: que não existe agora aquilo que está para vir nem aquilo que passou. Poucas são as coisas que exprimimos com propriedade, muitas as que referimos sem propriedade, mas entende-se o que queremos dizer (Agostinho. As Confissões. Lisboa: Imprensa Nacional / Casa da Moeda, 2001, p. 117 [XX, 26]).

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Refrações #001 – A hiper-realidade, as simulações e o simulacro de Jean Baudrillard

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Imagem original: Brett Walker

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